Contributo da ecocardiografia para o seguimento da doença coronária
Prognóstico
A função sistólica do ventrículo esquerdo é o principal marcador de prognóstico a longo prazo após EAM.
A ecocardiografia permite avaliar outras anomalias associadas com mau prognóstico como disfunção diastólica, envolvimento do ventrículo direito e insuficiência mitral. A insuficiência mitral está associada a aumento da mortalidade cardiovascular, mesmo quando é ligeira e existe uma associação entre esta e dilatação do ventrículo esquerdo.
Outros factores que influenciam o prognóstico: padrão restritivo, dilatação da aurícula esquerda, disfunção do ventrículo direito e isquemia residual após EAM.
Ecocardiografia de stress (eco stress)
Tem as mesmas indicações da prova de esforço e cintigrafia de perfusão miocárdica.
A sobrecarga poderá ser com exercício ou com fármacos: dobutamina ou dipiridamol/adenosina.
Esta técnica consiste na obtenção de imagens de múltiplas incidências ecocardiográficas em repouso e imediatamente após a conclusão do exercício ou no caso de sobrecarga farmacológica com aquisições adicionais em fases intermédias e na recuperação, sendo possível a monitorização ecocardiográfica contínua durante a infusão do fármaco.
A digitalização de imagens ecocardiográficas e a visualização lado a lado de imagens de repouso e stress permite avaliar melhor o aparecimento de ACS, sendo possível obter imagens ecocardiográficas de stress de adequada qualidade em até 95% dos doentes, desde que bem seleccionados. A localização destas ACS serão correlacionadas com a(s) artéria(s) coronária(s) que irrigam esse territórios.
O ecocardiograma de stress farmacológico ou com exercício é muito útil na detecção de doença coronária, estratificação de risco, previsão de viabilidade miocárdica e prognóstico. No ECO STRESS normal a cavidade ventricular esquerda diminui de tamanho e todos os segmentos se tornam hiperdinâmicos; é um marcador de excelente prognóstico (ver Fig. 4). No ECO STRESS anormal há desenvolvimento de ACS induzidas pelo stress e a localização destas permite determinar qual a artéria coronária que apresenta estenose. A extensão e severidade correlaciona-se com o grau de isquemia miocárdica (ver Fig. 5). A dilatação do ventrículo esquerdo durante o stress e o aparecimento de alterações da contractilidade segmentar em territórios de diferentes distribuições vasculares sugere doença multivasos.
Detecta-se viabilidade miocárdica quando há melhoria da função sistólica com doses baixas de dobutamina numa área de miocárdio que sofreu enfarte; tem valor comparável à tomografia de emissão de positrões.
A ecocardiografia de stress na detecção de doença coronária apresenta uma sensibilidade de 85% e especificidade de 84%, que são idênticas às técnicas de cardiologia nuclear. Os falsos positivos devem-se habitualmente a cardiomiopatias não isquémicas e erro de interpretação de imagens de deficiente qualidade, sendo causas de falsos negativos o exercício submáximo, o exame efectuado sob terapêutica anti-isquémica, má qualidade de imagem, atraso na colheita de imagens pós-exercício e na estenose moderada de um vaso.
O eco stress tem como vantagens a sua versatilidade, a possibilidade do ecocardiograma basal poder procurar doença miocárdica, valvular ou pericárdica, não ser invasiva, sem exposição a radiações, portátil, o curto período de tempo entre a sua execução e interpretação e ser mais barata do que as técnicas de stress com radionúclidos. Como limitações é de referir ser uma técnica dependente da experiência do operador e da qualidade da imagem.

