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Lombalgias: Carregar a dor às costas

As lombalgias “mecânicas” consistem em episódios de dor ligados ao funcionamento da própria coluna e estão associadas a 80%-85% dos casos. As estatísticas indicam que, pelo menos uma vez na vida, todos os seres humanos irão ter uma queixa na coluna vertebral. Que mal é este que ataca as costas sem dó nem piedade?

Uma dor aguda ou sensação de picadas nas costas são alguns dos primeiros sinais de alerta para um dos males que, cada vez mais, atinge as sociedades actuais: as lombalgias. Tipicamente conhecidas por dores nas costas, as lombalgias não atacam somente a região lombar. “Pode haver manifestações de dor que se estendem da parte dorsal ou lateral da perna até ao pequeno dedo dos pés”, explica Jan Cabri, professor associado convidado da Faculdade de Motricidade Humana (FMH).

As lombalgias “comuns” são, também, designadas por “mecânicas”. Estas consistem em episódios de dor ligados ao funcionamento da própria coluna e estão associadas a 80%-85% dos casos. Fora deste número ficam as lombalgias provocadas por uma doença sistémica ou grave. “A primeira missão de um profissional de saúde é detectar se as queixas são ou não derivadas de uma patologia primária”, completa.

Por norma, os episódios de dor aparecem e desaparecem sem aviso prévio. “O desenvolvimento deste problema musculoesquelético na região lombar é marcado por altos e baixos. O importante é saber qual a frequência da dor”, salienta. Segundo avança o especialista, “quanto mais cedo ocorrer o primeiro ataque, menor vão ser os intervalos de dor e maior a frequência durante a vida”.

E de onde vem esta dor à qual não se pode virar as costas? Já nos anos 90 se acendeu o debate sobre esta questão. Os especialistas tentaram descortinar as razões que empurravam milhares de pessoas para as urgências hospitalares.

“Hoje em dia, as razões estão relativamente claras. Sabe-se que as dores mecânicas nem sempre têm uma causalidade anatómica ou estrutural. 80% das lombalgias devem-se a razões psicossociais, nomeadamente o stresse ou a depressão.”

A pressão elevada, causada por uma posição estática ou pelo stresse, avoluma os episódios de dor. Mas, como refere o fisiologista, a primeira causa das lombalgias é a inactividade física. “Há dados que apontam a falta de exercício como o principal factor de risco. Um estudo de 1995 mostrou que os atletas de alta competição, 25 anos após a prática de exercício regular, tinham um risco inferior de lombalgias, comparativamente com a população sedentária.”

 

Postura incorrecta

Hoje em dia, estar sentado ao computador um dia inteiro é, praticamente, uma fatalidade. Os empregos assim obrigam e, por mais confortável que se esteja, a verdade é que acabamos por ter uma postura incorrecta.

Consequência: é exercida uma pressão mais elevada sobre a coluna e isso reflecte-se em episódios de dor no final de um dia de trabalho.

[Continua na página seguinte]

“A legislação europeia, elaborada há 25 anos, diz claramente que, em cada 50 minutos, os trabalhadores que passam grande parte do tempo sentados em frente a um computador devem fazer uma pausa activa de 10 minutos.” Uma posição estática vai favorecer “a falta de tensão da cintura muscular” e, ao mínimo gesto, “pode haver um deslizamento de um dos segmentos da coluna”.

Estes 10 minutos, continua, “podem dar alguma protecção à coluna”, isto porque, em posição sentada, “a pressão ao nível do disco é elevada”. O fisiologista diz mesmo que todos os seres humanos, no final de um dia, “medem cerca de 2 cm a menos”. É então à noite que o corpo se restabelece e os discos intervertebrais se enchem de água, de modo a ficarem mais densos e espessos.

“Durante o dia, devido à força da gravidade, vamos perdendo água nos discos, por nos mantermos na mesma posição. Os discos não aguentam pressões de baixo nível por tempo prolongado e vão perder espessura. Mas não é só por isso. Os discos para receberem nutrientes – uma vez que não são directamente irrigados pelas artérias – precisam do mecanismo de compressão e descompressão. No fundo, funcionam como uma esponja: quando há compressão, a água sai; quando há descompressão, os novos nutrientes são aspirados pelo disco.”

