Eczema
Os termos eczema ou dermatite são usados, geralmente, de forma sinónima para designar um grupo de alterações inflamatórias da pele, não contagiosas, que causam prurido (comichão) intenso, podendo atingir qualquer faixa etária.
De evolução aguda ou crónica, são clinicamente caracterizadas, na fase aguda, pela presença de eritema (vermelhidão) com posterior aparecimento de pápulas (elevação da superfície cutânea) e vesículas contendo um líquido claro que podem rebentar dando origem a exsudação e, na fase crónica, por liquenificação (aumento da espessura da pele e pregueado natural acentuado).
Esta dermatose resulta da actuação de factores endógenos ou do próprio indivíduo (atopia, alterações vasculares e factores psicológicos), ou exógenos (alergia, traumatismos, factores ambientais) que podem actuar de modo isolado ou combinado. A gravidade da inflamação depende da agressividade do agente causal e da susceptibilidade individual.
Tipos de eczema
Existem vários tipos de eczema, alguns com aspectos clínicos semelhantes mas de causas diferentes:
– Eczema atópico: tipo mais comum de eczema na criança. Surge normalmente nos primeiros meses de vida. Em cerca de 70% dos casos, no doente ou nos familiares, às manifestações cutâneas associam-se outras manifestações de atopia, como asma e/ou rinite alérgica.
– Eczema seborreico: localizado às áreas onde se produz maior sebo, pode ocorrer tanto nos primeiros meses de vida, atingindo o couro cabeludo (crosta láctea) e região das fraldas, como no adulto, estando localizado ao couro cabeludo, face, tórax, dorso ou púbis.
– Eczema de contacto alérgico: surge quando o sistema imunitário reage contra uma substância (alergeno) que entra em contacto com a pele, durante um determinado período de tempo, de forma repetida. Um dos alergenos mais comuns é o níquel, presente, por exemplo, em bijuteria, fivelas de cintos e botões dos jeans.
– Eczema de contacto irritativo: localizado preferencialmente às mãos, é causado pelo contacto com substâncias do quotidiano, como o caso de detergentes e produtos químicos, agressivos e irritantes para a pele.
– Eczema de estase: atinge tipicamente o terço inferior das pernas de doentes com insuficiência venosa crónica (varizes), sendo causado por uma circulação sanguínea deficiente.
– Eczema numular: caracterizado por lesões arredondadas, localizadas ao tronco ou aos membros inferiores, em adultos.
– Eczema desiderótico: Caracteriza-se por vesículas muito pruriginosas localizadas às palmas e plantas que surgem tipicamente com o calor.
Apesar do empenho da comunidade científica ainda não foi possível encontrar uma cura definitiva para o eczema. No entanto, existem várias formas de minimizar o desconforto que este provoca.
A base do seu tratamento consiste na aplicação diária de emolientes (hidratantes) que reduzem a perda de água através da pele, prevenindo a xerose (secura) cutânea normalmente associada ao eczema.
Funcionam como uma barreira para as agressões do meio ambiente, tornando a pele menos seca e pruriginosa. Quando não são suficientes, há necessidade de recorrer a fármacos como os corticoides, que deverão ser usados temporariamente e sob criteriosa vigilância médica. Nas situações em que o prurido é intenso recorre-se ao uso de anti-histamínicos.
Dra. Mariana Cravo
Dermatologista
Jornal do Centro de Saúde
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