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Torcicolo: Pescoço fora de sítio

10 Outubro, 2009 0

É fora de sítio que fica o pescoço quando se tem um torcicolo. A rigidez dos músculos causa dor e inviabiliza o movimento, mas a situação é quase sempre benigna e passageira.

À letra, com base nas raízes latinas, a palavra torcicolo significa precisamente aquilo que é: pescoço torcido. E o pescoço fica assim em consequência de uma contractura muscular, na maioria das vezes envolvendo o esternocleidomastóideo, o músculo imortalizado por Vasco Santana no filme “A canção de Lisboa”.

É o principal músculo lateroflexor do pescoço e o único constituinte do grupo anterolateral (dos músculos do pescoço), assumindo essa designação devido às inserções que apresenta através dos seus tendões a três níveis (ossos) distintos: o Esterno, Clavícula e o Temporal (porção Mastoideia), respectivamente.

Por funcionar como um eixo, qualquer lesão que o afecte acaba por repercutir-se na mobilidade do pescoço. É o que acontece num torcicolo: o pescoço assume um posicionamento característico, ligeiramente rodado e inclinado para um lado, para a frente ou para trás.

Além da rigidez, dor e espasmos musculares caracterizam o torcicolo, cujas causas abrangem um vasto leque.

Tanto pode ser um movimento brusco como uma noite mal dormida, uma posição incorrecta no sofá ou à mesa, um esforço excessivo ou um golpe de frio. Mas também pode ter subjacente uma patologia: lesão cerebral ou da espinal-medula, tumor, toxinas, hipertiroidismo.

Alguns autores identificam na criança infecções das vias respiratórias superiores – amigdalite, faringite, otite, linfadenite cervical (inflamação de gânglios do pescoço), abcesso retrofaríngeo – como podendo estar na origem de um torcicolo agudo.

Estes são os chamados torcicolos adquiridos, mas há-os também congénitos, o que significa que estão presentes à nascença. São situações em que o bebé apresenta fibrose e encurtamento do músculo esternocleidomastóideo, o que poderá estar associado a uma má posição fetal ou a traumatismo durante o parto.

Certo é que as causas deste tipo de torcicolo ainda não estão completamente esclarecidas. No pescoço destes bebés é visível à nascença ou pouco depois (semanas ou meses, no máximo) uma massa muscular palpável.

Tende a desaparecer antes do primeiro ano, mas é conveniente iniciar quanto antes o tratamento, à base de fisioterapia – o objectivo é mobilizar o pescoço e a cabeça no sentido oposto ao da deformidade. Em casos raros pode ser necessário recorrer à cirurgia.

Quando o pescoço assume uma posição torcida é normal que haja dor, que tanto pode surgir espontaneamente como declarar-se após um movimento da cabeça. Contudo, forçar o pescoço a recuperar a sua posição central é uma atitude contraproducente, que pode acentuar ainda mais a dor.

O que é preciso é repousar, aplicando calor sobre a zona dorida e aplicando uma pomada anti-inflamatória, que ajuda a controlar a inflamação dos músculos. Aqui a suavidade é a palavra de ordem. Quando a dor é muito intensa pode encontrar-se alívio num analgésico. Em regra, e com estes cuidados, um torcicolo agudo desaparece ao fim de 48 a 72 horas. Se assim não acontecer há que consultar o médico.

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