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De um perfil de técnico para um estatuto de profissional

31 Agosto, 2005 0

Porém, na maioria dos hospitais em Portugal, naturalmente vocacionados para cuidados diferenciados, a Fisioterapia encontra-se ainda inserida em Serviços de Medicina Física e Reabilitação, com um modelo da prestação de cuidados mediatizado exclusivamente por aquela especialidade médica.

Tal situação tem ocasionado serviços desarticulados das restantes unidades hospitalares, sem resposta eficiente para os doentes internados e muitos deles totalmente virados para o ambulatório, desvirtuando o verdadeiro objectivo do atendimento nos hospitais.

Nas Unidades de Fisioterapia, a formação é realizada tanto dentro como fora da organização, havendo em Portugal grande tradição de programas de desenvolvimento, quer realizado a nível institucional, quer pela própria Associação Profissional dos Fisioterapeutas.

A Associação Portuguesa de Fisioterapeutas tem desenvolvido grande número de actividades de formação com vista não só a colmatar necessidades dos fisioterapeutas, mas também numa postura de desenvolvimento de novas metodologias e técnicas, permitindo que os fisio­terapeutas portugueses se encontrem ao nível dos seus pares europeus.

Hoje em dia, com o crescente número de escolas, muitas dedicam-se também à realização de programas pós-graduados.

A proposta da Fisioterapia valoriza a visão holística do doente, no sentido de um ganho efectivo de qualidade de vida, sendo que uma abordagem em equipa valoriza essa proposta.

A seguir ao estabelecimento de um diagnóstico de fisio­terapia, os doentes seguem um programa de tratamento próprio, dirigido para a sua condição específica, sendo assegurado um ensino ou educação nos aspectos que têm implicações para a sua condição e no sentido de uma melhor adaptação ao ambiente que os cerca.

O objectivo é a recuperação ou alívio dos sintomas num dado período de tempo e a aquisição de conhecimentos, motivação e autoconfiança no sentido de manter os ganhos adquiridos. Para a concretização destes objectivos e para serem atingidas as expectativas dos clientes são necessários recursos humanos, equipamentos, infra-estruturas.

No entanto, os Serviços de Fisioterapia devem também preocupar-se por serem financeiramente viáveis, o que a não ser verdade restringe o seu potencial crescimento.

As Unidades de Fisioterapia devem ser reconhecidas como locais disseminadores de conhecimento, tanto para doentes como para estudantes ou profissionais, e possuidoras de recursos de investigação, de forma a terem reputação tanto clínica como académica, contribuindo não só para a melhoria da prática clínica, mas também para a perpetuação das profissões.

Assim, parece ter de se exigir que o Poder encontre as soluções adequadas ao melhor e funcional ordenamento de uma profissão em franca expansão, não compatível, pela qualidade dos seus profissionais e estrutura social subjacente, com a sua dependência directa de quem há muito, ou por opção política ou por reacção, começou a reconhecer a sua incapacidade para a respectiva tutela.

Dr.ª Isabel de Souza Guerra
Fisioterapeuta, Mestre em Gestão de Serviços de Saúde
Presidente da Associação Portuguesa de Fisioterapeutas

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