Novo passo em frente no tratamento do cancro da próstata
Avanço no tratamento
A Comissão Europeia (CE) aprovou recentemente a utilização do docetaxel, um fármaco específico utilizado na quimioterapia, ou seja, usado no tratamento do cancro em fases mais avançadas.
A aprovação por parte da CE baseou-se nos resultados de um estudo, o TAX 327, realizado em 1000 doentes. Foram constituídos dois grupos, um em que foi utilizada a mitoxantrona, fármaco até agora standard no tratamento por quimioterapia deste tumor, e o segundo em que se recorreu ao docetaxel. A conclusão mais relevante do estudo foi o aumento do tempo de vida dos doentes.
«Até aqui, as terapêuticas utilizadas não tinham tradução ao nível da sobrevivência, apenas ao nível da diminuição da dor. Pela primeira vez, conseguiu-se, com este tratamento, aumentar o tempo de vida dos doentes», afirma Sérgio Barroso.
Os doentes tratados com docetaxel sobreviveram em média 18,9 meses, o que corresponde a 24% de redução do risco de morte devido ao tumor. Verificou-se também um aumento de 59% na resposta à dor e uma melhoria dos níveis de PSA de 43%.
Contudo, neste estudo, o tratamento com docetaxel foi mais tóxico do que com a mitoxantrona. «Os efeitos secundários são mais intensos, sendo que entre os mais comuns estão náuseas, fadiga e diarreia», afirma Sérgio Barroso, acrescentando:
«Mas estes efeitos secundários, no seu conjunto, não afectam significativamente a qualidade de vida do paciente, de tal modo que, no estudo, os doentes que fizeram este tratamento tiveram melhor qualidade de vida global.»
O tratamento é administrado de forma simples, sem necessidade de hospitalização, deslocando-se o doente ao hospital apenas de três em três semanas.
«A utilização do docetaxel foi um passo muito importante. Este passou a ser o tratamento standard para o cancro da próstata hormonorresistente, substituindo a mitoxantrona. Podemos agora começar a investigar e a combinar com este vários fármacos e abordagens terapêuticas, para que o tratamento se torne ainda mais eficiente», afirma Sérgio Barroso.
Esta terapêutica já está disponível em Portugal. O docetaxel havia sido aprovado no tratamento de outros tipos de cancro, mas só em Novembro passado a entidade reguladora europeia (EMEA) concedeu a aprovação deste fármaco para a utilização no cancro da próstata resistente à terapêutica hormonal.
Sintomas
– Dor ao urinar;
– Aumento da frequência da necessidade de urinar;
– Fluxo urinário fraco ou intermitente;
– Dificuldade em atingir a erecção;
– Sangue ou sémen na urina;
– Dor ou rigidez a nível da coluna lombar, ancas ou parte superior das coxas.
Estatísticas relacionadas com o cancro da próstata
• O carcinoma da próstata ocupa
o terceiro lugar, a nível mundial, no que respeita a incidência de doenças oncológicas e o sexto lugar em termos de taxa de mortalidade por cancro no sexo masculino.
• Um em cada seis homens tem probabilidade de contrair cancro da próstata, segundo as estatísticas europeias.
• Em Portugal, surgem quatro mil casos por ano, o que representa cerca de 19% do total dos tumores.
• Em termos de mortalidade em Portugal, o cancro da próstata é o segundo tumor responsável pela morte por doença oncológica no homem. Morrem cerca de 1800 homens por ano com cancro da próstata.
• Nos EUA, mais de 230 mil homens terão sido diagnosticados com cancro da próstata em 2004 e cerca de 30 mil virão a falecer da doença.
• Na Europa, as previsões apontam para 138 mil novos casos diagnosticados e 45 mil mortes.
Fases de evolução do cancro e tratamentos
Fase precoce ou inicial:
– Cirurgia;
– Radioterapia externa;
– Radioterapia por implantes ou braquiterapia ou radioterapia intersticial.
Fase mais avançada:
– Terapêutica hormonal.
Fase disseminada (metastizada):
– Quimioterapia.
A necessidade de urinar
O cancro da próstata desenvolve-se na glândula prostática, órgão que circunda a uretra, o canal por onde a urina é expelida. O tumor comprime a uretra, provocando dor na micção e o aumento da frequência da necessidade de urinar.

