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Café: Proteja a saúde com duas chávenas de café

Bebe café e desconhece o seu real impacto na saúde? Se é um céptico em relação aos benefícios desta bebida, saiba que os últimos estudos realizados dão conta de que duas chávenas de café por dia concedem um efeito protector ao organismo.

O centro de saúde constitui a porta de entrada dos pacientes no serviço nacional de saúde, sendo o espaço privilegiado de diálogo e desmistificação de certas noções erradas de senso comum. Daí ser frequente chegarem aos médicos de família várias dúvidas, principalmente as que estão relacionadas com os efeitos do café na saúde. Mas afinal o café beneficia ou prejudica a saúde das pessoas?

O Dr. Carlos Martins, médico de família do Centro de Saúde de S. João e assistente de Medicina Preventiva, na Faculdade de Medicina do Porto, fez uma comparação entre a evidência empírica – o que a ciência provou – e as percepções relacionadas com o impacto da ingestão de café na saúde. E as conclusões surpreenderam-no: os malefícios do café para a saúde são quase inexistentes.

De acordo com várias dezenas de estudos, duas chávenas de café por dia produz uma melhoria no estado de saúde: “Conclui-se que a ingestão regular de café até tem um efeito protector no que diz respeito ao desenvolvimento da diabetes tipo 2, efeito extensível ao controlo da hipertensão arterial”, afirma o médico.

 

Ingestão de café e doenças cardiovasculares

Para Carlos Martins, também orador no colóquio “Benefícios do Café”, integrado na 1.ª Feira do Café, que decorreu, entre os dias 11 e 13 de Setembro, em Marvão, as pessoas hipertensas não devem recear beber café, porque “os efeitos do seu consumo ao nível da tensão arterial são quase nulos”.

Por oposição, o médico ressalva a importância em investir em outras áreas, nomeadamente no controlo dos factores de risco cardiovascular: redução de sal na dieta e a prática regular de exercício físico.. “Se as pessoas hipertensas tiverem estes cuidados, poderão desfrutar sem medos do prazer de beber café, dado que não há prova científica que revele que o seu consumo prejudica a saúde”, acrescenta.

Segundo Carlos Martins, os profissionais de saúde contribuíram para a disseminação de alguns mitos sobre os efeitos do café junto dos pacientes, como os que questionam os benefícios da sua ingestão pelos doentes que sofreram um enfarte agudo de miocárdio.

O médico vai mais longe e revela-lhe os resultados de um estudo que envolveu doentes que tinham sido atingidos por este evento cardiovascular. “Verificou-se que o consumo de café no pós-enfarte é francamente seguro, muito embora, ainda se desconheçam as causas.”

Este especialista salienta, ainda, que, por vezes, no pós-enfarte ou no pós-AVC (acidente vascular cerebral), a adopção de medidas restritivas) como deixar de tomar café) gera uma diminuição da qualidade de vida do doente, podendo este vir a desenvolver um quadro de depressão, que pode facilitar as recidivas (voltar a ocorrer o enfarte ou o AVC).

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Cérebro mais protegido?

Carlos Martins revela que os efeitos protectores do café se evidenciam igualmente ao nível da prevenção das doenças neurodegenerativas. Segundo afirma, “a ingestão de café aumenta o estado de alerta, a concentração e reduz o risco de demência. Beber café “reduz mesmo o risco de desenvolvimento da Doença de Parkinson nos homens e, após a menopausa, nas mulheres que não tomem a terapia hormonal de substituição”, remata.

O médico de família realça, no entanto, que é fundamental que haja decisões partilhadas entre o médico e os seus pacientes, porque “cada caso é um caso” e o seu historial clínico deverá ser sempre considerado, quer no aconselhamento ligado à ingestão de café, quer em relação a outros aspectos. Isto porque “as noções de equilíbrio e individualidade são fundamentais em saúde”, frisa.

 

Prós e contras de um café

Embora haja alguma unanimidade por parte dos estudos, beber café não é para todos. Saiba quais são as excepções.

– Os resultados de estudos realizados com mais de 100 mil pessoas revelam que o café tem um efeito protector no que respeita ao desenvolvimento de cirrose hepática;

– A ingestão de café melhora a resistência física e parece haver um efeito benéfico na prevenção do cancro do cólon.

– Existem, porém, algumas dúvidas sobre as relações entre café e gravidez, já que os resultados dos estudos realizados apresentam alguns dados contraditórios. Segundo Alexandra Bento, presidente da Associação Portuguesa de Nutricionistas, “no que respeita às mulheres grávidas ou àquelas que tencionam engravidar, as recomendações apontam para que a ingestão de cafeína se limite a um máximo de 300 mg/dia (ADA, 2008)”.

 

O que é que o café tem?

A bebida que desperta a mente contém uma série de propriedades nutritivas, que o tornam único. Talvez esta razão justifique que o seu consumo seja integrado nos hábitos alimentares dos portugueses.

Consiste numa bebida “composta por uma mistura complexa de várias centenas de substâncias, incluindo hidratos de carbono, compostos nitrogenados, lípidos, vitaminas, minerais, alcalóides e compostos fenólicos, particularmente ácido clorogénico e ácido cafeico”. O seu teor em cafeína “desempenha um papel determinante na sua popularidade”, explica Alexandra Bento.

Jornal do Centro de Saúde

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