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Perda total do olfacto » Cheiros e sabores inodoros

7 Maio, 2007 0

Pegar numa flor e levá-la ao nariz constitui, para a generalidade das pessoas, um movimento irreflectido e de prazer. Porém, nem todos conseguem sentir o seu cheiro. Conhecida por anosmia, a perda total do olfacto é um problema que surge com a idade, mas há doenças que podem provocá-la.

Estamos permanentemente a testar a qualidade do ar que respiramos, a «recolher» avisos dos ambientes que nos circundam e até mesmo a reconhecer pessoas pelo cheiro, como é o caso das mães com os seus bebés. Para tal usamos e abusamos do nariz e da boca para captarmos a essência das coisas.

Reconhecido como um sentido muito rico, dado existirem estreitas relações entre as áreas olfactivas e as áreas da memória, da libido e de outras emoções, o sistema olfactivo consiste num prolongamento do sistema nervoso que começa no nariz, onde estão os receptores, e que termina no cérebro, onde é feita a interpretação ou tradução de sinais eléctricos para a sensação de cheiro.

O processo de captação e identificação dos odores começa no momento da inspiração. Com as partículas odoríferas em suspensão no ar, estas são captadas pelo nariz, que as encaminha para os múltiplos receptores do olfacto. A conjugação dessas partículas com as células olfactivas dá origem a um estímulo que é conduzido ao cérebro para ser decifrado.

No caso do sabor dos alimentos, o processo é idêntico, porém, tudo se passa na boca. Aqui, o paladar é dado pela acção das células gustativas, que reagem com o que comemos e bebemos, encaminhando, de seguida, a informação para o cérebro através de fibras nervosas.

Anosmia da idade

Numa situação normal, seja homem ou mulher, o mais provável é que com o decorrer dos anos comece a sentir que já não consegue ter o cheiro ou o paladar tão apurados. Como em qualquer parte do corpo, algumas células nervosas começam a desaparecer, assim como os receptores odoríferos que deixam de responder com a eficácia de outros tempos, dando origem a um processo de hiposmia, ou seja, a diminuição lenta e progressiva do cheiro, que culmina com a sua perda total.

No caso dos homens, os estudos indicam que essa perda gradual pode começar por volta dos 35 anos, enquanto que nas mulheres a média de idade ronda os 40 anos. Contudo, é importante referir que estas alterações são, inicialmente, imperceptíveis e só com a realização de testes padronizados e complexos são possíveis de detectar. Em ambos os sexos, a situação começa a acentuar-se por volta dos 70 anos, sendo que 50% da população com mais de 80 anos sofre de anosmia.

Provocada por uma evolução dita normal, no caso dos idosos, o Dr. Alberto Santos, Assistente Hospitalar do Hospital de Santa Maria e assistente de Biologia Celular da Faculdade de Ciências Médicas, explica que é essencial garantir que os idosos tenham uma boa higiene nasal e bocal, uma vez que, «como o paladar não se perde tão depressa, só assim é possível garantir que os idosos não perdem o prazer de comer, preservando o apetite».

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