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Meningite: Maior incidência verifica-se até aos 2 anos

A Meningite é a inflamação das membranas que cobrem o cérebro. A meningite viral é a mais frequente; habitualmente benigna, sem sequelas, exige apenas o tratamento dos sintomas. Muitos vírus podem ser responsáveis.

O mesmo vírus pode condicionar doença banal numa criança (febre, constipação) e meningite noutra, sem que esta seja mais susceptível às infecções. A inclusão da vacina contra a parotidite epidémica (papeira) no Programa Nacional de Vacinação em 1987, causou uma diminuição dos internamentos por meningite viral.

A meningite tuberculosa, que evolui com sequelas muito debilitantes, é actualmente rara. O BCG (vacina contra a tuberculose), no período neo-natal, é importante na prevenção desta doença.

Os sintomas, no lactente, incluem recusa alimentar, vómito, irritabilidade, gemido, prostração, febre, fontanela (moleirinha) muito tensa.

Nas crianças maiores: náusea e vómito, dor de cabeça, intolerância à luz, febre, prostração. Pode haver alteração do estado de consciência e convulsões.

Haemophilus influenzae b (Hib) era uma causa importante de meningite. Assistiu-se a uma grande diminuição da incidência da doença desde a comercialização da vacina em 1994, e posterior integração no Programa Nacional de Vacinação, em 2000.

O meningococo causa a maioria dos casos de meningite bacteriana, sendo o que maior mortalidade condiciona. Em Portugal, estudos epidemiológicos demonstraram que cerca de 50% dos casos se deviam ao meningococo serogrupo B e 50% ao serogrupo C.

A vacina conjugada C foi comercializada em 2001 e integrada no Programa Nacional de Vacinação em 2006, simultaneamente com uma campanha, visando proteger todos os indivíduos não vacinados, até aos 18 anos. Desde a comercialização da vacina assistiu–se a uma diminuição dos casos, apesar da vacina não proteger contra o serogrupo B.

Na meningite pneumocócica a incidência de sequelas é elevada. São factores de risco: idade inferior a 2 anos, doença crónica (diabetes, doença renal, pulmonar, ou do sangue), ausência de baço e deficiências do sistema imunitário, sendo consideradas de risco relativo as crianças até aos 5 anos que frequentem infantário.

A vacina conjugada de 7 serotipos foi comercializada em 2000, dependente de prescrição médica, sendo recomendada às crianças abaixo dos 2 anos e às que pertencem aos grupos de risco. Protege contra os 7 serotipos que mais frequentemente causam doença grave na criança, havendo, no entanto, muitos serotipos circulantes.

A quimioprofilaxia utiliza-se nas meningites por meningococo e H influenzae. Consiste no tratamento antibiótico dos contactos íntimos de um caso, para eliminação do estado de portador e prevenção de casos secundários.

O projecto SARA-MENINGITES (Serviço de Alerta e Resposta Adequada), iniciado em 1997, implica o contacto imediato entre o hospital e a Autoridade de Saúde, em todos os casos de meningite, para actuação precoce a nível comunitário, nomeadamente escolas, seja instituição de profilaxia, quando indicada, ou medidas educativas para desmistificar receios.

As meningites bacterianas, nomeadamente meningocócica e pneumocócica, podem ser graves. A maior incidência verifica-se até aos 2 anos. Na maioria dos casos, as bactérias atingem as meninges através da corrente sanguínea, após contacto respiratório com um portador assintomático da bactéria.

Dra. Ana Leça,
Pediatra, Direcção Geral da Saúde

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