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Famílias e hospitais não estão preparados

1 Março, 2005 0

A osteoporose tem consequências graves não só para quem sofre desta patologia. Tem também implicações na vida familiar, hospitalar e na própria sociedade.

Os doentes que sofrem fracturas osteoporóticas têm uma grande representatividade nos Serviços de Ortopedia.
«É quase epidémico. Dos doentes que são internados nos Serviços de Ortopedia, de um terço a metade correspondem a fracturas osteoporóticas», refere o director do Serviço de Ortopedia do Hospital de Santa Maria, Prof. Jacinto Monteiro.
Este facto tem consequências muito importantes não só a nível individual, mas também familiar, social e hospitalar. As fracturas osteoporóticas têm uma recuperação muito lenta e as vítimas são, normalmente, mulheres com mais de 65/70 anos – as principais afectadas pela osteoporose.

Acontece que a fractura, em especial a do colo do fémur, implica, na maioria das vezes, uma intervenção cirúrgica. Este tipo de fractura pode ser causado por uma queda, «mas qualquer pequeno traumatismo ou acidente de baixo impacto pode causar uma fractura», de acordo com o médico supracitado.

«Os doentes que recuperam de uma fractura osteoporótica perdem qualidade de vida, na medida em que passam a depender dos outros. E, na maior parte dos casos, as famílias não têm condições para cuidar dos seus idosos», afirma Jacinto Monteiro.

Por seu lado, os hospitais também não têm condições para prestar Cuidados Continuados durante muito tempo.

«A função do hospital é curar e tratar o mais rapidamente possível, não é asilar.
O que acontece é que há uma grande falta de infra-estruturas para prestar todo o apoio que estes idosos necessitam, tanto da parte dos hospitais, como das instituições de solidariedade social, como da própria família», acrescenta o especialista.

A Dr.ª Ana Maximiano, assistente social do Serviço Social do Hospital de Santa Maria, corrobora esta opinião:

«As fracturas osteoporóticas causam dependência física e não há recursos suficientes na comunidade para dar apoio aos doentes. A família não está preparada e os serviços de apoio domiciliário, apesar de darem as respostas adequadas, estão saturados. Há ainda alguns casos de doentes que ficam internados no hospital mais tempo do que o necessário, por falta de apoios em casa ou/e institucionais, quer públicos, quer privados.»

O cenário tende a agravar-se, sobretudo porque há «um envelhecimento populacional e um aumento de casos de fracturas osteoporóticas, e a sociedade não está preparada para lidar com este acréscimo», alerta Jacinto Monteiro, frisando:

«É penoso ser idoso em Portugal.
A sociedade vê-o como um peso morto, um fardo, alguém que já deu o que tinha a dar. Há que haver uma consciencialização dos poderes públicos e da sociedade civil. Deve haver um trabalho social e uma mobilização através, por exemplo, do voluntariado nos hospitais e nas instituições sociais. É preciso humanizar os tratamentos. Os idosos também precisam de mimos.»

Ainda de acordo com o director do Serviço de Ortopedia do Hospital de Santa Maria, «deve haver um esforço no sentido de prevenir a osteoporose. Deve, igualmente, haver uma educação para a saúde, para a prática de exercício físico, assim como para o equilíbrio alimentar, incluindo as questões relativas ao tabaco e ao álcool».

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