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O refluxo gastroesofágico

21 Outubro, 2014 0

Os principais sintomas são, na maioria das vezes, locais; a azia e as regurgitações (retorno dos alimentos contidos no estômago até à boca, sem náusea ou esforço) são os mais frequentes. Outros sintomas, ligados à inflamação que o refluxo provoca no esófago, podem igualmente estar presentes: dor no peito e dificuldade ou dor na deglutição.

Estes sintomas caracteristicamente melhoram com medicamentos ou alimentos que diminuem a acidez gástrica.

O refluxo gastroesofágico está associado a fatores predisponentes, como a hérnia do hiato esofágico, a obesidade, o tabagismo e incorreções alimentares que, uma vez corrigidos, melhoram a sintomatologia.

Se a maior repercussão do refluxo gastroesofágico se materializa no esófago, nos últimos anos tem-se dado uma particular atenção às suas manifestações extraesofágicas, sobretudo as pulmonares e as da esfera da otorrinolaringologia.

Relativamente às últimas, um destaque particular para as laringites e faringites crónicas, em consequência da acção direta do refluxo ácido nestes dois órgãos. A rouquidão e a inflamação crónica da garganta, com secreções e pigarreio constantes, são a sua expressão mais frequente e que podem levar a significativa perda de qualidade de vida. Porém, em situações não controladas e muito arrastadas, há quem estabeleça um nexo de causalidade com problemas clínicos mais graves, como o cancro da laringe e da faringe.

Quanto às repercussões pulmonares, elas são sobretudo brônquicas. Asma brônquica, bronquite, bronquiectasias e tosse crónica são as entidades mais vezes relacionadas Porém, outras doenças mais graves, como pneumonias, abcessos do pulmão ou fibrose pulmonar idiopática, são também referidas. Admite-se que estas doenças respiratórias sejam devidas à aspiração de pequenas quantidades de conteúdo gástrico durante o sono.

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Apesar de haver técnicas apuradas para o diagnóstico (endoscopia digestiva alta, radiografia contrastada do esófago, manometria esofágica e pHmetria-24 horas), a relação do refluxo com determinadas queixas nem sempre é fácil, obrigando muitas vezes a uma investigação exaustiva.

O tratamento baseia-se em medidas comportamentais, em medicamentos que diminuem a secreção ácida do estômago e, nalguns casos – por exemplo, quando existe hérnia do hiato esofágico –, a cirurgia pode ser a solução.

As medidas comportamentais são importantes para se evitarem as exacerbações, e devem ser seguidas por todos os doentes. Entre as mais importantes referem-se as seguintes:

• Elevar a cabeceira da cama;

• Moderar a ingestão de alimentos que estimulam a produção de secreção ácida do estômago (alimentos gordos, citrinos, café, chá, bebidas alcoólicas, bebidas gasosas, chocolate e produtos à base de tomate);

• Evitar grandes refeições;

• A última refeição – normalmente o jantar – deve ser leve;

• Deitar-se apenas depois de terem passado 2,5 horas após a última refeição;

• Suspender o tabagismo;

• Em caso de excesso de peso ou de obesidade, emagrecer (medida importantíssima).

Pela sua importância, o refluxo gastroesofágico não deve ser negligenciado. Ele pode trazer graves prejuízos à saúde e à qualidade de vida do doente.

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