Hipertensão
Assim, neste contexto, a remodelagem cardíaca, constituída pelas modificações miocárdicas que ocorrem a nível molecular e celular, quer nos miócitos quer no interstício, surge como resposta de adaptação estrutural à sobrecarga de pressão crónica imposta ao coração, tentando assim preservar a manutenção da eficiência mecânica do ventrículo esquerdo. Estas adaptações manifestam-se clinicamente por alterações no tamanho, na massa, na geometria e na função do coração.
A hipertrofia ventricular esquerda é um fenómeno cuja importância como factor de risco cardiovascular é conhecida desde os finais da década de 60. Ao longo das últimas décadas, a sua relação com o aumento da probabilidade de morte prematura e/ou de ocorrência de eventos cardiovasculares adversos tem sido sistematicamente comprovada em diferentes amostras populacionais, quer de normotensos quer de hipertensos.
Com o passar do tempo, um coração hipertrofiado fica mais rígido e acaba por apresentar uma contractilidade diminuída o que ao comprometer a sua função de bomba conduz ao quadro de insuficiência cardíaca.
Em resumo, a insuficiência cardíaca é um processo dinâmico que envolve a contínua reorganização estrutural e funcional do coração – remodelagem cardíaca – em resposta a diversos estímulos e a agressões (stresses mecânicos, hormonas, neurotransmissores e factores de crescimento). Uma das patologias que mais frequentemente conduzem a este quadro é sem dúvida a hipertensão arterial não tratada.
As principais causas de insuficiência cardíaca são:
1) as doenças que alteram a contractilidade do miocárdio,
2) as doenças que exigem um esforço maior ao músculo cardíaco (por sobrecarga de pressão ou por sobrecarga de volume) e,
3) as doenças que perturbam o enchimento cardíaco.
Prof. Luís Martins,
MDPhd,
Presidente da Sociedade Portuguesa de Hipertensão,
Director do Serviço de Cardiologia do Hospital S Sebastião e
Director da Faculdade das Ciências da Saúde,
Universidade Fernando Pessoa
Saúde em Revista
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