Sabemos como é embaraçoso, para uma pessoa gaga, tropeçar nas palavras. Com vários factores que contribuem para o seu desenvolvimento, a gaguez é uma perturbação da fala que é possível mitigar.
É fácil imaginar o stresse associado a uma incapacidade de dizer, por exemplo, o próprio nome durante uma entrevista de emprego…
Há certas palavras que parecem atraiçoar um gago. O discurso até pode estar a correr fluido e coerente, mas há sempre um momento em que é traído por certas sílabas que obrigam a hesitar ou a repetir e repetir até se conseguir pronunciar completamente a palavra. Aliás, com a experiência, as pessoas gagas evitam pronunciar determinados vocábulos.
O “iceberg” é uma imagem elucidativa para explicar o que ocorre na gaguez: a parte visível é bem menor do que a parte invisível, como os sentimentos negativos, como a tensão e o medo de falhar. Se pensarmos que a comunicação é a base das relações sociais, os efeitos desta perturbação na vida de um indivíduo podem mesmo condicioná-la.
A gaguez caracteriza-se por uma perturbação da fluência do discurso, podendo ocorrer repetições, bloqueios e demora na emissão de palavras ou prolongamento de sons. Tende a surgir na infância, sendo mais predominante nos rapazes.
Em grande parte dos casos, a gaguez regride até à fase final da infância, podendo contudo manter-se por toda a vida, afectando a vida social e profissional do indivíduo, e podendo interferir no rendimento escolar da criança, pelo que há que estar atento a qualquer perturbação da linguagem, em particular, e da comunicação, de uma forma mais ampla.
Na escola, os atropelos de linguagem também se sobrepõem. A criança pode sentir-se pressionada e a gaguez torna-se então mais evidente. O que – sabendo nós como os mais pequenos podem ser cruéis uns com os outros – pode torná-la motivo de troça e riso dos demais.
Criança ou adulto, o gago é pressionado por acontecimentos geradores de stresse e ansiedade, como falar em público. Quando uma criança brinca sozinha com os seus bonecos ou o seu animal de estimação, o mais provável é não gaguejar. Se cantar num coro, também não: as palavras escorrem, porque não há interlocutor directo, não há diálogo.
O importante é identificar esta perturbação da fala o mais cedo possível, de modo a afectar ao mínimo o bem-estar do indivíduo. Porque o que está em causa é, acima de tudo, a auto-estima da criança ou do adulto.
[Continua na página seguinte]
Tipos de gaguez
A repetição de uma sílaba no início da frase ou uma repetição compulsiva de sílabas que ficam presas caracteriza a gaguez “clónica”. Já as pausas no discurso para facilitar a articulação da palavra, ditando um discurso “aos tropeções”, são típicas da gaguez “tónica”. A gaguez pode ser ainda classificada como mista quando ocorrem episódios de repetição e bloqueios (clónica e tónica), e pode ser acompanhada de movimentos como piscar os olhos, tiques e tremores.
E as crianças?
Entre os 2 e os 6 anos, quando começa a utilizar a linguagem como instrumento privilegiado de comunicação, a criança pode atrapalhar-se com as palavras, o que pode desencadear a ansiedade.
Com o desenvolvimento da linguagem, podem surgir alguns episódios de gaguez, mas transitórios. As crianças também têm tendência para repetir frases inteiras, o que não deve ser confundido com gaguez.
O apoio da família é essencial e deve, acima de tudo:
– Evitar aumentar a ansiedade, falando calmamente, sem pressões.
– Mostrar disponibilidade para ouvir as histórias que a criança tem para contar, valorizando-as.
– Resistir à tentação de a interromper, de a ajudar a completar as frases.
– Enriquecer o vocabulário da criança, através da leitura de uma história ao deitar.
– Evitar a exposição a situações complicadas, que provoquem ansiedade, mas sem mergulhar numa hiper-protecção.
– Fazer jogos, incluindo canções e versos. A criança gaga reage muito bem a tudo o que é entoado com ritmo.
