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Osteoporose: A doença que atinge mais mulheres do que homens

13 Junho, 2008 0

A base do sistema locomotor é o esqueleto que é constituído por bem mais de uma centena de ossos. Os ossos são todos diferentes uns dos outros mas a sua constituição é idêntica.

O “osso” (termo genérico que utilizamos para denominar todo o conjunto esquelético) é um tecido conjuntivo especial, formado por células (4 tipos diferentes) e vários tipos de fibras, que estruturam a sua forma.

Entre as células, destacam-se dois tipos: os osteoblastos (células que formam o osso) e os osteoclastos (células que destroem o osso) A saúde e normal vida do “osso” depende do equilíbrio entre as diferentes funções destas duas populações de células. Assim, enquanto os ossos crescem e se reforçam (até aos 20 e poucos anos) a função osteoblástica predomina, quando a massa óssea estabiliza (entre os 20 e os 30 anos) o funcionamento dos osteoblastos e osteoclastos equilibra-se e depois daquela idade, com a sobreposição da actividade osteoblástica, instala-se e mantêm-se a redução progressiva da densidade óssea.

Como se caracteriza a osteoporose?

A densidade do “osso” pode reduzir-se até atingir valores que são insuficientes para manter a sua resistência à fractura.

Quando isso acontece, isto é, quando a resistência do osso se reduz (por diminuir a densidade óssea e por se degradar a microarquitectura do osso) o suficiente para poderem ocorrer fracturas de fragilidade (isto é, fracturas que acontecem como resultado de traumatismos que não provocariam fracturas em ossos normais) então existe osteoporose.

Pelo que já escrevi, percebe-se facilmente que a osteoporose pode resultar de um baixo pico de massa óssea (isto é, o ponto de quantidade óssea máxima que se alcança aos vinte e poucos anos), ou de uma perda rápida e/ou excessiva e/ou prolongada da massa óssea após os trinta anos ou então de ambas as situações associadas.

Proponho que retenha na memória este último parágrafo, porque ele é importante para a compreensão das medidas preventivas e da estratégia terapêutica de que falaremos, na segunda parte deste tema, no jornal do próximo mês.

A osteoporose só por si, não tem importância clínica, porque não se sente e também não provoca qualquer outro sinal e/ou sintoma. O que importa são as suas complicações, ou seja, as fracturas.

A osteoporose atinge todos os ossos do esqueleto que assim podem quebrar com facilidade. Contudo as fracturas osteoporóticas mais frequentes são as que ocorrem no punho (isto é, fractura do rádio distal), da anca (isto é, fractura do fémur proximal) e da coluna dorsal e/ou lombar (isto é, fracturas vertebrais)

Portanto, até ocorrer a primeira fractura, não existem quaisquer sintomas da osteoporose que progride silenciosamente, sem que o doente se aperceba da sua presença e evolução.

Como diagnosticar?

A osteoporose e as fracturas são mais frequentes no sexo feminino numa proporção de três mulheres por cada homem. Esta realidade deve-se a vários factores. Por um lado, o pico da massa óssea é menor na mulher que no homem. Por outro, as mulheres perdem mais “osso” que os homens sobretudo após a menopausa e, além disso, as mulheres vivem, em média, mais oito anos que os homens, pelo que perdem “osso” durante mais tempo.

O diagnóstico de osteoporose pode fazer-se quando já existe pelo menos uma fractura de fragilidade ou através de uma densitrometria óssea. Este exame complementar de diagnóstico, ao contrário do que é prática corrente, não deve ser solicitado indiscriminadamente na mulher após a menopausa e/ou, ainda muito menos, antes desta data.

No próximo número deste jornal, apresentamos as indicações para solicitar este exame bem como as regras para a prevenção e os princípios do tratamento da osteoporose.

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