Flatulência - Médicos de Portugal

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É a sensação de ter maior quantidade de gases no trato gastrointestinal. E ocorre porquê? O gás do trato digestivo procede fundamentalmente de três fontes: o ar engolido, a produção intestinal e a difusão a partir do sangue. Vejamos como.

O ar é engolido juntamente com os alimentos. A deglutição de um grande volume de ar provoca uma sensação de saciedade, ocasionando arrotos excessivos ou a expulsão do ar pelo ânus. O hidrogénio, o metano e o anidrido carbónico são produzidos pelo metabolismo bacteriano dos alimentos no intestino, especialmente depois da ingestão de certo tipo de alimentos, caso dos feijões e couves. Pessoas com deficiência das enzimas que fragmentam certos açúcares, têm também tendência para produzir grandes quantidades de gás quando ingerem alimentos que contêm esses açúcares.

Recorde-se ainda que as queixas de eructação excessiva, ou seja, arrotar em excesso, é comum em doentes com refluxo gastroesofágico. Como se manifesta de um modo geral, a flatulência provoca dor e distinção abdominal, arrotos e expulsão excessiva de gases pelo ânus. A intensidade dos sintomas pode variar de pessoa para pessoa, algumas são mais sensíveis aos efeitos da presença de gases no aparelho gastrointestinal, outras podem revelar uma maior tolerância aos gases sem ter sintomas.

Normalmente, expulsam-se gases através do ânus mais de dez vezes por dia, mas a flatulência pode ocasionar maior expulsão de gases. Os lactentes com cólicas abdominais podem expulsar grandes quantidades de gases. A flatulência também pode provocar arrotos repetidos.

Casos há em que a quantidade excessiva de gases intestinais pode indicar uma perturbação digestiva séria. Mas, de um modo geral, a flatulência raramente é sintoma de um problema de saúde grave.

QUAL O TRATAMENTO DESTA SITUAÇÃO BENIGNA

Em primeiro lugar, deve procurar identificar a causa das queixas, conhecer a duração do problema, apurar se há algum problema de saúde relacionado com o trato gastrointestinal previamente diagnosticado e quais os medicamentos que está a tomar, rever os hábitos dietéticos, de modo a identificar possíveis situações que estejam a contribuir para a flatulência, e nesse caso, corrigi-los com prontidão.

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A base do tratamento consiste na redução da ingestão de alimentos flatulentos, competindo ao doente assumir determinados comportamentos que ajudarão a reduzir ou minimizar os sintomas:
> Comer lentamente, mastigando e salivando bem os alimentos; convém evitar falar excessivamente durante a refeição;

> Evitar o consumo de rebuçados e pastilhas elásticas, que podem aumentar os sintomas pela produção excessiva de saliva e aumento da deglutição de ar ao mastigar;

> Evitar a ingestão de bebidas gaseificadas;

> Evitar beber líquidos na posição deitada ou deitar–se imediatamente depois de comer; aliás, é recomendado caminhar, no mínimo, 10 a 15 minutos depois das refeições;

> Evitar a obstipação crónica, já que esta pode facilitar a acumulação de gases intestinais;

> Evitar o tabaco, por ser um irritante gástrico e gerador de aerofagia.

USE E ABUSE DO ACONSELHAMENTO FARMACÊUTICO

De um modo geral, a acumulação de gases, a distensão abdominal e a flatulência apresentam cursos intermitentes. A presença de gás intestinal é uma das queixas mais comuns que chegam às farmácias.

É importante assegurar ao doente que geralmente estes problemas não são prejudiciais para a saúde, contudo, podem indicar o início de doenças ou problemas funcionais intestinais.

Confie no seu farmacêutico. Não é novidade para ninguém que os problemas gástricos são bastante frequentes e pode dizer-se que não há ninguém que não tenha, pelo menos uma vez na vida, sofrido deste tipo de mal-estar.

Contudo, não se devem negligenciar os problemas gástricos. Quando as queixas digestivas são ocasionais e muitas vezes associadas a excessos ou intolerâncias alimentares, o recurso à indicação farmacêutica é admitido e altamente desejável. De que problemas gástricos estamos a falar no que toca ao aconselhamento farmacêutico? São situações de diferente natureza, manifestando-se por dores abdominais, náuseas, vómitos, azia, eructação (arroto) excessiva, flatulência e digestões difíceis. O farmacêutico procura sempre aconselhar o utente de forma personalizada, recomendando o tratamento mais adequado para cada uma destas situações.

No caso da flatulência, pode haver medidas que se sobrepõem à toma de um medicamento. Há consenso generalizado que para estas situações que envolvem indisposições intestinais importam medidas como: reduzir a ingestão de alimentos flatulentos; evitar o consumo de rebuçados e pastilhas elásticas; evitar a ingestão de bebidas gaseificadas; evitar deitar-se imediatamente depois de comer.

Nas situações de pequena gravidade no sistema digestivo, o aconselhamento farmacêutico é recomendável e incontornável. Na escolha de um antiácido para certas queixas digestivas, para abrandar os sintomas de azia ou ardor; em afeções como flatulência, perturbações da digestão ou cólicas, o farmacêutico está igualmente preparado para intervir e, quando necessário, recomendar uma ida urgente ao médico. Escusado é dizer que estes problemas gástricos não ficam por aqui, podem envolver a toma de laxantes, antiácidos, medicamentos para aliviar a diarreia ou para tratar hemorróidas. A lista é enorme.

Aliás, neste mesmo local tem vindo a ser referido o aconselhamento farmacêutico no suporte a medidas farmacológicas no caso da doença do refluxo gastroesofágico, por exemplo. Há sinais e sintomas que requerem uma consulta médica urgente, caso dos vómitos recorrentes e de uma crónica dificuldade de deglutição.

Conte sempre com o seu farmacêutico para a revisão dos hábitos alimentares e dos estilos de vida. E tire partido do aconselhamento farmacêutico pedindo-lhe para colaborar consigo na identificação das causas da sua flatulência, informando-se junto dele sobre a conveniência de consultar um médico, comunicando todos os sintomas que acompanham a flatulência.

A conversa com o seu farmacêutico é um imperativo quando o mal-estar não abranda e quando o doente, para além da flatulência, está a tomar outros medicamentos. Nestes casos, a escolha de um antiflatulento ou outro fármaco deve ser adequada aos restantes medicamentos.

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