Tem medo de falar em público?
Há, porém, casos em que a comunicação “é tão artificial que parece plástico”. Se os responsáveis por empresas não possuem o dom da palavra, o ideal é eleger um porta-voz. “Há uns anos atrás, alguns empresários derrubaram a imagem pública porque não conseguiram comunicar convenientemente”, conta.
O que fazer antes de uma apresentação pública?
> Dormir bem, para não se apresentar com um ar cansado;
> Ingerir alimentos ricos em hidratos de carbono;
> Evitar bebidas frescas e quentes, sob pena de prejudicarem as cordas vocais;
> Empregar alguns exercícios de aquecimento da voz.
> Evitar usar roupas com cores muito berrantes ou com brilho;
> Preparar convenientemente o discurso. Convém fazer-se acompanhar de uma “cábula”, para mostrar que houve uma preparação prévia, mesmo que saiba de cor o que vai dizer.
Sala cheia. Este é cenário de muitos colóquios ou mesmo reuniões de negócios. Saber falar é uma virtude, mas a comunicação verbal, aqui, pode não ser a única arma para veicular uma mensagem. Os gestos também contam. É por isso que a kinésia – ciência que estuda a linguagem do corpo – se encarrega de determinar o que pode ser feito ou evitado para conquistar o público, na hora de falar a solo.
“A associação da voz e dos gestos é que nos permite transmitir determinada mensagem. É através desta ligação que se demonstra se uma pessoa é agressiva, simpática ou mesmo autoritária”, diz Nuno Miguel Henriques, especialista em técnica vocal, comunicação e protocolo.
Saber falar em público, com firmeza e clareza, está, em certa medida, associado ao sucesso pessoal e empresarial. Não é preciso ser um retórico nato como Sócrates, na Antiguidade. O treino é a chave para ser um comunicador exímio. “Existem técnicas que ajudam na comunicação em público.
A respiração é a base para se conseguir colocar a voz, transmitir adequadamente a mensagem e, simultaneamente, credibilidade ao discurso”, salienta.
O discurso tem, no entanto, de ser adaptado ao contexto e circunstância. Na hora de se preparar, deve ter em mente cinco questões essenciais: para quem, onde, como, o quê e porquê? Só deste modo se pode ajustar a comunicação ao público-alvo e passar a mensagem.
A comunicação em público obedece, ainda, a algumas regras, que, tanto quanto possível, devem ser respeitadas para não produzir “ruído”. “A monotonia e o tom monocórdico causam aborrecimento na plateia, pelo que se deve imprimir ritmo e velocidade ao discurso. As palavras não podem ser pronunciadas da mesma maneira.
Tem de se perceber o valor de cada uma delas, de modo a passar a ideia correcta ao receptor.”
Prova da oralidade
A retórica e a oratória são um trunfo já de longa data. Na Antiguidade Clássica, os gregos usavam a palavra como a arma mais poderosa. Contudo, como lamenta Nuno Miguel Henriques, hoje em dia, cerca de 90% das pessoas inibem-se de falar em público. “Há factores naturais, como a timidez. Mas a falta de uma disciplina nas escolas e universidades também justifica, em parte, esta fobia“, esclarece.

