Crianças com paralisia cerebral podem melhorar a qualidade de vida: Cirurgia diminui 92 por cento da espasticidade - Médicos de Portugal

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Crianças com paralisia cerebral podem melhorar a qualidade de vida: Cirurgia diminui 92 por cento da espasticidade

15 Julho, 2008 0

Mais de 100 crianças portuguesas com paralisia cerebral podem melhorar a sua qualidade de vida através de uma cirurgia que diminui 92 por cento da espasticidade, que se caracteriza pela rigidez muscular que dificulta ou impossibilita o movimento, em especial dos braços e dos membros inferiores.

A cirurgia de tratamento da espasticidade consiste na colocação de uma pequena bomba de infusão de medicamento, implantada por baixo da pele do abdómen e que administra continuamente doses de medicação de forma precisa, de forma a permitir o controlo da espasticidade do doente, explica o Dr. José Brás, neurocirurgião do Hospital dos Capuchos.

Como o medicamento é administrado directamente no local onde este é necessário diminui a possibilidade de ocorrência de efeitos secundários como náuseas, vómitos, sonolência, confusão, problemas de memória e de atenção, e é muito mais eficaz que a medicação oral.

O especialista médico adianta ainda que a bomba de infusão de medicamento implantada diminui a frequência dos espasmos, dor, fadiga, aumenta a mobilidade do doente e pode melhorar as suas funções e actividades diárias. Se for disponibilizada no momento certo, esta terapia pode reduzir as necessidades de cirurgias ortopédicas futuras.

De acordo com a Dra. Graça Andrada, presidente da Federação das Associações Portuguesas de Paralisia Cerebral (FAPPC), esta terapia permite que algumas crianças possam ter uma qualidade de vida melhor e, se for realizada entre os 6 a 12 anos, evita também as deformidades quando se tornam adultas. Desta forma, ao permitir o acesso a esta cirurgia, estaremos a prevenir complicações futuras que, para além do sofrimento humano, obrigam a custos superiores em medicação, cirurgias ortopédicas e reabilitação.

No entanto, ainda não existe um Hospital em Portugal que possibilite o acesso a esta cirurgia em crianças com paralisia cerebral com menos de 16 anos, apesar do vasto número de crianças com indicação médica para serem sujeitas a esta terapia, alerta a Dra. Graça Andrada.

A pricipal razão apontada é a falta de material para implantação da bomba de infusão que, dado o seu custo, não é adquirida pelos hospitais portugueses. É também necessário incentivar os serviços médicos a criar condições para realizar esta cirurgia em prol da melhoria de qualidade de vida de todas as crianças portuguesas que sofrem de paralisia cerebral, conclui a presidente da FAPPC.

A espasticidade afecta, negativamente, os músculos e as articulações das extremidades, causando movimentos e posturas anormais e é especialmente prejudicial nas crianças em crescimento.

Os sintomas podem variar desde uma leve contracção até uma deformidade severa. A impossibilidade de controlar os músculos voluntários poderá aumentar o grau de dificuldade para realizar actividades diárias tais como vestir, comer, escovar os dentes ou os cabelos, e portanto, reduzir a funcionalidade e participação da criança, jovem e adulto com paralisia cerebral.

A paralisia cerebral caracteriza-se por uma perturbação do controlo da postura e movimento, como consequência de uma lesão cerebral que atinge o cérebro em período de desenvolvimento. Todos os anos surgem aproximadamente 200 a 250 novos casos de paralisia cerebral em Portugal.

Estima-se que 80 entre cada 100 pacientes de paralisia cerebral têm espasticidade.

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