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Espasticidade

15 Julho, 2008 0

A espasticidade é a rigidez muscular que dificulta ou impossibilita o movimento, em especial dos braços e das pernas. Acontece quando se verifica uma lesão numa parte do sistema nervoso central que controla os movimentos voluntários, e pode ter origem no cérebro ou na medula espinal.

As lesões provocam uma alteração no equilíbrio dos sinais transmitidos entre o sistema nervoso e os músculos. Este desequilíbrio origina uma actividade acrescida ou espasmos nos músculos. Os sintomas da espasticidade podem variar desde uma leve contracção muscular até uma rigidez severa. A impossibilidade de controlar os músculos voluntários poderá aumentar o grau de dificuldade para realizar actividades diárias tais como vestir, comer, escovar os dentes ou os cabelos. A espasticidade nos músculos dos membros inferiores pode interferir com a capacidade para andar ou sentar, por exemplo, enquanto que a espasticidade nos pés pode impedir o uso de sapatos pela deformidade causada. Entre as condições habitualmente associadas à espasticidade em crianças encontram-se a paralisia cerebral e, em adultos as lesões traumáticas da medula espinal e a esclerose múltipla. Aproximadamente, 80 entre cada 100 pacientes com paralisia cerebral têm espasticidade, de maior ou menor intensidade. A espasticidade afecta, negativamente, os músculos e as articulações das extremidades, causando movimentos e posturas anormais e é especialmente prejudicial nas crianças em crescimento. Todos os anos surgem aproximadamente 200 a 250 novos casos de paralisia cerebral em Portugal. 2. Cirurgia para o tratamento da espasticidade A espasticidade pode dificultar as actividades do dia-a-dia e afectar negativamente as funções normais do doente. Um dos métodos possíveis para tratar a espasticidade é a medicação antiespástica. No entanto, embora a medicação oral resulte em milhares de pessoas, alguns doentes podem necessitar de doses elevadas para controlar eficazmente a sua espasticidade. Uma dose elevada do medicamento antiespástico pode causar efeitos secundários intoleráveis, como náuseas, vómitos, sonolência, confusão, problemas de memória e de atenção e, contudo, não produzir os resultados desejados. Para alguns destes doentes é mais eficaz administrar pequenas doses do medicamento antiespástico directamente no local onde este é necessário, através da implantação de uma bomba de infusão de medicamento. A utilização deste tratamento é recomendada para o tratamento da espasticidade grave que não é possível de controlar devidamente com a medicação oral. A bomba é implantada cirurgicamente por baixo da pele do abdómen e ligada a um cateter fino e flexível que passa por baixo da pele até ao espaço intratecal na medula espinal, onde administra continuamente doses de medicação controladas de forma precisa para controlar a espasticidade do doente.

Como o medicamento é administrado directamente no local de actuação, são necessárias apenas pequenas doses (geralmente 100 vezes inferiores à dose oral equivalente). Como a quantidade de medicamento que passa a circular no corpo é muito reduzida, diminui a possibilidade de ocorrência de efeitos secundários indesejáveis. Este sistema é colocado durante um procedimento cirúrgico que exige um curto internamento. A cirurgia demora habitualmente cerca de 1 hora e é executada sob anestesia geral. Este tratamento diminui a espasticidade em 92% dos doentes e melhora a sua qualidade de vida. 2.1 Benefícios da bomba de infusão de medicamento O tratamento da espasticidade através de uma bomba de infusão de medicamento implantada pode: • melhorar as funções, incluindo a marcha quando possível, a higiene, as actividades diárias e facilitar a prestação de cuidados; • diminuir a frequência dos espasmos, a dor e a fadiga; • promover a redução do tónus, a amplitude de movimentos e melhorar a posição das articulações; • aumentar a mobilidade; • deve ser complementada com outros tratamentos, como a fisioterapia, a terapia ocupacional e a terapia da fala. Pode ser utilizado para tratar a espasticidade associada a uma série de doenças, como a paralisia cerebral ou a esclerose múltipla. Paralisia Cerebral A bomba de infusão de medicamento implantada ajuda a promover a autonomia nos cuidados pessoais e na interacção social e participativa. Se for disponibilizada no momento certo, esta terapia pode reduzir a extensão das correcções de cirurgia ortopédica ou eliminar a necessidade de intervenções cirúrgicas futuras. Os resultados de estudos realizados têm demonstrado que a redução do tónus muscular obtida com esta terapia pode atrasar ou impedir o desenvolvimento de problemas na anca, e inclusive da luxação. Proporciona um controlo a longo prazo (>3 anos) da espasticidade de origem cerebral, sendo os efeitos secundários habitualmente controlados por ajuste na dose. 3. Contactos úteis Associação Portuguesa de Paralisia Cerebral Av. Rainha D. Amélia, Lumiar, 1600 – 676 Lisboa Tel.: 217 540 692 | Fax.: 217 568 978 E-mail: appcnrs@net.sapo.pt

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