Esclerose Múltipla: O relato de Benjamim
«A minha vida deu uma volta de 180 graus»
Aos 19 anos Paula Marcos Andrade começou a sentir tremores na perna direita. Era impossível não dar importância porque a incomodava bastante, mas não a impedia de fazer a sua vida normalmente. Mesmo assim consultou um médico, fez exames clínicos mas nada foi detectado.
«Os tremores desapareceram assim como apareceram e até aos 28 anos não tive qualquer tipo de sintomatologia», conta Paula Andrade.
Certo dia deu uma queda aparatosa na rua e pensou que tinha algum problema de ossos, uma vez que tinha torcido o pé direito. Consultou um ortopedista mas, mais uma vez, não lhe deram nenhum prognóstico. Aparentemente era saudável.
«Pouco tempo depois da queda estive a trabalhar durante 8 meses no Mónaco», recorda esta lisboeta de 40 anos, que sempre teve uma vida profissional muito activa ligada ao Turismo e Hotelaria.
«Quando voltei para Portugal senti novamente os tremores na perna direita e andava extremamente cansada e com cada vez menos resistência para andar. Desde 1995 até 1999 andei de médico em médico. Não detectavam nada», lembra Paula, prosseguindo:
«Entretanto aconselharam-me a consultar um neurologista, que me mandou fazer ressonância magnética, punção lombar e potenciais evocados e no dia 15 de Março de 1999 recebi a notícia que sofria de esclerose múltipla.»
«Foi um choque», continua, «fiquei deprimida e estive um ano sem trabalhar, mas consegui ultrapassar a situação. Tive de reaprender a viver».
De ano para ano, os sintomas acentuaram-se e a vida imensamente activa que tinha desapareceu. Teve de deixar a vida profissional de guia intérprete e outras actividades ligadas ao turismo por ser incompatível exercer com uma doença como a que lhe acabava de aparecer. Passou a dar aulas na Escola de Hotelaria e Turismo do Estoril (ESHTE), sendo um trabalho que podia adaptar às suas dificuldades de mobilidade. Conduzia, viajava e entre muitas outras coisas, passeava «lá fora cá dentro». Agora, devido às limitações próprias da doença praticamente não sai de casa sozinha.
«A minha vida deu uma volta de 180 graus. Há um ano que uso muleta para andar, sobretudo para me sentir segura e evitar quedas», menciona Paula Andrade, que vive com os pais em Lisboa.
E desabafa: «Nunca fiz muitos projectos a longo prazo e agora, mais ainda, prefiro não pensar no futuro. Vivo o dia-a-dia.»
Devido a reduções nos colaboradores na ESHTE perdeu o emprego em 2004. Apesar das limitações físicas, continua válida a nível profissional. Por isso, até encontrar outro emprego vai continuar a trabalhar como voluntária na Sociedade Portuguesa de Esclerose Múltipla, sobretudo na área administrativa.
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