Para além de uma postura incorrecta, Jan Cabri afirma que o stresse também produz um impacto negativo sobre a coluna. “Este estado de ansiedade vai provocar uma tensão muscular, o que, por sua vez, produz uma força de compressão na coluna vertebral.

Apesar de haver uma componente estrutural, arrisco em dizer que 80% das situações das dores nas costas acontecem entre “as orelhas”, ou seja, devem-se a factores psicológicos.” As lombalgias são consideradas a primeira causa de absentismo e gasto em saúde nos países desenvolvidos.

Só nos Estados Unidos da América consomem uma fatia de 50 mil milhões de dólares por ano. “Os custos em saúde são apenas uma fracção dos gastos totais”, realça o fisiologista.

O absentismo, para além do abalo funcional do trabalhador, “provoca uma diminuição da produtividade da empresa e isso reflecte-se em termos sociais”. A factura que se paga pelas lombalgias “não se circunscreve apenas ao ambiente laboral”.

É, por isso, que o especialista insiste na ideia de que o investimento das empresas (uma hora de intervalo por dia) não é a fundo perdido. “Tem de haver uma aposta no capital humano, para seobter um retorno a longo prazo. Este é um ganho colectivo: das empresas e da sociedade.”

 

Ponto final na dor

Lombalgias (“algia” significa dor) dividem-se em três tipos, consoante a sua duração: aguda, sub-aguda e crónica. As primeiras são dores a nível lombo-sacral “com ou sem irradiação à perna e, em média, têm um duração de seis semanas. Quando a dor se arrasta no tempo, passam à fase de subagudas, com episódios que persistem entre seis a doze semanas. “A lombalgia aguda resolve-se em cerca de 90% dos casos e, por norma, fica sanada entre três semanas a três meses, consoante a intervenção.

[Continua na página seguinte]

O problema radica nas lombalgias crónicas. Estas vão e voltam e o desafio está em retirar o doente do patamar da cronicidade. É, por isso, que envolve uma abordagem multidisciplinar nestes casos.”

Deste modo, Jan Cabri advoga que nas lombalgias o melhor mesmo é prevenir antes de remediar. “Nas fases iniciais e agudas, as intervenções são suaves. O erro está em ignorar este problema. Quantomais tempo passar, mais difícil se torna planificar uma intervenção eficaz.” No entanto, a recuperação não implica repouso absoluto. O segredo para sair da dor está em “realizar um plano de reabilitação progressivo que envolva movimento, mesmo que isso provoque algum desconforto”.

“Nas fases iniciais, profissional de saúde poderá prescrever um anti-inflamatório, que será coadjuvado por uma outra terapia escolhida pelo próprio doente: massagem, fisioterapia ou outras intervenções.

Embora seja um problema associado ao avanço da idade, o fisiologista diz que a melhor forma de nos livrarmos da dor das costas é “combater o sedentarismo e adoptar um estilo de vida mais activo”.

 

Como manter a postura certa?

> Evitar ficar na mesma posição por períodos de tempo prolongados;

> Não levantar ou erguer objectos com peso excessivo;

> Não realizar movimentos com muitas rotações, sob pena de enfraquecer algumas estruturas anatómicas;

> Quando possível, tentar realizar alguma ginástica laboral. Pequenos exercícios podem ajudar a livrar-se da sensação de peso nas costas.

 

Como é formada a coluna?

A coluna vertebral é formada por cinco vértebras lombares, doze dorsais e sete cervicais. Temos um bloco sacral, composto por cinco vértebras. Este bloco suporta todo o peso do corpo acima da coluna sacral.

O disco é um amortecedor entre duas vértebras; é composto por água (núcleo pulposo) e anéis; quando há uma força compressiva, não são os ossos que se mexem, mas é o disco que muda de tamanho.

O disco é constituído por anéis, com tecido colagénio, e tem vários níveis de orientação. O grande problema é quando estamos inclinados para a frente. Há forças que empurram este núcleo polposo (a parte mais líquida) para trás. O núcleo polposo vai sendo deslocado com a pressão e começam a quebrar alguns anéis, responsáveis pela retenção de líquido. Os primeiros a quebrar são os centrais.

