Voz: Diagnóstico e tratamento multidisciplinar
A quem se destina o laboratório
O laboratório destina-se a “avaliar qualquer pessoa com disturbios vocais, que não se identifique ou não goste da voz que tem.” Obviamente pelo detalhe com que estuda a voz está muito direccionado para certos grupos profissionais como: cantores, actores, professores, advogados, telefonistas, operadores de call center e até de jornalistas.
Ou seja, “destina-se a todos os profissionais que dependam da sua voz para trabalhar”, acrescenta Maria Caçador. Além dos cantores e actores, os professores sofrem, frequentemente, de afecções da voz que resultam do seu esforço para se fazerem ouvir ou para impôr disciplina, em salas deaulas com uma acústica insuficiente, explica a especialista.
Doenças da voz
Qualquer pessoa com rouquidão com a duração de mais de duas semanas, especialmente se fumador, deve ser observada. “A rouquidão pode ter várias causas. Pode resultar de lesões benignas, como nódulos,pólipos, quistos, mas também pode ser o primeiro sinal de um tumor” explica Maria Caçador. “O sucesso no tratamento destes tumores depende predominantemente da precocidade com que são diagnosticados e tratados.”
De acordo com a especialista, é ainda importante que as pessoas tenham cuidados de higiene vocal, para poderem prevenir algumas afecções da voz. Sugere que “deve beber-se muita água, evitar o esforço vocal e reduzir a ingestão de álcool, para não haver agressões das cordas vocais”.
Reabilitação específica
Os casos clínicos diferem de doente para doente. Segundo a otorrinolaringologista “Deve ser feita uma abordagem individualizada que pode passar por terapêutica médica, terapia da fala ou cirurgia. Além disso, o sucesso no tratamento destas alterações depende muito da motivação do doente.”
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Conhecimentos sobre a voz
“Nos últimos anos tem havido bastantes avanços nos conhecimentos da anatomia, histologia e fisiologia da voz (onde e como é produzida, quais as leis da física a que obedece, etc) o que levou ao desenvolvimento de novas técnicas de observação e diagnóstico” refere Maria Caçador.
A especialista salienta que são escassos os laboratórios europeus especializados em voz, porque, segundo afirma, implicam um investimento considerável em termos de tecnologia e uma dedicação particular por parte dos profissionais envolvidos.
Formação em voz para profissionais do canto
A equipa do laboratório de voz do Hospitalcuf Infante Santo vai participar no curso subordinado ao tema “A Saúde e o Canto” organizado pela Universidade Católica de Lisboa, de 15 a 18 de Abril. Na óptica de Maria Caçador, existem lacunas de formação por parte dos profissionais de canto, no que diz respeito ao conhecimento da anatomia e funcionamento do aparelho fonatório e das normas e comportamentos a respeitar para não prejudicar as cordas vocais. Encara os cantores “como atletas de alta competição que precisam de um treinador e um médico ao seu lado, para maximizarem a sua performance”.
Os cantores são um grupo muito especial dentro dos profissionais de voz, pois para além de outras razões, são submetidos a esforços intensos e a situações de stress, sofrendo frequentemente de rouquidão, alterações vocais ou alterações do timbre, que podem prejudicar gravemente a sua actividade, conclui.

