Os tipos de patologia da próstata mais frequentes são a Prostatite, a Hipertrofia Benigna da Próstata e o Cancro da Próstata, sendo que a incidência destas duas últimas doenças tem sido maior nas últimas décadas, devido não só ao aumento da esperança média de vida, como pelos novos métodos de diagnóstico e tratamento.
Neste sentido, é cada vez mais determinante o aconselhamento e a divulgação da informação sobre as doenças da próstata e a terapêutica, bem como, a sensibilização para o diagnóstico precoce.
Segue-se uma breve caracterização destas patologias, com especial incidência nos seus sintomas e diagnóstico.
Prostatite
É o nome dado à inflamação da próstata, havendo três tipos de prostatite: prostatite aguda infecciosa, prostatite crónica infecciosa e prostatite não infecciosa.
O nome prostatite infecciosa pode induzir em erro, pois não se trata de uma doença contagiosa, não podendo ser considerada como sexualmente transmissível (uma DST). O modo como a próstata pode ser infectada não é muito claro. No entanto, sabe-se que os agentes microbianos que causam a prostatite provêem geralmente da uretra, por refluxo de urina infectada para o interior dos ductos prostáticos.
A prostatite aguda é causada por bactérias, necessitando de urgente tratamento antibiótico. A prostatite crónica é geralmente causada por bactérias mas também por fungos e parasitas. A prostatite não infecciosa é mais frequente do que a infecciosa, não sendo causada por bactérias nem por outros agentes microbianos. Na verdade, a sua causa é desconhecida.
Os riscos de contrair esta inflamação aumentam com certas condições e procedimentos médicos, nomeadamente em casos de:
• Uma recente instrumentação uretral no decorrer de uma intervenção cirúrgica ou em casos de retenção aguda da urina:
• Existência de HBP, provocando dificuldade miccional;
• Uma infecção urinaria recente;
• Uma qualquer malformação congénita do aparelho urinário.
Sintomas
Os sintomas dependem do tipo de prostatite. Variam entre a quase inexistência de sintomas e sintomas súbitos e severos que obrigam a consulta médica, sendo mais intensos no caso da prostatite aguda, e habitualmente pouco intensos na prostatite crónica e na não infecciosa. Quando presentes, podem incluir febre, arrepios, aumento da frequência urinária, micção dificultada com sensação de dor ou ardor, dor perineal, dores articulares e musculares, sangue na urina e ejaculação dolorosa.
De notar que os sintomas da prostatite podem assemelhar-se aos sintomas de outras doenças, devido à proximidade anatómica entre a uretra, a bexiga e a próstata. Situações que afectem qualquer um destes órgãos podem dar origem à sobreposição de sintomas.
Diagnóstico
Os exames mais comuns para diagnóstico da prostatite passam pelo toque rectal e pela colheita de urina pelo método dos 3 frascos para pesquisar a presença de glóbulos brancos e bactérias e que ajudará o médico a determinar se se trata de uma inflamação ou uma infecção e se é originado na uretra, bexiga ou Próstata.
Hipertrofia Benigna da Próstata
A Hipertrofia Benigna da Próstata (HBP) é uma patologia bastante frequente na população masculina e está associada ao aumento da próstata à medida que o homem amadurece. Estima-se que 50% dos homens aos 60 anos e 90% aos 80 anos sejam atingidos pela HBP, tornando-se numa doença que quase ocorre de forma universal no homem. Em Portugal realizam-se anualmente cerca de 10.000 operações por HPB.
O crescimento da próstata dá-se em dois períodos da vida do homem: durante a puberdade, em que a próstata duplica o seu tamanho, e a partir dos 30 anos quando recomeça a crescer. Este segundo crescimento resulta, geralmente, na HBP, daí que a doença raramente se manifeste antes dos 40 anos.
Desenvolvimento da HBP
A próstata é envolvida por um revestimento externo, designado de cápsula prostática, que por ser pouco extensível contraria o normal crescimento da próstata. Esta começa então a comprimir a uretra dificultando a saída da urina. Consequentemente, a parede da bexiga aumenta a sua espessura pois é necessário um esforço maior para expulsar a urina, o que provoca a sua irritabilidade e sensibilidade. À medida que força muscular da bexiga diminui, ela perde também a capacidade de esvaziar-se a si própria e a urina começa a ficar parcialmente retida, a chamada retenção urinária parcial. Em situações extremas pode mesmo chegar à retenção urinária completa, não conseguindo o homem urinar.
Sintomas
Os sintomas da HBP são provocados tanto pela obstrução da uretra como pela gradual perda da função da bexiga, que resulta no seu esvaziamento incompleto.
Estes sintomas são variáveis no entanto os mais comuns são:
• micções mais frequentes, especialmente durante a noite;
• jacto urinário fraco, hesitante ou interrompido;
• sensação de urgência miccional, por vezes com pequenas perdas involuntárias de urina.
