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Bronquiectasias: uma doença incapacitante

8 Setembro, 2012 0

Em situação normal, os brônquios são estruturas tubulares cujas paredes são lisas. Falamos de bronquiectasias quando existem dilatações e distorções permanentes dos brônquios.

O aparecimento de bronquiectasias vai perturbar a dinâmica normal da árvore brônquica, sobretudo ao nível da drenagem das suas secreções, com profundos impactos no seu funcionamento.

As secreções produzidas nos brônquios são normalmente drenadas através de dois mecanismos: a tosse e a drenagem realizada por intermédio de microfilamentos existentes nas células da sua mucosa – os cílios vibráteis. Ambos os mecanismos empurram as secreções até à glote, onde são deglutidas.

Quando existem bronquiectasias, este processo fisiológico está perturbado: as secreções não conseguem ser drenadas, acumulam-se nessas dilatações e infectam-se. E surgem os sintomas.

A tosse e a expectoração são sintomas sempre presentes. A expectoração, na maior parte das vezes muito abundante, apresenta-se de cor branca quando não há infecção; amarela, verde ou castanha quando ela existe. Outros sintomas, como a dificuldade respiratória, a eliminação de sangue – hemoptise – ou a febre, aparecem associados às agudizações infecciosas, que tendem a ser progressivamente mais frequentes.

As hemoptises, habitualmente de pequeno volume, nalgumas formas mais crónicas podem ser muito intensas, podendo fazer perigar a vida do doente.

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O que fazer para evitar bronquiectasias?

As bronquiectasias surgem, na grande maioria das vezes, como sequelas de processos infecciosos do pulmão ou dos brônquios, inadequadamente tratados – tuberculose, varicela, sarampo, pneumonias, etc. Assim, a primeira medida preventiva consiste em prevenir ou tratar adequadamente todas as infecções respiratórias.

Outras medidas de saúde respiratória, como não fumar, não inalar ar poluído, a vacinação antigripal e antipneumocócica são igualmente importantes, num contexto de prevenção.

Uma vez instaladas, as bronquiectasias requerem uma abordagem especializada, como qualquer doença crónica do aparelho respiratório. As opções de tratamento são múltiplas, desde uma simples abordagem medicamentosa até à ressecção cirúrgica da parte do pulmão afectada.

As seguintes três medidas surgem como prioritárias na estratégia do tratamento:

• Prevenir as infecções respiratórias – O doente deve ser aconselhado a evitar situações ambientais favorecedoras das infecções respiratórias, vacinar-se anualmente contra a gripe, ser imunizado contra as infecções pneumocócicas e melhorar a sua imunidade com medicamentos imunomoduladores.

• Tratar todas as infecções respiratórias – O doente deve ser ensinado a reconhecer os sinais das infecções respiratórias, que deverão ser adequadamente tratadas com antibióticos.

• Promover a drenagem das secreções brônquicas – Através de uma boa hidratação, de medicamentos fluidificantes do muco brônquico e, sobretudo, através da cinesioterapia respiratória.

As bronquiectasias continuam a ser uma doença a ter em atenção já que, uma vez instaladas, persistem para toda a vida, com tendência a um progressivo agravamento e deterioração da função respiratória. Porém, nos dias de hoje, com um boa estratégia conseguimos que estes doentes tenham um controlo adequado, vivam com mais saúde, com menor número de agudizações infecciosas e tenham melhor qualidade de vida.

Dr. Jaime Pina
Fundação Portuguesa do Pulmão

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