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Soluços: …e que tal um susto?

8 Outubro, 2014 0

Quem nunca corou perante um ataque súbito e imparável de soluços no meio de uma pequena ou grande multidão? Embaraçoso, sem dúvida. Se persistentes e recorrentes, a consulta médica é recomendável. Mas na maioria dos casos, os soluços são inofensivos.

Quantas conversas sérias, reprimendas a crianças, decisões importantes ou discursos foram perturbados por sons curtos, irritantes, incessantes e indisfarçáveis chamados soluços? Ao menos têm o dom de normalmente desencadear na audiência uma sequência de gargalhadas, seja a situação mais ou menos solene… Mas o embaraço é inevitável, sobretudo porque os soluços são incontroláveis. E normalmente os truques – inúmeros – utilizados não são eficazes, permanecendo aquela sensação de “bobo da corte”…

Não sendo propriamente um problema de saúde, os soluços resultam de um estímulo involuntário dos músculos relacionados com a respiração, quase sempre o diafragma, aquela “linha” que divide o tórax e o abdómen. As contracções do diafragma e dos músculos intercostais aceleram a inspiração com o fecho súbito da glote e geram uma respiração rápida e curta, não sincronizada com o ciclo respiratório e com um ruído característico devido ao encerramento das cordas vocais.

Não havendo uma causa específica, há situações que favorecem a ocorrência de soluços: a ingestão de bebidas alcoólicas ou com gás ou de alimentos em excesso, mudanças súbitas de temperatura, situações de stress ou excitação. As próprias gargalhadas são meio caminho para os soluços…

Parar os soluços passa por conseguir interromper o ciclo respiratório, sustendo a respiração até que o seu ritmo volte ao normal. Outras estratégias consistem, por exemplo, em respirar para dentro de um saco, o que permite aumentar a concentração de dióxido de carbono no sangue e, assim, eliminar os soluços. Beber rapidamente um copo de água, sem respirar e de uma só vez, engolir pão seco aos bocados ou gelo triturado também costuma funcionar. Estas últimas manobras estimulam o nervo vago, um dos que controla a respiração e o diafragma ao nível do cérebro.

Na maior parte das situações, os soluços são de curta duração, não prejudicando a normalidade respiratória, mas há crises de soluços que podem permanecer por horas ou mesmo dias, indiciando um problema de saúde mais sério. Estes casos estão associados a causas metabólicas e neurológicas, podendo reflectir a presença de um traumatismo, acidente vascular cerebral ou mesmo um tumor cerebral. A insuficiência renal com altos níveis de ureia no sangue ou uma diminuição de dióxido de carbono no sangue podem igualmente desencadear soluços, tal como uma introdução acidental de objectos no ouvido.

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Por isso, os soluços impõem uma consulta médica, sempre que sejam persistentes e recorrentes. Mas, felizmente, na maioria das vezes, são absolutamente inofensivos…

A favor dos soluços

• Distensão gástrica causada pela ingestão de bebidas com gás

• Entrada no estômago de ar ou alimentos em grande volume

• Mudanças súbitas de temperaturas dos alimentos ingeridos ou mesmo da pele

• Ingestão de álcool

• Emoções: stress, excitação, gargalhadas

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