Uma dor aguda ou sensação de picadas nas costas são alguns dos primeiros sinais de alerta para um dos males que, cada vez mais, atinge as sociedades actuais: as lombalgias. Tipicamente conhecidas por dores nas costas, as lombalgias não atacam somente a região lombar. “Pode haver manifestações de dor que se estendem da parte dorsal ou lateral da perna até ao pequeno dedo dos pés”, explica Jan Cabri, professor associado convidado da Faculdade de Motricidade Humana (FMH).

As lombalgias “comuns” são, também, designadas por “mecânicas”. Estas consistem em episódios de dor ligados ao funcionamento da própria coluna e estão associadas a 80%-85% dos casos. Fora deste número ficam as lombalgias provocadas por uma doença sistémica ou grave. “A primeira missão de um profissional de saúde é detectar se as queixas são ou não derivadas de uma patologia primária”, completa.

Por norma, os episódios de dor aparecem e desaparecem sem aviso prévio. “O desenvolvimento deste problema musculoesquelético na região lombar é marcado por altos e baixos. O importante é saber qual a frequência da dor”, salienta. Segundo avança o especialista, “quanto mais cedo ocorrer o primeiro ataque, menor vão ser os intervalos de dor e maior a frequência durante a vida”.

E de onde vem esta dor à qual não se pode virar as costas? Já nos anos 90 se acendeu o debate sobre esta questão. Os especialistas tentaram descortinar as razões que empurravam milhares de pessoas para as urgências hospitalares.

“Hoje em dia, as razões estão relativamente claras. Sabe-se que as dores mecânicas nem sempre têm uma causalidade anatómica ou estrutural. 80% das lombalgias devem-se a razões psicossociais, nomeadamente o stresse ou a depressão.”

A pressão elevada, causada por uma posição estática ou pelo stresse, avoluma os episódios de dor. Mas, como refere o fisiologista, a primeira causa das lombalgias é a inactividade física. “Há dados que apontam a falta de exercício como o principal factor de risco. Um estudo de 1995 mostrou que os atletas de alta competição, 25 anos após a prática de exercício regular, tinham um risco inferior de lombalgias, comparativamente com a população sedentária.”

 

Postura incorrecta

Hoje em dia, estar sentado ao computador um dia inteiro é, praticamente, uma fatalidade. Os empregos assim obrigam e, por mais confortável que se esteja, a verdade é que acabamos por ter uma postura incorrecta.

Consequência: é exercida uma pressão mais elevada sobre a coluna e isso reflecte-se em episódios de dor no final de um dia de trabalho.

[Continua na página seguinte]

“A legislação europeia, elaborada há 25 anos, diz claramente que, em cada 50 minutos, os trabalhadores que passam grande parte do tempo sentados em frente a um computador devem fazer uma pausa activa de 10 minutos.” Uma posição estática vai favorecer “a falta de tensão da cintura muscular” e, ao mínimo gesto, “pode haver um deslizamento de um dos segmentos da coluna”.

Estes 10 minutos, continua, “podem dar alguma protecção à coluna”, isto porque, em posição sentada, “a pressão ao nível do disco é elevada”. O fisiologista diz mesmo que todos os seres humanos, no final de um dia, “medem cerca de 2 cm a menos”. É então à noite que o corpo se restabelece e os discos intervertebrais se enchem de água, de modo a ficarem mais densos e espessos.

“Durante o dia, devido à força da gravidade, vamos perdendo água nos discos, por nos mantermos na mesma posição. Os discos não aguentam pressões de baixo nível por tempo prolongado e vão perder espessura. Mas não é só por isso. Os discos para receberem nutrientes – uma vez que não são directamente irrigados pelas artérias – precisam do mecanismo de compressão e descompressão. No fundo, funcionam como uma esponja: quando há compressão, a água sai; quando há descompressão, os novos nutrientes são aspirados pelo disco.”

