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Dores de coluna: quem as não tem?

28 Maio, 2014 0

A coluna vertebral é uma das estruturas do corpo humano que, nos tempos modernos, mais problemas apresenta. Os problemas de coluna afectam ambos os sexos e todas as idades sendo, no entanto, mais frequente entre os 25 e os 45 anos de idade, isto é, no período de maior produtividade.

Por isso, no que se refere às dores de costas, os especialistas dizem que há dois tipos de pessoas: as que têm problemas e as que virão a ter.

As dores de costas têm um impacto socioeconómico muito elevado, provocado pelas faltas ao trabalho e pelas elevadas verbas que se gastam em meios auxiliares de diagnóstico (radiografias, TAC, ressonâncias), medicamentos (analgésicos, anti-inflamatórios), tratamentos de recuperação, etc). A sua dimensão é impressionante, visto que, a seguir à gripe, é o problema de saúde que provoca maior número de faltas ao emprego, mas por períodos mais alargados. É uma das dores mais frequentes, só ultrapassada pelas cefaleias (dores de cabeça). De referir que muitas destas são provocadas por problemas de coluna. Estes problemas são ainda a principal causa de reforma antecipada, por incapacidade ou invalidez.

A medicina moderna tem sido bem sucedida no tratamento de muitas doenças. No entanto, apesar de todos os esforços e do amplo conhecimento científico, os programas dirigidos para a resolução de problemas de coluna não têm apresentado resultados animadores. A coluna vertebral deve ser entendida como um “mastro ou eixo do corpo”, responsável pelo equilíbrio global do corpo, pelo que, quando este se altera, a probabilidade de ocorrerem problemas é enorme. De facto, a incapacidade provocada pela lombalgia assume contornos cada vez mais graves, em consequência da não tomada em consideração de um conjunto de atitudes preventivas no dia-a-dia.

De entre as dores mais frequentes temos as lombalgias ou dores na região inferior das costas.

 

Cuidar da coluna

Contra algumas opiniões, a maioria das dores nas costas não são provocadas por grandes esforços, mas aparecem como consequência de atitudes posturais incorrectas ou esforços pequenos mas repetidos. De facto, a coluna vertebral está preparada para realizar variadíssimos movimentos e assumir um sem número de posições, tais como, sentado, deitado, de pé, encolhido, esticado, “torcido” e inclinado para qualquer dos lados, porque tem uma grande capacidade de mobilização e de adaptação.

No entanto, não foi feita para passar longos períodos (4 a 6 horas por dia) em qualquer dessas posições. Como se diz em farmacologia: “a diferença entre vacina e veneno é a quantidade”. O problema não é estar no pegar, ocasionalmente, numa carga, estar mal sentado de vez em quando, ou andar de saltos altos esporadicamente, mas sim assumir esse tipo de comportamentos regularmente.

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Desta forma, os grandes vilões da nossa coluna são os designados “micro-traumatismos de repetição”. Estes são provocados por situações repetidas, associadas à nossa profissão ou dia-a-dia, geradoras de traumatismos que, mesmo sendo pequenos, assumem uma enorme proporção quando realizados continuadamente ao longo dos dias, meses e anos.

Como dificilmente temos as opções de deixar de trabalhar ou de arranjar profissões “mais saudáveis” ou compatíveis com eventuais problemas de coluna, é fundamental adoptar estratégias de compensação e de prevenção. Assim, nos próximos números apresentaremos um conjunto de sugestões relativas ao exercício físico, à actividade profissional e às tarefas do dia-a-dia, entendidas como propostas para uma “higiene regular da coluna vertebral”. Têm como objectivo prevenir/evitar eventuais problemas nesta estrutura tão sensível, de modo a que ela não se transforme no “eixo do mal”, como tantas vezes tem sido apelidada.

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