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Dores de coluna: quem as não tem?

28 Maio, 2014 0

No entanto, não foi feita para passar longos períodos (4 a 6 horas por dia) em qualquer dessas posições. Como se diz em farmacologia: “a diferença entre vacina e veneno é a quantidade”. O problema não é estar no pegar, ocasionalmente, numa carga, estar mal sentado de vez em quando, ou andar de saltos altos esporadicamente, mas sim assumir esse tipo de comportamentos regularmente.

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Desta forma, os grandes vilões da nossa coluna são os designados “micro-traumatismos de repetição”. Estes são provocados por situações repetidas, associadas à nossa profissão ou dia-a-dia, geradoras de traumatismos que, mesmo sendo pequenos, assumem uma enorme proporção quando realizados continuadamente ao longo dos dias, meses e anos.

Como dificilmente temos as opções de deixar de trabalhar ou de arranjar profissões “mais saudáveis” ou compatíveis com eventuais problemas de coluna, é fundamental adoptar estratégias de compensação e de prevenção. Assim, nos próximos números apresentaremos um conjunto de sugestões relativas ao exercício físico, à actividade profissional e às tarefas do dia-a-dia, entendidas como propostas para uma “higiene regular da coluna vertebral”. Têm como objectivo prevenir/evitar eventuais problemas nesta estrutura tão sensível, de modo a que ela não se transforme no “eixo do mal”, como tantas vezes tem sido apelidada.

 

Factores de risco:

Sexo: a probabilidade de a mulher ter problemas de coluna é cerca de cinco vezes superior à do homem;

A incapacidade muscular: as principais funções dos músculos são mobilizar e suportar. A falta de exercício regular faz com que eles percam grande parte da sua capacidade e funcionalidade;

As posturas incorrectas: somos pouco cuidadosos nas posturas diárias;

Sobrepeso ou obesidade: os indivíduos com “peso a mais”, pela carga que este exerce sobre a coluna, estão mais propensos a quadros dolorosos;

Ansiedade/depressão: a pessoa deprimida adopta, frequentemente, uma má postura, andando cabisbaixa e com os ombros arqueados para a frente, o que dá maior predisposição para o aparecimento da dor;

Jornada de trabalho longa: quanto mais longo for o dia de trabalho, maior é a probabilidade de se contrair problemas de coluna;

Inadequação dos equipamentos disponíveis: equipamentos de trabalho, como secretárias, ou cadeiras e domésticos, como a tábua de passar a ferro ou a banca da louça, nem sempre estão adaptados à nossa morfologia (tamanho) e podem causar ou agravar problemas;

Movimentos ou tarefas repetitivas: causam os designados micro-traumatismos de repetição, que estão na origem de inúmeras situações dolorosas;

Stresse emocional e exigência de produtividade: é comum que o stresse provocado pelas elevadas exigências do emprego conduza a síndromes dolorosas.

Rui Garganta, Professor da Faculdade de Desporto da Universidade do Porto

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