Pneumonia: Alvéolos invadidos
É essa, por exemplo, a função dos cílios nasais, os pequenos pêlos existentes no interior das narinase que travam a entrada de germes.
É essa também a função da tosse, através da qual expelimos essas substâncias potencialmente agressivas, impedindo-as de chegarem aos pulmões.
Mas nem sempre estes filtros naturais são eficazes. Ou pela agressividade dos agentes infecciosos ou pelo enfraquecimento das defesas do organismo, a infecção pode acontecer. Vírus ou bactérias progridem até aos alvéolos, onde sofrem a acção dos glóbulos brancos (os leucócitos) que integram o sistema imunitário e, em consequência, atacam os invasores.
Mas a presença, em simultâneo, de todos estes elementos nos pequenos sacos de ar acaba por causar inflamação: enchem-se então de fluido, tornando a respiração difícil e desencadeando os demais sintomas da pneumonia.
Perante a suspeita de pneumonia – nomeadamente quando os sintomas de constipação ou gripe permanecem mais tempo do que é habitual ou se agravam – há que recorrer ao médico. É que a pneumonia trata-se, mas também pode complicar-se e ser até fatal.
Entre as complicações incluem-se a bactericemia – situação em que a infecção alastra para a corrente sanguínea, a partir daí podendo atingir rapidamente outros órgãos; os abcessos pulmonares – cavidade cheia de pus nos pulmões no local da pneumonia; derrame pleural – acumulação de líquido entre o revestimento dos pulmões (pleura) e a parede torácica.
Dado o risco, há sinais que não devem ser ignorados: é o caso da tosse persistente e com produção de muco, dor no peito (ao tossir e mesmo ao respirar), febre elevada e inexplicada, com tremores e arrepios, e falta de ar. Sobretudo nos grupos de risco: crianças (com dois anos ou menos) idosos, pessoas com o sistema imunitário deprimido ou com outras patologias respiratórias, cardíacas ou renais.
O risco da resistência aos antibióticos
Se o diagnóstico se confirmar, o tratamento depende da causa da pneumonia e da sua gravidade, sendo o objectivo geral curar a infecção e prevenir as complicações.
A maior parte das pessoas é tratada em casa, mas quando há severo compromisso da capacidade respiratória e risco de complicações pode ser necessário internamento para receber oxigénio ou antibióticos por via intravenosa (através de uma veia).
Os antibióticos são, aliás, um dos principais recursos terapêuticos, destinando-se à pneumonia causada por bactérias. Eficazes, resultam numa melhoria dos sintomas ao fim de poucos dias, o que pode iludir o doente e levá-lo a interromper o tratamento. Contudo, esta é uma tentação a evitar pois há a probabilidade de a infecção recuperar intensidade, o que implica recomeçar o tratamento.
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Os antibióticos devem ser tomados até ao fim, de acordo com a prescrição médica.
Se assim não acontecer, há ainda o risco de as bactérias desenvolverem resistência ao medicamento: isto significa que, de certo modo, as bactérias se habituam aquele antibiótico, que deixa de ser eficaz para as eliminar, tornando necessária uma alternativa mais potente.
A resistência aos antibióticos é, aliás, um problema sério que se coloca à saúde pública e à investigação científica: por razões como o mau uso destes medicamentos há cada vez mais estirpes de bactérias resistentes. Usar antibióticos para tratar infecções virais é um erro comum, pois estes medicamentos não são eficazes no combate a vírus.

