Especial Alimentação Saudável: Desafios à mesa
Fala-se regularmente de alimentação saudável mas nem sempre se consegue cumprir as regras de ouro para viver melhor. O Jornal do Centro de Saúde junta-se às comemorações do mês do coração, reunindo alguns nutricionistas que o ajudarão a fazer boas escolhas nutricionais e a sentar-se à mesa com consciência de que está a contribuir, diariamente, para a sua saúde. Siga os seus conselhos e bom apetite!
O estilo de vida, nomeadamente, a alimentação, tem uma influência marcada no aparecimento e agravamento das doenças crónicas não transmissíveis. “A obesidade, o acidente vascular cerebral, o enfarte do miocárdio, as dislipidémias, a diabetes e alguns tipos de cancro, são patologias com maior prevalência em pessoas com uma alimentação desequilibrada, rica em energia, produtos de origem animal, gordura, açúcar e sal e pobre em legumes, fruta, peixe e cereais completos”, sublinha a Dr.ª Elsa Feliciano, nutricionista da APN. Para além da alimentação, também o sedentarismo, o tabaco, o stress e o consumo excessivo de álcool podem contribuir para o aparecimento e agravamento destas doenças. Para evitar as doenças crónicas não transmissíveis, as regras são simples e conhecidas: aliar bons hábitos alimentares a uma actividade física regular. “Outra regra importante é tomar medidas quando o peso começa a aumentar, não deixando que se instalem muitos quilinhos, mais difíceis de perder”, aconselha Elsa Feliciano. O local de trabalho pode ser o inimigo número um a este tipo de cuidados. E porquê? Porque é conhecido o stress em que todos vivemos diariamente e o pouco tempo que algumas profissões deixam para que a hora de alimentação continue a ser sagrada. Elsa Feliciano apresenta algumas sugestões para minimizar este problema, sugerindo que os bares e refeitórios das empresas disponham de alimentos e refeições mais equilibradas. “Algumas empresas actualmente dispõem de ginásios para os trabalhadores poderem praticar actividade física, outras têm circuitos de manutenção nos espaços exteriores ou celebram protocolos com ginásios que garantem descontos para os seus trabalhadores”, diz-nos. AS CONSEQUÊNCIAS DA DESNUTRIÇÃO A deficiência de energia e/ou de um ou mais nutrientes é intitulada de desnutrição. Como causas mais comuns para este problema de saúde, podemos referir “o consumo alimentar e acesso aos alimentos inadequados, devido a estados de pobreza, dieta inapropriada, caracterizada por uma incorrecta combinação dos alimentos e desajustada com as necessidades nutricionais individuais e a redução voluntária do consumo alimentar, devido por exemplo, a factores psicológicos”, salienta a Dr.ª Alexandra Bento. Como consequência de tais comportamentos alimentares, pode verificar-se uma perda de peso involuntária, igual ou superior a 10%, num espaço de seis meses, “pele seca, fadiga, irritabilidade, diminuição da actividade física e diminuição da resposta imune”, diz-nos a presidente da APN. Os idosos e as pessoas hospitalizadas são as que apresentam mais riscos a desenvolver estados de desnutrição. “Um estudo realizado em Portugal, pela Professora Doutora Teresa Amaral, da Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto, verificou que 33 a 72% dos doentes que iniciavam internamento no hospital já se encontravam desnutridos, e muitos deles pioravam o seu estado nutricional durante o tempo de internamento”, adianta Alexandra Bento. A obesidade poderá também ser considerada como um estado de desnutrição porque um indivíduo poderá ter excesso de gordura mas apresentar uma dieta pobre noutros nutrientes, nomeadamente, de vitaminas e minerais.

