Prisão de ventre: Nó nos intestinos
Consultar um médico não pode ser tabu
Regra geral, a prisão de ventre é temporária, sem gravidade e pode surgir, episodicamente, em determinadas fases da vida. Contudo, é importante estar atento ao aumento ou diminuição da frequência das fezes, à consistência, ao tamanho ou a uma maior dificuldade em evacuar, assim como ao aparecimento de sangue nas fezes.
De uma forma geral, sempre que os sintomas de obstipação persistam por um período superior a três semanas é necessário consultar um profissional de saúde. A descrição dos sintomas e os métodos de diagnóstico podem constituir situações constrangedoras para o doente, podendo levar a que evite a consulta médica, correndo assim o risco de agravar os sintomas. Em situações mais complexas poderão ser necessários exames adicionais entre os quais o toque rectal, a realização de uma colonoscopia ou de um clister opaco com duplo contraste. Estas são algumas das ferramentas que podem ajudar a excluir ou confirmar causas ou consequências mais graves, como pólipos ou tumores.
A prisão de ventre tem tratamento?
A prisão de ventre pode ser tratada de formas distintas, consoante a gravidade. O tratamento inicial passa pela mudança gradual do estilo de vida e aplica-se a casos iniciais e esporádicos de obstipação. Tem por base uma mudança dos hábitos alimentares, a prática de exercício físico e a ingestão de líquidos (cerca de 1,5 a 2 litros de água por dia), que ajudam a manter as fezes mais fluídas, permitindo o seu deslocamento no intestino.
Outro tipo de tratamento assenta na terapêutica farmacológica, à base de laxantes que podem ser de vários tipos – expansores do volume fecal, osmóticos, entre outros – e não devem ser tomados sem aconselhamento de um profissional de saúde, uma vez que podem causar efeitos secundários indesejados, se utilizados indevidamente. Quando usados de forma incorrecta e excessiva, alguns laxantes podem danificar o intestino grosso e provocar fortes dores abdominais e melanose cólica (cor acastanhada do ânus). Só em casos muito raros de obstipação crónica incapacitante se recorre à cirurgia, e por indicação médica, após uma análise aprofundada ao quadro clínico do doente.
A prisão de ventre afecta, actualmente, entre 10 a 15 por cento da população adulta, sobretudo mulheres e idosos. No sexo feminino, a obstipação está muito relacionada com alterações hormonais, por isso, os períodos mais críticos são as fases pré e pós-menstruais e a gravidez.
Por norma, a prisão de ventre é designada como um sintoma, e apenas se torna uma patologia quando passa a crónica.
Como prevenir?
Tal como acontece com outras patologias, para prevenir a prisão de ventre é necessário manter uma alimentação saudável rica em fibras, à base de legumes, fruta e cereais. É igualmente importante respeitar os horários das refeições, evitar ingerir demasiadas gorduras e alimentos que tornem as fezes duras e beber muitos líquidos, tais como água, sumos de fruta e sopas, evitando bebidas alcoólicas, refrigerantes e café.
Pessoas acamadas por longos períodos de tempo ou com um estilo de vida sedentário podem ter mais frequentemente prisão de ventre, daí que a prática regular de actividade física constitua uma forma importante de prevenção. Se a falta de tempo para praticar exercício físico imperar, opte por caminhadas diárias, preferencialmente após as refeições.

