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Mitos e verdades acerca do coração

15 Setembro, 2007 0

A marcha, a natação, a frequência de um ginásio em exercícios aeróbicos são actividades saudáveis que se enquadram nos estilos de vida saudável que hoje recomendamos. A actividade desportiva mais intensa, ou mesmo de competição, pode ser praticada por quem nisso faça gosto e para isso tenha preparação, desde que um exame médico rigoroso exclua quaisquer contra-indicações para a actividade pretendida.

As crianças não têm problemas de coração – Mito

Embora as manifestações das doenças do coração de natureza ateroscrerótica surjam em regra na idade adulta, é hoje aceite que estas doenças se podem iniciar muito precocemente, sendo recomendado que desde o nascimento (ou mesmo desde a vida fetal) se tenham em conta medidas de prevenção em relação à obesidade, à hipertensão arterial e à hipercolesterolemia, o que passa essencialmente por medidas de carcter alimentar (aleitamento materno, redução de sal, da ingestão calórica). Por isso se recomenda que as crianças a partir dos dois, três anos, sejam habituadas ao consumo diário de frutos, vegetais, cereais, leguminosas, produtos lácteos de reduzido teor em gordura saturada, bem como peixe e carnes magras, redução de açúcar e sal. Também é reconhecido que as crianças em que as mães tiveram problemas de diabetes, dislipidemia ou hipertensão arterial durante a gravidez, têm maior probabilidade de desenvolver doenças cardiovasculares quando adultos.

Algumas situações genéticas, como as hipercolesterolemias familiares, embora raras, podem fazer com que a doença cardiovascular aterosclerótica seja muito precoce. Hoje em dia, os médicos já estão muito alertados para o despiste e tratamento destas situações.

Um caso de sucesso

Cirurgia correctiva resolve problema de coração da Beatriz

Há pouco mais de um ano, Tatiana Rodrigues e Sérgio Silva estavam radiantes com o nascimento da Beatriz. Vinte e quatro horas depois do parto chegava uma notícia inesperada: a bebé sofria de cardiopatia congénita. Isto significa que tinha uma má formação no coração com uma dupla saída do ventrículo direito. “O pulmão recebia muito mais sangue do que o necessário, provocando mais esforço, mais cansaço e ela poderia ficar roxa à volta dos lábios”, explicam.

Após o nascimento, a pediatra do Hospital de São Francisco Xavier alertou os pais para o facto de a bebé ter “um sopro mais elevado do que o normal”. Ficaram em pânico pois o “médico avisou-nos que ela poderia ficar roxa e com falta de ar. No entanto, o tempo foi passando e o caso clinico foi sempre estável e a Beatriz mantinha as saturações de oxigénio nos valores normais”, afirmam.

Primeiros dois meses de vida passados em casa

Por precaução, nos primeiros dois meses, os pais não saíram de casa com a Beatriz com medo que ela se constipasse. Um pouco mais tarde, verificou-se que “a situação era estável e conseguimos começar a ter uma vida relativamente normal, mas tínhamos de evitar frequentar centros comerciais, ambientes com fumo e o contacto com crianças que estivessem constipadas”.

O último ano foi vivido “em desespero pois a Beatriz tinha de aumentar de peso para poder ser operada”. No passado mês de Abril, chegou a altura de realizar a operação. “A cirurgia correctiva de peito aberto durou perto de cinco horas, não havia possibilidade de ser feito cateterismo, e era a única maneira de corrigir o problema”. O pós-operatório foi mais demorado pois a Beatriz desenvolveu um derrame na pleura que aumentou sem explicação e passado três dias “já tinha enchido todo o pulmão direito. No quarto dia, foi drenada, a partir daí começou a recuperar e cinco dias depois teve alta”.

Passado o susto, a Beatriz já pode ter uma vida praticamente normal. No entanto, “temos de ter cuidado ao pegar ao colo e não se pode constipar. Temos de ir regularmente a consultas de cardiolgia e este ano também não é aconselhável que a cicatriz apanhe sol”. Os pais sentem finalmente que o problema foi ultrapassado. “Apesar de ser uma angústia constante, a medicina está muito evoluída e os médicos traquilizam-nos com a experiência que têm neste tipo de cirurgias”, concluem.

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