Para além de uma postura incorrecta, Jan Cabri afirma que o stresse também produz um impacto negativo sobre a coluna. “Este estado de ansiedade vai provocar uma tensão muscular, o que, por sua vez, produz uma força de compressão na coluna vertebral.

Apesar de haver uma componente estrutural, arrisco em dizer que 80% das situações das dores nas costas acontecem entre “as orelhas”, ou seja, devem-se a factores psicológicos.” As lombalgias são consideradas a primeira causa de absentismo e gasto em saúde nos países desenvolvidos.

Só nos Estados Unidos da América consomem uma fatia de 50 mil milhões de dólares por ano. “Os custos em saúde são apenas uma fracção dos gastos totais”, realça o fisiologista.

O absentismo, para além do abalo funcional do trabalhador, “provoca uma diminuição da produtividade da empresa e isso reflecte-se em termos sociais”. A factura que se paga pelas lombalgias “não se circunscreve apenas ao ambiente laboral”.

É, por isso, que o especialista insiste na ideia de que o investimento das empresas (uma hora de intervalo por dia) não é a fundo perdido. “Tem de haver uma aposta no capital humano, para seobter um retorno a longo prazo. Este é um ganho colectivo: das empresas e da sociedade.”

 

Ponto final na dor

Lombalgias (“algia” significa dor) dividem-se em três tipos, consoante a sua duração: aguda, sub-aguda e crónica. As primeiras são dores a nível lombo-sacral “com ou sem irradiação à perna e, em média, têm um duração de seis semanas. Quando a dor se arrasta no tempo, passam à fase de subagudas, com episódios que persistem entre seis a doze semanas. “A lombalgia aguda resolve-se em cerca de 90% dos casos e, por norma, fica sanada entre três semanas a três meses, consoante a intervenção.

[Continua na página seguinte]

O problema radica nas lombalgias crónicas. Estas vão e voltam e o desafio está em retirar o doente do patamar da cronicidade. É, por isso, que envolve uma abordagem multidisciplinar nestes casos.”

Deste modo, Jan Cabri advoga que nas lombalgias o melhor mesmo é prevenir antes de remediar. “Nas fases iniciais e agudas, as intervenções são suaves. O erro está em ignorar este problema. Quantomais tempo passar, mais difícil se torna planificar uma intervenção eficaz.” No entanto, a recuperação não implica repouso absoluto. O segredo para sair da dor está em “realizar um plano de reabilitação progressivo que envolva movimento, mesmo que isso provoque algum desconforto”.

“Nas fases iniciais, profissional de saúde poderá prescrever um anti-inflamatório, que será coadjuvado por uma outra terapia escolhida pelo próprio doente: massagem, fisioterapia ou outras intervenções.

Embora seja um problema associado ao avanço da idade, o fisiologista diz que a melhor forma de nos livrarmos da dor das costas é “combater o sedentarismo e adoptar um estilo de vida mais activo”.

 

Como manter a postura certa?

> Evitar ficar na mesma posição por períodos de tempo prolongados;

> Não levantar ou erguer objectos com peso excessivo;

> Não realizar movimentos com muitas rotações, sob pena de enfraquecer algumas estruturas anatómicas;

> Quando possível, tentar realizar alguma ginástica laboral. Pequenos exercícios podem ajudar a livrar-se da sensação de peso nas costas.

 

Como é formada a coluna?

A coluna vertebral é formada por cinco vértebras lombares, doze dorsais e sete cervicais. Temos um bloco sacral, composto por cinco vértebras. Este bloco suporta todo o peso do corpo acima da coluna sacral.

O disco é um amortecedor entre duas vértebras; é composto por água (núcleo pulposo) e anéis; quando há uma força compressiva, não são os ossos que se mexem, mas é o disco que muda de tamanho.

O disco é constituído por anéis, com tecido colagénio, e tem vários níveis de orientação. O grande problema é quando estamos inclinados para a frente. Há forças que empurram este núcleo polposo (a parte mais líquida) para trás. O núcleo polposo vai sendo deslocado com a pressão e começam a quebrar alguns anéis, responsáveis pela retenção de líquido. Os primeiros a quebrar são os centrais.

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