O grau de obstrução da próstata ou dos sintomas nem sempre está relacionada com o tamanho da próstata. Há casos de obstrução mínima e poucos sintomas em homens com grandes próstatas, e de elevado grau de obstrução e mais sintomas em homens com próstatas menores. Quando uma obstrução parcial está presente, a retenção urinária aguda pode ser desencadeada pela ingestão de álcool, por uma temperatura fria, por um longo período de imobilidade, por uma infecção urinária ou pela tomada de alguns medicamentos.
Com o decorrer do tempo a HBP pode causar problemas maiores. A retenção urinária parcial com resíduo miccional progressivamente crescente pode resultar em infecções urinárias, incontinência, pedras na bexiga e lesões do rim.
Diagnóstico
Nem todos os doentes passam pelos mesmos exames pois estes variam consoante os casos. No entanto, os exames mais comuns são:
• Toque rectal
Geralmente, o primeiro exame a ser realizado e dá ao médico uma ideia sobre o tamanho e a consistência da próstata. Tem uma elevada eficácia para diferenciar um crescimento prostático benigno de um maligno.
• Ecografias
A ecografia prostática é feita com uma sonda transrectal através da qual conseguem-se imagens do interior da próstata, que é impossível de estudar através do toque rectal.
• Fluxometria urinária
Análise do fluxo miccional que regista e mede as características do jacto urinário. Um fluxo reduzido sugere HBP
• Medição do resíduo urinário pós-miccional
Resíduo urinário pós-miccional é a quantidade de urina que fica na bexiga logo após a micção. A sua avaliação, geralmente através de ecografia, é extremamente importante, pois a existência de um resíduo elevado significa que existe um enfraquecimento da força de contracção da bexiga.
• Cistoscopia
Neste exame o urologista insere um estreito tubo através da uretra até à bexiga, após aplicar um anestésico local. O tubo contém uma lente e um sistema de iluminação que permitem observar o interior da uretra e da bexiga, identificando o local e o grau da obstrução uretral e mostrando a bexiga e a eventual presença de pedras ou de formações anormais.
Cancro da Próstata
O cancro da próstata, tumor maligno que se desenvolve no interior da glândula prostática, é dos cancros mais comuns e frequentes no homem, aumentando a sua incidência com a idade, particularmente após os 50 anos.
Em Portugal, o cancro da próstata ocupa o terceiro lugar da incidência de doenças oncológicas e o segundo em taxa de mortalidade, sendo responsável por cerca de 1800 mortes, por ano.
Assim como noutros cancros a causa do cancro da próstata é desconhecida, sendo mais frequente em homens afro-americanos e em homens com um histórico familiar da doença.
Na maioria dos homens, o cancro cresce de forma lenta, podendo mesmo muitos desconhecer que têm a doença, daí que 50 a 70% dos doentes podem apresentar doença localizada avançada e/ou metastática no momento do diagnóstico. Se for detectada cedo, pode ser eficazmente tratada e curada. Para tal, é importante determinar o grau e o estádio do cancro. O grau indica a velocidade do crescimento do cancro – quanto maior o grau, maior a probabilidade do cancro crescer e espalhar-se rapidamente, sendo o estádio do cancro determinado pelo tamanho e extensão do tumor.
Sintomas
Em fase inicial, o cancro da próstata não tem qualquer sintoma. Numa fase posterior, pode causar obstrução miccional, como a HBP. Os sintomas obstrutivos são marcados por uma micção prolongada, a diminuição da força e calibre do jacto urinário, a dificuldade em interromper a micção, a sensação de micção incompleta, a retenção urinária aguda ou crónica e a incontinência por regurgitação.
Com frequência surge aquilo a que se chama instabilidade vesical, situação em que surgem contracções que o doente não consegue inibir. Existem ainda os sintomas irritativos, que são o aumento de frequência diurna e nocturna e a necessidade imperiosa de urinar com ou sem incontinência urinária.
Podem também aparecer ainda outro tipo de sintomas como a dor á micção ou os resultados de uma insuficiência renal com anemia, sede e quebra do estado geral.
Diagnóstico
Além dos exames prostáticos normais, o diagnóstico do cancro da próstata é geralmente feito com base no PSA e na biopsia prostática.
O PSA (antigénio específico da próstata) é considerado um marcador tumoral cujo doseamento é utilizado no diagnóstico e determinação do estádio do cancro da próstata, bem como para monitorizar a evolução e a resposta à terapêutica instituída.
Quanto à biopsia, trata-se de um elemento fundamental para o diagnóstico do cancro da próstata, sobretudo nos casos em que a doença está localizada ou pouco avançada. Permite determinar elementos sobre o tipo de diferenciação celular, a arquitectura e o volume tumoral ou a permeação linfática, vascular e nervosa.
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