Prisão de ventre: Nó nos intestinos
A toma prolongada de alguns medicamentos, tais como analgésicos, anti-depressivos, tranquilizantes, anti-hipertensores, diuréticos, suplementos de ferro e de cálcio, anti–ácidos contendo alumínio, pode também causar ou agravar a prisão de ventre.
Grávidas: atenção redobrada
A obstipação em mulheres grávidas pode dever-se às alterações hormonais, que favorecem o relaxamento dos intestinos, e ao aumento da pressão exercida pelo útero sobre os mesmos, o que faz com que o percurso natural dos alimentos no organismo se torne mais lento. Nestes casos, a grávida deve consultar o médico, já que em caso de gravidez não é aconselhada a toma de laxantes nem suplementos alimentares sem a devida avaliação da situação e supervisão médica.
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Obstipação também nas crianças
A prisão de ventre é também muito comum entre as crianças. O ritmo normal da emissão das fezes difere consoante a idade. Por exemplo, um lactente alimentado apenas por leite materno poderá ter duas ou mais dejecções por dia, mas uma criança mais velha poderá ter uma dejecção de dois em dois dias (três vezes por semana). Algumas crianças, na altura de treino do uso do bacio e de retirada da fralda, podem apresentar alguns sintomas de obstipação.
Nestes casos, adiam o momento e a vontade de defecar, e as fezes tornam-se duras e a defecação mais dolorosa. É importante que os pais e /ou educadores estejam atentos às possíveis queixas das crianças e à forma como evacuam para que, caso o problema se mantenha, saibam descrever numa consulta médica o ritmo e as características das fezes das crianças.
Consultar um médico não pode ser tabu
Regra geral, a prisão de ventre é temporária, sem gravidade e pode surgir, episodicamente, em determinadas fases da vida. Contudo, é importante estar atento ao aumento ou diminuição da frequência das fezes, à consistência, ao tamanho ou a uma maior dificuldade em evacuar, assim como ao aparecimento de sangue nas fezes.
De uma forma geral, sempre que os sintomas de obstipação persistam por um período superior a três semanas é necessário consultar um profissional de saúde. A descrição dos sintomas e os métodos de diagnóstico podem constituir situações constrangedoras para o doente, podendo levar a que evite a consulta médica, correndo assim o risco de agravar os sintomas. Em situações mais complexas poderão ser necessários exames adicionais entre os quais o toque rectal, a realização de uma colonoscopia ou de um clister opaco com duplo contraste. Estas são algumas das ferramentas que podem ajudar a excluir ou confirmar causas ou consequências mais graves, como pólipos ou tumores.
A prisão de ventre tem tratamento?
A prisão de ventre pode ser tratada de formas distintas, consoante a gravidade. O tratamento inicial passa pela mudança gradual do estilo de vida e aplica-se a casos iniciais e esporádicos de obstipação. Tem por base uma mudança dos hábitos alimentares, a prática de exercício físico e a ingestão de líquidos (cerca de 1,5 a 2 litros de água por dia), que ajudam a manter as fezes mais fluídas, permitindo o seu deslocamento no intestino.

