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Envelhecimento cerebral » 92 mil portugueses têm demência

5 Fevereiro, 2007 0

Existem muitos tipos de demência, tais como a associada aos acidentes vasculares cerebrais, a frontotemporal, a dos corpos de Levy, ou mesmo nomes mais conhecidos do grande público como a doença de Parkinson ou a doença de Creutzfeldt-Jakob.

No entanto, estamos a falar de casos raros. Em Portugal está a decorrer um estudo de prevalência, mas ainda não foi publicado. Os dados que existem são antigos e estimam que, em Portugal, existam cerca de 92 000 pessoas com demência, das quais 49 000 tenham doença de Alzheimer.

«A doença de Alzheimer é a demência que mais atinge os idosos, principalmente a partir dos 65 anos», começa por revelar o Dr. Frederico Simões de Couto, psiquiatra e investigador no Instituto de Medicina Molecular.

A idade traz com ela determinadas condições que farão o corpo perder algumas das suas capacidades. Não adianta tapar o sol com a peneira, mas sim reconhecer o facto e fazer as necessárias adaptações. Tendo a informação do que pode acontecer, teremos a opção de investir no conceito da prevenção.

«Segundo alguns estudos, o controlo da hipertensão arterial diminui para metade o risco de se ter a doença de Alzheimer. Uma outra actividade que pode retardar o desenvolvimento da doença é a actividade cerebral, com prazer, até tarde», refere o psiquiatra, esclarecendo:

«O envelhecimento é normal no cérebro, mas pode manifestar-se em diferentes graus. Há pessoas que envelhecem de uma forma espantosa e têm o cérebro igual, ou mesmo melhor, ao dos jovens.

Há outros que vão mantendo uma razoável capacidade cerebral mesmo chegando a uma idade avançada, e aqui temos a maioria das pessoas e depois temos um grupo que sofre de demências o que nos faz entrar no campo da doença».

Há um conjunto de detalhes que podem ajudar a estarmos atentos em relação a uma doença da qual não se sabe a origem e que, de acordo com estimativas da Alzheimer Disease International, irá ter um aumento exponencial.

Segundo o investigador, «há uma certa predisposição familiar para esta doença neurodegenerativa embora não se possa garantir que se um dos progenitores teve Alzheimer, algum dos filhos a venha a ter. No entanto, tem uma maior probabilidade mas, e convém dizer isto, não implica uma obrigatoriedade de se desenvolver».

Um dos sintomas mais frequentes neste tipo de demência está relacionado com o aparecimento de falhas de memória até então inexistentes, associada à preocupação que o paciente começa a demonstrar perante uma situação que, para ele, é nova.

Em muitos casos, «as pessoas começam a esquecer-se das datas de aniversário, não se lembram do que disseram, vão às compras e não trazem tudo o que era suposto.

São situações que anteriormente não aconteciam. Outro sintoma é a preocupação que a pessoa começa a demons­trar. A preocupação com a tomada de consciência dessas falhas de memória», menciona Frederico Simões de Couto.

No entanto, podemos estar a cometer essas falhas sem que estejamos, necessariamente, a desenvolver a doença de Alzheimer.

«As falhas de memória podem não ser sintomas da doença. Existe o defeito cognitivo ligeiro, em que as pessoas têm falhas de memória, que não afectam o seu funcionamento diário, mas que não evo­luem para doença de Alzheimer. Apesar disso, é importante entender que, efectivamente, muitos dos casos que começam como defeito cognitivo ligeiro tenderão a desenvolver para doença de Alzheimer.

É como se fossem dois estados. Para se desenvolver aquela patologia passamos pelo defeito cognitivo ligeiro, mas tendo-o não implica, forçosamente, que desenvolvamos a doença de Alzheimer», diz o médico.

Segundo um estudo de 1995 (Ritchie & Kildea), esta patologia atinge entre 8 a 15% da população com mais de 65 anos, «a prevalência da doença de Alzheimer duplica cada 5 anos a partir dos 60 anos. Há até alguns estudos que referem que aos 120 anos todos teremos esta doença», referiu Frederico Simões de Couto.

Outra das questões relacionadas com esta enfermidade degenerativa prende-se com o facto de afectar não só o próprio paciente numa fase inicial mas, posteriormente, a família.

«Na fase inicial, em que o doente começa a tomar consciência da doença, é uma situação muito complicada. Está muitas vezes associada a uma fase de depressão do paciente. Na fase terminal, quem mais sofre é sem dúvida a família.

Entre estas duas fases há um período de tempo, que varia de caso para caso, mas que se pode situar à volta dos 7 anos», esclarece o psiquiatra.

Como linhas mestras dos conselhos médicos no que a esta patologia diz respeito fica «a questão de exercício mental até tarde, o controlo dos factores de risco cardiovasculares e, se surgirem os sintomas, recorrer aos especialistas.

Não adoptar a postura de que se calhar nada se passa. Nós podemos ajudar, mesmo às pessoas que têm doença de Alzheimer. Existem exercícios, padronizados, específicos que podem ajudar a retardar a doença», defende o especialista.

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