Doentes reumáticos insatisfeitos com o controlo da sua dor - Médicos de Portugal

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Doentes reumáticos insatisfeitos com o controlo da sua dor

7 Outubro, 2008 0

Um estudo realizado junto de 1686 doentes e 56 reumatologistas, revela quais os aspectos das doenças reumáticas em que os doentes mais gostariam de ver progressos.

O principal objectivo deste estudo foi o de melhor compreender a dor dos doentes reumáticos e a forma como estes estão a ser tratados. Devido à grande quantidade de doentes e médicos incluídos, tanto de instituições públicas como de consultórios privados, este estudo consegue ser bastante representativo da realidade nacional, para além de ter vindo colmatar uma lacuna existente nesta área.

A dor é uma importante causa de sofrimento, afectando negativamente o bem-estar, a saúde fisíca e psicológica, e a qualidade de vida dos que dela sofrem. Como patologias de carácter agudo ou crónico, as doenças reumáticas têm um lugar de destaque como fonte de dor e de incapacidade.

Deste estudo podemos concluir que a maior prioridade dos doentes relativamente aos sintomas em que gostariam de ver melhorias diz respeito à “dor do reumatismo” (70,04%). É na osteoartrose que os doentes mais tendem a valorizar a dor (74,01%), ao passo que os que sofrem de artrite reumatóide tendem a valorizar mais o prejuízo funcional (51,42%), ou seja, a capacidade de moverem as mãos e os dedos. Consequentemente, acabam por ser também os doentes com osteoartrose a mostrar menos satisfação relativamente à forma como a sua dor está a ser tratada. Factores como estes levam à conclusão de que no caso da osteoartrose os doentes gostavam de ver melhorias no tratamento da sua dor.

Quanto aos tratamentos usados nas patologias do foro reumatológico, verificou-se um claro predomínio dos fármacos anti-inflamatórios, que possuem uma acção limitada do ponto de vista analgésico, tanto nas referências dos doentes como nas intenções de prescrição dos reumatologistas. Na lista de fármacos referidos pelos doentes e pelos médicos, verificou-se uma quase ausência dos opióides fortes (opióides agonistas tipo morfina, transdérmicos, agonistas parciais, agonistas-antagonistas mistos). Apenas 4,9% dos doentes afirma estar a receber tratamento com base em opióides fracos em combinação.

Para muitos médicos, a dor é desvalorizada relativamente à investigação e tratamento da etiologia das patologias que lhe dão origem, numa relação inversa às expectativas do doente que, por sua vez, se interessa em primeiro lugar pelo alívio sintomático dos seus problemas de saúde. Porém, para além da sua expressão como sintoma, a dor pode constituir-se como entidade clínica própria, ao tornar-se crónica e independente de uma etiologia explicável.

Em Portugal, a exemplo do que tem sido definido por instâncias internacionais como a Joint Commission on Accreditation of Healthcare Organizations (Comissão Conjunta para a Acreditação de Organizações dos Serviços de Saúde) dos EUA, a dor foi classificada como o 5º Sinal Vital, através de Circular Normativa da Direcção Geral da Saúde emitida em Junho de 2003. Uma das consequências mais relevantes dessa classificação, é a de que os profissionais de saúde deverão valorizar a intensidade com que os doentes referem sentir a dor, medindo-a através de escalas próprias e anotando-a no processo clínico. Esta metodologia de avaliação da dor, porém, ainda não é generalizadamente utilizada, como o provam os resultados do estudo acima descrito.

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