Atolado em trabalho? Se os compromissos laborais não lhe dão um momento de descanso, saiba o que fazer para escapar ao fenómeno de burnout.
É comum assistir-se, nos momentos de maior aperto laboral, a excessivas maratonas de trabalho. Os horários de expediente estendem-se em função de uma única meta: cumprir prazos. E, em razão deste objectivo, não há mãos a medir na hora de honrar os compromissos de trabalho. O problema surge quando estas intensas jornadas, em vez de excepção, se transformam em regra.
Como explica Maria José Chambel, coordenadora do núcleo de Psicologia das Organizações da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Lisboa, “por norma, os funcionários deveriam cumprir um horário de sete a oito horas diárias”. O resto do tempo, diz, “seria aproveitado para uma recuperação laboral”. Mas, face às exigências actuais, o horário pós-laboral, destinado a momentos de lazer, converte-se “numa espécie de apêndice”. E, deste modo, salienta a psicóloga, “torna-se difícil de delinear a fronteira entre “o trabalho e o lazer”.
Segundo afirma, alguns estudos realizados com gestores e quadros diferenciados indicaram que uma parte destes profissionais chegava a atingir uma jornada de trabalho de 50 a 60 horassemanais. E o que justifica tal comportamento?
“Hoje em dia, há uma tendência para se passar mais tempo nos locais de trabalho. Com a introdução das novas tecnologias e a implementação de regimes de isenção horária, os funcionários, apesar de usufruírem de uma maior flexibilidade, acabam por se entregar mais horas ao trabalho, em casa ou no escritório.”
Um estudo realizado recentemente por Maria José Chambel, que envolveu 10 países da Europa, concluiu que as profissões associadas a uma maior flexibilidade de horário apareciam ligadas a mais tempo de trabalho. “Esta estratégia, cujo objectivo foi facilitar a vida dos trabalhadores, passou a ter um efeito perverso e contrário”.
Por todas estas razões, “os funcionários acabam por não desfrutar do período de recuperação diário”. E o que acontece é que reservam o fim-de-semana para carregar baterias e repor as energias dispendidas ao longo da semana. Mas, embora haja casos em que o fim-de-semana é aproveitado para concluir algumas tarefas laborais, “o facto de, neste período não se obedecer a horários rígidos, vai permitir alguma recuperação”.
Síndrome do Burnout
O trabalho, na perspectiva de Maria José Chambel, deve ser encarado com conta, peso e medida. “A excessiva carga laboral pode originar uma sensação de exaustão, porque a pessoa sente que os seus recursos físicos e psicológicos se esgotaram.
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Para tentar ultrapassar esta situação, desenvolve-se uma atitude de desinvestimento e afastamento do seu trabalho, a qual se designa por ‘cinismo’. É a presença desta sensação de exaustão, acompanhada deste cinismo que se designa por burnout.” Este fenómeno, traduzido por desgaste completo”, foi descrito pela primeira vez, em 1974, por um psiquiatra americano: Herbert Freudenberger. Nas suas experiências, verificou que a classe médica, sujeita a turnos prolongados, manifestava alguns sinais de irritabilidade e stresse laboral. “Perante o excesso de trabalho, os funcionários tendem a fazer um esforço adicional para cumprirem os prazos, nem que para isso prescindam do seu tempo de recuperação. A questãoé que o tempo é um recurso finito e, uma vez gasto, não é possível voltar atrás e gozar o momento perdido.”
É, então, face ao trabalho acumulado que se “geram quadros de stresse e ansiedade”. O funcionário, “quando confrontado com timings apertados” tende a “realizar o trabalho com menos qualidadedo que a desejada”, o que lhe “cria alguma angústia”. Esta conjugação de factores, a longo prazo, desagua “no esgotamento de recursos físicos e emocionais”. Daí que a sensação de exaustão “seja subjacente ao burnout”, continua a psicóloga.
Um dos sinais de burnout “é o distanciamento ao trabalho”. Esta indiferença é a solução encontrada para contornar o estado de exaustão é “afastar-se de algo que favorece o esgotamento de recursos”. Mas não só. “Esta situação acaba por se traduzir na ineficácia laboral”, porque os trabalhadores deixam-se abater pela apatia e não imprimem a qualidade necessária no trabalho.”
Alguns estudos relacionam a ausência de tempo de recuperação com o stresse exacerbado. “Se acumularmos cansaço ao longo de dias ou semanas, vai ser mais difícil quebrar o ciclo de exaustão e restabelecer as reservas energéticas.” Com a chegada do fim-de-semana, eis que surge o momento de abrandar o ritmo frenético da jornada de trabalho.
Segunda-feira “negra”
Findo o domingo, aproxima-se a hora de começar uma nova rotina de trabalho. “Existem pessoas que descrevem angústia e falta de energia, mal termina o fim-de-semana”, completa a psicóloga, admitindo que, para a grande maioria, “a segunda-feira é um dia difícil”.
Nos países anglo-saxónicos, este dia da semana foi baptizado por “blue Monday”. E tal designação não aparece por acaso. É, pois, ao domingo e à segunda-feira que se faz o “ritual” de preparação mental para a semana que se segue, motivo pelo qual “os trabalhadores são assolados pela falta de vigor”, afirma Maria José Chambel. E acrescenta que, em alguns casos, “os funcionários chegam mesmo a apresentar uma baixa produtividade”.
Há países, como na vizinha Espanha, que utilizam estratégias para “prolongar o período de descanso”. À sexta-feira, os funcionários “despedem-se” do trabalho mais cedo. Mas, em contrapartida, condensam as suas tarefas nos restantes dias, em prol de mais umas horas de descanso ao fim-de-semana. “Os estudos existentes nesta matéria são peremptórios: se o período de descanso for bem aproveitado, o bem-estar e a performance laboral ao longo da semana serão superiores.”
