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Esclerose múltipla: O mistério da substância branca

2 Janeiro, 2010 0

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Perder o controlo do corpo

A esclerose múltipla afecta pessoas de todas as idades, mas é normalmente entre os 20 e os 40 anos que se manifestam os primeiros sinais.

A partir daí a evolução da doença é muito variável, dependendo da gravidade da inflamação e do ritmo a que a mielina se deteriora. Há sintomas que vão e vêm, sem razão aparente: são os surtos, seguidos de períodos de remissão. Nalguns casos, há um regresso completo ao estado anterior, noutros há sintomas que persistem durante várias semanas. E há ainda situações que se caracterizam por uma progressão gradual dos sintomas, com uma perda igualmente gradual do controlo sobre as funções do corpo, sem que se observem melhorias.

Perder o controlo do corpo é, de facto, a característica externa mais evidente da esclerose múltipla. Em consequência da dificuldade ou bloqueio na passagem da informação em determinados circuitos nervosos, há funções que vão sendo afectadas – a visão, o equilíbrio e a locomoção são das funções mais prejudicadas.

Com frequência ocorre inflamação do nervo óptico, o que causa visão turva e embaciada, mas também dor, sobretudo quando se roda o olho. Os dois primeiros dias são mais críticos, tendendo a inflamação a desaparecer após várias semanas, embora a recuperação não seja completa. É por isso que, num quadro de stress, de cansaço ou de febre, a visão pode turvar-se novamente, sem que isso corresponda a novo surto de esclerose múltipla.

A função motora é uma das principais vítimas desta doença, o que se explica pelo facto de o sistema nervoso conter um grande número de fibras que controlam os movimentos.

O que acontece é que há uma perda da força muscular nos braços e nas pernas, a qual pode oscilar entre dificuldade em mover os dedos até à paralisia. Pode mesmo não haver possibilidade de recuperação. Os membros inferiores são mais afectados, pelo que é comum o recurso a auxiliares de marcha (uma bengala, muletas ou até cadeira de rodas).

Agarrar pequenos objectos pode ser uma tarefa árdua para os doentes escleróticos: este cenário significa que a inflamação se instalou no cerebelo, a parte do cérebro que controla o equilíbrio e a coordenação de movimentos. Resultado: as mãos tremem, os passos são atabalhoados.

E quando são danificadas as fibras nervosas que comandam o tacto é como se houvesse uma sensação de encortiçamento nas pernas, parecendo que se caminha sobre algodão. Formigueiro, picadas, corpo dormente são outras das consequências possíveis.

Entre os músculos afectados pontuam os da bexiga e dos intestinos, dois órgãos que estes doentes têm dificuldade em controlar. Assim, sentem com frequência aquilo a que se chama urgência urinária – a necessidade de expelir a urina aos primeiros sinais de que a bexiga está cheia. E, como têm pouca mobilidade, podem sofrer também de obstipação.

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A dor acompanha a esclerose múltipla: nos músculos das costas e das pernas, devido à dificuldade em caminhar, nas pernas e nos braços devido à contractura dos respectivos músculos, bem como na face.

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