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Osteoporose: Os desafios actuais

20 Novembro, 2007 0

A Osteoporose (OP) mudou radicalmente de conceito e de relevância nos últimos vinte anos, evoluindo de uma doença mal compreendida, mal diagnosticada e mal valorizada para uma das mais relevantes doenças em termos de reumatologia em geral e de saúde pública em particular.

Para esta evolução contribuíram decisivamente três ordens de factores:

1) A emergência e massificação de um meio de diagnóstico fácil e prático, a Densitometria Óssea Bifotónica Radiológica (DEXA), que, embora possuindo um significativo conjunto de limitações e constrangimentos técnicos, garante hoje a avaliação do mais relevante factor de risco de OP (a massa óssea), e mediante este a definição operacional (convencionada) do diagnóstico e da graduação de risco de OP;

2) O aparecimento nos últimos anos de sucessivas novidades e inovações terapêuticas que vieram aumentar de forma radical as opções farmacológicas para a abordagem terapêutica da OP, contribuindo para uma mudança total no paradigma da abordagem clínico-terapêutica desta doença. Bifosfonatos (desde a molécula do alendronato de sódio – marco fundamental na revolução da terapêutica da OP -, até às suas evoluções de formulação semanal e com suplemento de vitamina D, passando por novas moléculas como o risedronato e o ibandronato, esta última com a vantagem de se tratar de uma formulação mensal), inibidores selectivos dos receptores de estrogénios (raloxifeno, com vantagens clínicas extravasando para lá dos seus efeitos apenas sobre o metabolismo ósseo), ranelato de estrôncio (com um putativo mecanismo de acção agindo tanto sob a reabsorção como sob a formação óssea), teriparatida (formulação de uso sub-cutâneo, reservada para casos graves e/ou fracturários de OP, situações em que demonstra fantástica eficácia clínica) e uma recente forma de administração anual (em toma única por via EV) de um diferente bifosfonato (zoledronato), vieram sucessivamente enriquecer o nosso arsenal terapêutico da OP e contribuir de forma notável para a mudança da realidade desta patologia;

3) A consciência e demonstração por múltiplos e relevantes estudos e ensaios clínicos da relevância epidemiológica da OP e da sua consequência fundamental – as fracturas -, emergindo como uma patologia de elevados custos e consequências económicas e sociais, urgindo por isso a instituição de adequadas medidas para se reverter esta realidade.

Consolidada esta fase de total revolução no conceito e relevância da OP, persistem actualmente vários desafios, cuja superação se torna fundamental para atingir o desiderato que todos desejam – identificar mais precocemente os doentes em risco de OP, e reduzir de forma significativa a possibilidade de ocorrência da sua consequência mais temível – as fracturas.

É importante saber…

Para tal será desejável que clínicos, população em geral, associações de doentes e os organismos de decisão nesta área se unam procurando activamente que:

– A OP seja uma doença conhecida do público em geral, compreendida na sua essência em termos de identificação e consequência, contribuindo para que a população potencialmente em risco possa recorrer mais precocemente à ajuda médica;

– Os clínicos sejam tecnicamente adequados e competentes na identificação e valorização dos factores de risco da doença, e na solicitação da DEXA para a concretização do diagnóstico e ponderação da atitude terapêutica a tomar;

– As medidas terapêuticas actualmente disponíveis sejam utilizadas de forma consciente e tecnicamente sedimentada e validada, permitindo que todos os doente que delas necessitam as possam iniciar, mas evitando prescrições desajustadas e desnecessárias;

– As novas e relevantes opções terapêuticas possam estar disponíveis para todos os doentes que tenham indicação clínica formal para a sua utilização, possibilitando que sejam critérios de rigor técnico e científico, e não de constrangimento económico, que presidam à escolha das terapêuticas mais excepcionais, e por isso mais relevantes.

Dr. Augusto Faustino

Reumatologista
Presidente da Sociedade Portuguesa de Reumatologia

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