É comum assistir-se, nos momentos de maior aperto laboral, a excessivas maratonas de trabalho. Os horários de expediente estendem-se em função de uma única meta: cumprir prazos. E, em razão deste objectivo, não há mãos a medir na hora de honrar os compromissos de trabalho. O problema surge quando estas intensas jornadas, em vez de excepção, se transformam em regra.
Como explica Maria José Chambel, coordenadora do núcleo de Psicologia das Organizações da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Lisboa, “por norma, os funcionários deveriam cumprir um horário de sete a oito horas diárias”. O resto do tempo, diz, “seria aproveitado para uma recuperação laboral”. Mas, face às exigências actuais, o horário pós-laboral, destinado a momentos de lazer, converte-se “numa espécie de apêndice“. E, deste modo, salienta a psicóloga, “torna-se difícil de delinear a fronteira entre “o trabalho e o lazer”.
Segundo afirma, alguns estudos realizados com gestores e quadros diferenciados indicaram que uma parte destes profissionais chegava a atingir uma jornada de trabalho de 50 a 60 horassemanais. E o que justifica tal comportamento?
“Hoje em dia, há uma tendência para se passar mais tempo nos locais de trabalho. Com a introdução das novas tecnologias e a implementação de regimes de isenção horária, os funcionários, apesar de usufruírem de uma maior flexibilidade, acabam por se entregar mais horas ao trabalho, em casa ou no escritório.”
Um estudo realizado recentemente por Maria José Chambel, que envolveu 10 países da Europa, concluiu que as profissões associadas a uma maior flexibilidade de horário apareciam ligadas a mais tempo de trabalho. “Esta estratégia, cujo objectivo foi facilitar a vida dos trabalhadores, passou a ter um efeito perverso e contrário”.
Por todas estas razões, “os funcionários acabam por não desfrutar do período de recuperação diário”. E o que acontece é que reservam o fim-de-semana para carregar baterias e repor as energias dispendidas ao longo da semana. Mas, embora haja casos em que o fim-de-semana é aproveitado para concluir algumas tarefas laborais, “o facto de, neste período não se obedecer a horários rígidos, vai permitir alguma recuperação”.
Síndrome do Burnout
O trabalho, na perspectiva de Maria José Chambel, deve ser encarado com conta, peso e medida. “A excessiva carga laboral pode originar uma sensação de exaustão, porque a pessoa sente que os seus recursos físicos e psicológicos se esgotaram.
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Para tentar ultrapassar esta situação, desenvolve-se uma atitude de desinvestimento e afastamento do seu trabalho, a qual se designa por ‘cinismo’. É a presença desta sensação de exaustão, acompanhada deste cinismo que se designa por burnout.” Este fenómeno, traduzido por desgaste completo”, foi descrito pela primeira vez, em 1974, por um psiquiatra americano: Herbert Freudenberger. Nas suas experiências, verificou que a classe médica, sujeita a turnos prolongados, manifestava alguns sinais de irritabilidade e stresse laboral. “Perante o excesso de trabalho, os funcionários tendem a fazer um esforço adicional para cumprirem os prazos, nem que para isso prescindam do seu tempo de recuperação. A questãoé que o tempo é um recurso finito e, uma vez gasto, não é possível voltar atrás e gozar o momento perdido.”
É, então, face ao trabalho acumulado que se “geram quadros de stresse e ansiedade“. O funcionário, “quando confrontado com timings apertados” tende a “realizar o trabalho com menos qualidadedo que a desejada”, o que lhe “cria alguma angústia“. Esta conjugação de factores, a longo prazo, desagua “no esgotamento de recursos físicos e emocionais”. Daí que a sensação de exaustão “seja subjacente ao burnout”, continua a psicóloga.
Um dos sinais de burnout “é o distanciamento ao trabalho”. Esta indiferença é a solução encontrada para contornar o estado de exaustão é “afastar-se de algo que favorece o esgotamento de recursos”. Mas não só. “Esta situação acaba por se traduzir na ineficácia laboral”, porque os trabalhadores deixam-se abater pela apatia e não imprimem a qualidade necessária no trabalho.”
Alguns estudos relacionam a ausência de tempo de recuperação com o stresse exacerbado. “Se acumularmos cansaço ao longo de dias ou semanas, vai ser mais difícil quebrar o ciclo de exaustão e restabelecer as reservas energéticas.” Com a chegada do fim-de-semana, eis que surge o momento de abrandar o ritmo frenético da jornada de trabalho.
Segunda-feira “negra”
Findo o domingo, aproxima-se a hora de começar uma nova rotina de trabalho. “Existem pessoas que descrevem angústia e falta de energia, mal termina o fim-de-semana”, completa a psicóloga, admitindo que, para a grande maioria, “a segunda-feira é um dia difícil”.
Nos países anglo-saxónicos, este dia da semana foi baptizado por “blue Monday”. E tal designação não aparece por acaso. É, pois, ao domingo e à segunda-feira que se faz o “ritual” de preparação mental para a semana que se segue, motivo pelo qual “os trabalhadores são assolados pela falta de vigor”, afirma Maria José Chambel. E acrescenta que, em alguns casos, “os funcionários chegam mesmo a apresentar uma baixa produtividade”.
Há países, como na vizinha Espanha, que utilizam estratégias para “prolongar o período de descanso”. À sexta-feira, os funcionários “despedem-se” do trabalho mais cedo. Mas, em contrapartida, condensam as suas tarefas nos restantes dias, em prol de mais umas horas de descanso ao fim-de-semana. “Os estudos existentes nesta matéria são peremptórios: se o período de descanso for bem aproveitado, o bem-estar e a performance laboral ao longo da semana serão superiores.”