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Cozinha Inteligente: Choque nutricional para o aumento da produtividade

10 Janeiro, 2010 0

Além de não ter o combustível do cérebro (hidratos de carbono), um excesso de proteínas (do bife) pode levar a um estado depressivo pelo decréscimo da serotonina no cérebro. Resultará, também, numa maior dificuldade em lidar com situações de stresse, particularmente nos mais vulneráveis.

Devemos fazer uma refeição ligeira, centrada num fornecedor de hidratos de carbono (arroz, massa, batata ou leguminosas), acompanhada por uma moderada fonte proteica (carne magra ou peixe), ornamentada com hortaliças e rematada por uma peça de fruta.

O peixe gordo (atum fresco, sardinha, cavala e salmão) merece destaque, pois o seu consumo, pela sua riqueza em ómega-3, está associado à diminuição do risco de demência e doença de Alzheimer Controle o tamanho da refeição comendo uma sopa no início e uma peça de fruta de baixo IG (maçã, por exemplo) uma hora antes. Para contrariar a sonolência e não ver degradada a performance durante a tarde, não se esqueça de pedir um café.

Bem sei que, neste momento, o seu cérebro já se encarregou de lhe lembrar do chocolate. Além de possuir uma quantidade pequena de cafeína, o chocolate, particularmente o preto, tem teobromina em quantidades únicas, um metabolito mais fraco da primeira. Estes compostos são os principais responsáveis pelas suas propriedades psicofarmacológicas, estimulando o humor. As características organolépticas do chocolate podem, também, ter um papel importante no desejo de o comer.

A sua temperatura de fusão é de 37ºC, derretendo-se de imediato quando em contacto com a boca! Todavia, o chocolate distingue-se de outros alimentos moduladores da cognição por poder interferir de forma ambivalente no estado emocional. Se desperta emoções positivas, durante e imediatamente após o consumo, pode desencadear sentimentos de culpa mais tardiamente, de forma mais acentuada naqueles que ingloriamente tentam controlar o peso. Esta punição de ordem cognitiva basear-se-á no sentimento de perda de auto-controlo da ingestão de alimentos “maus” e na pressão social para a magreza.

Deste modo, inclua nas merendas da manhã e tarde barras de cereais, bolachas integrais, pão integral, fruta, néctares, iogurte, leite fermentado adicionado de fitósterois (se tiver colesterol elevado) ou de peptídeos inibidores da enzima conversora da angiotensina (se for hipertenso). Café não! A não ser que pretenda que o dia de trabalho invada a noite. Hoje, tomei!

Na realidade, os efeitos que os factores nutricionais têm na função cerebral e no comportamento são subtis, transitórios e sujeitos a serem alterados pelo estado emocional e motivacional. Tendo isto presente, o desafio dos nutricionistas é o de integrar o conhecimento científico existente e sugerir a aplicação de políticas alimentares nas organizações que potencialmente melhorem o funcionamento intelectual e humor dos seus colaboradores, ainda que ligeiramente.

Se achou interessante esta abordagem, pode adoptar algumas das sugestões, com benefício pessoal, e/ou promover a sua implementação na organização em que colabora, com vantagem colectiva. Alguns exemplos são a instituição do pequeno-almoço em grupo no local de trabalho e a distribuição gratuita de “estimuladores intelectuais”, como café, água, pastilhas-elásticas, pão integral e fruta. Se não valoriza a associação entre ingestão nutricional e performance cognitiva é porque ainda não tomou café hoje.

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