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Cuidar de doentes de Alzheimer

13 Agosto, 2007 0

«O cuidador é frequentemente a segunda vítima da doença»

Tal como o caso de Olga Simões, o cuidador é, por norma, da família ou um amigo, o que garante a melhor assistência possível. Para o Dr. José Vale, neurologista, o papel do cuidador é extremamente importante porque é ele que «assegura a satisfação das necessidades do doente e que garante o fornecimento dos cuidados assistenciais. Além disso, é reconhecida a sua influência na redução dos problemas comportamentais e na deterioração das capacidades funcionais».

A tarefa é difícil e exige uma disponibilidade quase permanente, o que dá origem a quem múltiplos factores contribuam para o desgaste do cuidador.

Dificuldades psicológicas, sobrecarga de trabalho, problemas financeiros e isolamento social são alguns dos problemas apontados pelo especialista.

Por outro lado, «vários estudos indicam que a depressão e outras doenças crónicas são mais comuns nos cuidadores de doentes com doença de Alzheimer que nos cuidadores de outras doentes crónicos não dementes», refere José Vale, acrescentando:

«O cuidador é frequentemente a segunda vítima da doença e deve ser protegido. As intervenções a desenvolver junto do cuidador devem incluir: apoio psicológico e assistência médica, educação e informação (através do médico assistente e associações de doentes) e apoio social.»

Nesta medida, o cuidador aceita toda a ajuda que lhe for dirigida e, deste modo, surge o programa ‘Ajudar é Cuidar’.

«É uma excelente iniciativa, resultado de uma parceria dos laboratórios Pfizer com a APFADA. Através deste programa os doentes mais carenciados poderão ter acesso ao tratamento a um preço quase simbólico e por tempo indeterminado. Se considerarmos que a doença de Alzheimer atinge sobretudo os idosos e que estes representam um dos grupos mais desfavorecidos da sociedade, é fácil imaginar que o programa terá grande sucesso», conclui o neurologista.

As fases da doença de Alzheimer

Na doença de Alzheimer verifica-se uma perda progressiva das funções cognitivas, que se associa frequentemente a manifestações psiquiátricas e alterações do comportamento.

Na fase inicial, predominam as alterações da memória (esquece o nome de pessoas próximas, não retém a informação aprendida) e pode perder-se em lugares não familiares. É frequente a ocorrência de depressão.

Com a evolução da doença surgem dificuldades crescentes no desempenho nas actividades da vida diária – desde as actividades instrumentais (incapacidade para usar electrodomésticos, esquecimento de obrigações e pagamentos, entre outras), até às actividades básicas como o vestir ou a higiene pessoal, ficando o doente cada vez mais dependente da ajuda de terceira pessoa.

Nas fases mais avançadas, são frequentes as alterações do comportamento (agitação, agressividade) e do sono; os doentes ficam incontinentes e perdem a capacidade para a marcha, terminando acamados.

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