Para suavizar o problema
A terapia da fala pode ser útil para conquistar uma linguagem mais fluida. Por sua vez, as técnicas de relaxamento podem ajudar o indivíduo a aprender a relaxar em situações de maior ansiedade.
É fácil imaginar o stresse associado a uma incapacidade de dizer, por exemplo, o próprio nome durante uma entrevista de emprego…
Há certas palavras que parecem atraiçoar um gago. O discurso até pode estar a correr fluido e coerente, mas há sempre um momento em que é traído por certas sílabas que obrigam a hesitar ou a repetir e repetir até se conseguir pronunciar completamente a palavra. Aliás, com a experiência, as pessoas gagas evitam pronunciar determinados vocábulos.
O “iceberg” é uma imagem elucidativa para explicar o que ocorre na gaguez: a parte visível é bem menor do que a parte invisível, como os sentimentos negativos, como a tensão e o medo de falhar. Se pensarmos que a comunicação é a base das relações sociais, os efeitos desta perturbação na vida de um indivíduo podem mesmo condicioná-la.
A gaguez caracteriza-se por uma perturbação da fluência do discurso, podendo ocorrer repetições, bloqueios e demora na emissão de palavras ou prolongamento de sons. Tende a surgir na infância, sendo mais predominante nos rapazes.
Em grande parte dos casos, a gaguez regride até à fase final da infância, podendo contudo manter-se por toda a vida, afectando a vida social e profissional do indivíduo, e podendo interferir no rendimento escolar da criança, pelo que há que estar atento a qualquer perturbação da linguagem, em particular, e da comunicação, de uma forma mais ampla.
Na escola, os atropelos de linguagem também se sobrepõem. A criança pode sentir-se pressionada e a gaguez torna-se então mais evidente. O que – sabendo nós como os mais pequenos podem ser cruéis uns com os outros – pode torná-la motivo de troça e riso dos demais.
Criança ou adulto, o gago é pressionado por acontecimentos geradores de stresse e ansiedade, como falar em público. Quando uma criança brinca sozinha com os seus bonecos ou o seu animal de estimação, o mais provável é não gaguejar. Se cantar num coro, também não: as palavras escorrem, porque não há interlocutor directo, não há diálogo.
O importante é identificar esta perturbação da fala o mais cedo possível, de modo a afectar ao mínimo o bem-estar do indivíduo. Porque o que está em causa é, acima de tudo, a auto-estima da criança ou do adulto.
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Tipos de gaguez
A repetição de uma sílaba no início da frase ou uma repetição compulsiva de sílabas que ficam presas caracteriza a gaguez “clónica”. Já as pausas no discurso para facilitar a articulação da palavra, ditando um discurso “aos tropeções”, são típicas da gaguez “tónica”. A gaguez pode ser ainda classificada como mista quando ocorrem episódios de repetição e bloqueios (clónica e tónica), e pode ser acompanhada de movimentos como piscar os olhos, tiques e tremores.
E as crianças?
Entre os 2 e os 6 anos, quando começa a utilizar a linguagem como instrumento privilegiado de comunicação, a criança pode atrapalhar-se com as palavras, o que pode desencadear a ansiedade.
Com o desenvolvimento da linguagem, podem surgir alguns episódios de gaguez, mas transitórios. As crianças também têm tendência para repetir frases inteiras, o que não deve ser confundido com gaguez.
O apoio da família é essencial e deve, acima de tudo:
– Evitar aumentar a ansiedade, falando calmamente, sem pressões.
– Mostrar disponibilidade para ouvir as histórias que a criança tem para contar, valorizando-as.
– Resistir à tentação de a interromper, de a ajudar a completar as frases.
– Enriquecer o vocabulário da criança, através da leitura de uma história ao deitar.
– Evitar a exposição a situações complicadas, que provoquem ansiedade, mas sem mergulhar numa hiper-protecção.
– Fazer jogos, incluindo canções e versos. A criança gaga reage muito bem a tudo o que é entoado com ritmo.
Para suavizar o problema
A terapia da fala pode ser útil para conquistar uma linguagem mais fluida. Por sua vez, as técnicas de relaxamento podem ajudar o indivíduo a aprender a relaxar em situações de maior ansiedade.