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Parkinson

8 Dezembro, 2008 0

O nome de doença de Parkinson deve-se ao facto de ter sido descrita pela primeira vez em 1817 por um Médico Inglês de nome James Parkinson que lhe chamou “Paralisia tremórica”.

O modo como esta doença se expressa é muito variado. As primeiras manifestações da doença são frequentemente inespecíficas, como apenas uma dificuldade em efectuar determinado movimento, muitas vezes descrita como uma “perda de jeito”, por exemplo da mão. Depois com ritmos variáveis conforme a evolução da doença vão surgir a rigidez, a progressiva lentidão de movimentos e o tremor (a doença de Parkinson pode não incluir tremor e há muitas formas de tremor que não são doença de Parkinson). Podem ou não surgir depois uma grande variedade de sintomas como desequilíbrio, alterações do sono ou urinárias, ansiedade e depressão.

Sabe-se hoje que esta doença do movimento deriva da falta de uma substância química que é imprescindível no bom funcionamento dos circuitos nervosos que controlam os nossos movimentos. Tudo se passa como se as células responsáveis pela produção desta substância deixassem de a produzir e na sua ausência os circuitos que dela necessitam passassem a funcionar de um modo deficiente. Não existe no entanto evidência de qualquer hereditariedade nesta doença (excepto em raras formas familiares).

Desde que se compreendeu esta origem da doença, o tratamento passou a ter como objectivo dar ao doente a substância química em falta (L – dopa), melhorar a utilização da existente e impedir a sua degradação. Foi esta a mudança que ocorreu nos anos 60 com a generalização mundial da utilização da L – dopa, sendo então convicção generalizada que se tinha conseguido o controle da doença.

Com a medicação consegue-se um bom controlo da doença durante muitos anos. Existem hoje no mercado múltiplos medicamentos eficazes, não sendo correcto fazer qualquer comparação quanto à gravidade da doença conforme os medicamentos prescritos: eles são escolhidos de acordo com as manifestações da doença sendo errado afirmar que uma forma de doença é mais ou menos grave porque toma, ou não, um ou outro medicamento.

Só demorou dez anos a desfazer–se o sonho inicial. A verdade é que há um grupo de doentes dos quais o tratamento médico perde o efeito e/ou o doente desenvolve efeitos laterais que tornam a medicação intolerável. Nestes doentes (cerca de 5% do total ou seja em Portugal 100 novos casos em cada ano) a cirurgia pode ser uma solução.

Esta técnica iniciou-se nos anos 90 em Grenoble no conceito de cirurgia funcional: nenhum tecido é destruído ou retirado, sendo colocado de cada lado do cérebro num núcleo de células situado profundamente um estimulador ao qual chegam estímulos eléctricos gerados numa bateria colocada debaixo da pele no torax. Este estímulo altera o funcionamento desse núcleo e permite o controle dos sintomas.

A conclusão mais importante é pois a de que o diagnóstico da doença não é o fim da vida e que com um tratamento adequado é possível manter uma boa qualidade de vida durante muitos e bons anos. Torna-se assim imprescindível que o doente não se isole com vergonha de si e da sua doença, mas que, pelo contrário, mantenha todas as suas actividades e, se possível, que com o seu exemplo ajude outras pessoas com a mesma doença.

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