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Glaucoma: Quando as células do nervo óptico morrem

26 Setembro, 2007 0

A função visual representa um curioso problema: porque a luz que nos rodeia necessita entrar no globo ocular e chegar focada à retina, o olho é o nosso único órgão que necessita, para funcionar, de porções transparentes: a córnea e o cristalino.

Ora, como vamos conseguir alimentar estes tecidos? Eles não podem ter artérias e veias, neles não pode circular sangue, tudo isso é opaco à luz… Para isso, o olho segrega no seu interior, um líquido transparente, que nutre a córnea e o cristalino, e que, após cumprir a sua função, é drenado para fora do olho através de uma fina malha filtrante, designada rede trabecular.

No glaucoma, este processo falha. O humor aquoso não é drenado, e acumula-se no interior do olho. Em consequência, a pressão ocular começa, mais ou menos rapidamente, a subir. Este aumento da pressão intra-ocular impede que o sangue – aqui sim – atinja os milhares de células nervosas do nervo óptico que, mais atrás, levam as imagens ao cérebro.

Sem oxigénio e nutrientes, estas células deixam de funcionar, e em consequência, começam a surgir zonas cegas no campo visual: primeiro na visão mais periférica, depois lentamente atingindo a visão central. Por fim, no curso final da doença não controlada, estas últimas e mais resistentes células da visão central podem morrer, e a cegueira pode ocorrer.

Quadros clínicos

O glaucoma não é uma doença única, antes apresenta diversos quadros clínicos de diferente incidência e frequência: o glaucoma de ângulo aberto, o mais frequente entre nós; o glaucoma de ângulo estreito, menos comum mas que pode conduzir a crises agudas responsáveis por rápidas perdas de visão; e o glaucoma congénito, menos frequente, mas grave pela limitação visual que pode impor, logo à nascença, para toda uma vida.

Independentemente da forma de apresentação, o glaucoma representa, de forma global, uma das três maiores causas de cegueira, juntamente com a diabetes ocular e a degenerescência macular associada à idade. Para além disso, mesmo os doentes com glaucoma controlado podem ter outro tipo de limitações visuais: na visão periférica, na sensibilidade ao contraste, na visão das cores.

Diagnóstico

O diagnóstico do glaucoma passa, em primeiro lugar, pela avaliação da pressão intra-ocular. Tão importante como esta, é o exame do fundo do olho – a oftalmoscopia – e o estudo dos campos visuais. Actualmente, o diagnóstico do glaucoma é auxiliado por aparelhos sofisticados que calculam o número de fibras nervosas perdidas pelos vários sectores do nervo óptico.

Quem está em maior risco de contrair glaucoma? Como se trata de uma doença cuja incidência aumenta com a idade, é sensato consultar o oftalmologista quando se passa os 40 anos; tendo familiares com glaucoma, o risco aumenta e a vigilância deve iniciar-se mais cedo.

Apesar da maior parte dos glaucomas poder ser controlada com medicamentos locais (colírios), um grande número de doentes requer tratamento com laser e sobretudo com cirurgia, quando falham as hipóteses anteriores.

Os serviços hospitalares e as instituições privadas de Oftalmologia têm feito um significativo esforço de melhoria, em termos de equipamento e qualidade assistencial. Ainda que muito possa ser melhorado, acreditamos que os portugueses têm ao ser dispor, a diferentes níveis, os meios para o diagnóstico e tratamento actualizado desta doença, que mesmo assim, continua a incapacitar, em termos visuais, milhões de pessoas em todo o mundo.

Dr. A. Rodrigues Figueiredo
Departamento Glaucoma
Hospital de Santa Maria

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