Intestino: Passagem atribulada
• Evitar hábitos como comer depressa, beber por uma palhinha e mastigar pastilha – favorecem a entrada de ar, contribuindo para a flatulência;
• Beber água em abundância – contribui para amolecer as fezes e prevenir a prisão de ventre;
• Fazer exercício físico – alivia o stress e estimula as contracções normais dos intestinos;
• Evitar, tanto quanto possível, as situações geradoras de stress.
É ainda importante usar os medicamentos laxantes e anti-diarreicos com prudência, sob pena de agravarem os problemas que deveriam aliviar.
Tem tudo a ver com as contracções do tracto intestinal. Por razões ainda pouco claras, nas pessoas com a chamada síndrome do intestino irritável esses movimentos estão descoordenados – quando existe uma alteração da normal motilidade do intestino -, podendo ser mais rápidos e intensos do que o habitual ou, pelo contrário, mais lentos.
De uma forma ou de outra, causam desconforto e um diversificado conjunto de sintomas abdominais.
Quando o resultado da digestão é empurrado demasiado depressa, nos intestinos diminui a capacidade de absorção de fluidos e, em consequência, as fezes ficam mais moles.
Diarreia, flatulência (gases) são o resultado dessas contracções aceleradas. Já quando os movimentos retardam a passagem dos alimentos, os intestinos acabam por absorver mais líquidos, tornando as fezes mais duras e secas e abrindo caminho à obstipação (prisão de ventre).
Dores abdominais, flatulência, diarreia ou obstipação (ou ambas alternadamente) são, pois, as principais manifestações desta síndrome, uma desordem funcional que causa elevado desconforto mas que não tem subjacente nem provoca qualquer lesão nos intestinos nem dá origem a um problema de saúde mais grave como o cancro.
Nos casos de diarreia é frequente que a pessoa sinta uma necessidade urgente em defecar, após o que encontra algum alívio para o desconforto. Já quem tem mais tendência para a obstipação costuma queixar-se de dificuldade em eliminar as fezes e da sensação de não ter conseguido esvaziar o intestino mesmo depois de ir à casa-de-banho.
Além destes sintomas outros podem ocorrer: muco nas fezes (mas não sangue), náuseas, sensação de inchaço abdominal, perda de apetite, azia.
Febre, hemorragias e perda de peso não estão presentes nesta síndrome, podendo indiciar outro problema, nomeadamente uma inflamação.
Uma síndrome mais feminina
Não há uma explicação científica consensual para a síndrome do intestino irritável. As teorias oscilam entre a influência do sistema nervoso nas contracções intestinais e a influência de determinados factores, como a alimentação e o stress. O que é certo é que estes sintomas são mais comuns entre o sexo feminino, tornando-se mais evidentes em momentos de maior produção hormonal.
Predominam igualmente entre pessoas com menos de 35 anos.
Com frequência o agravamento dos sintomas anda associado à ingestão de alimentos como os lacticínios, o chocolate e o trigo. As bebidas alcoólicas e cafeinadas podem potenciar tanto a diarreia como a obstipação, enquanto os refrigerantes, bem como alguns frutos e vegetais, parecem contribuir para o aumento da flatulência.
Para minimizar estes inconvenientes são aconselhadas algumas alterações no regime alimentar, decididas a partir do momento em que se suspeita que determinado alimento se associa a irritação do intestino. Uma das técnicas pode residir na elaboração de uma espécie de diário, em que se regista aquilo que se come, a par dos eventuais sintomas.

