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Asma sob controlo

A asma é uma doença que afecta cerca de um milhão de pessoas no nosso país. Apesar de não ser conhecida cura, os doentes podem manter a sua vida normal sem sintomas ou crises inesperadas. Para isso, têm de ser bem diagnosticados, acompanhados por um especialista e aprender a colaborar no tratamento regular da doença. Um estudo recente indica que cerca de 50% dos portugueses não têm a sua asma controlada.

Cerca de 50 por cento dos portugueses não têm a sua asma controlada. A percentagem é preocupante e foi anunciada recentemente. Em 2010, e pela primeira vez em Portugal, foi feito um estudo a toda a população portuguesa sobre a prevalência de asma e de rinite. Este estudo foi realizado por via telefónica a mais de 6000 famílias. “Observámos que a prevalência de asma no último ano é de 6,8% % e que 10,5% das pessoas já sofreram de asma ao longo da vida. Ficamos ainda a conhecer a realidade do controlo da asma em Portugal, verificando-se que 57% dos doentes apresentavam a sua asma controlada, um número muito superior ao verificado em estudos semelhantes a nível internacional”, explica Luís Araújo, imunoalergologista e vice-presidente da Associação Portuguesa de Asmáticos (APA). A partir destes números, defende o especialista, será possível organizar melhor os cuidados de saúde para estes doentes e observar a evolução da asma e da rinite no futuro.

O primeiro passo no tratamento da asma passa por um diagnóstico correcto da doença. “Tal implica que o doente identifique os seus sintomas, e procure ajuda junto do seu médico assistente. A avaliação diagnóstica da situação inclui a história clínica, a realização de provas de função pulmonar e uma avaliação alergológica”, reforça Luís Araújo.

 

Bem tratar para melhor controlar

Embora o tratamento adequado para cada doente dependa das suas características individuais, sendo a asma uma doença inflamatória é quase universal o recurso a anti-inflamatórios corticosteróides por via tópica (ou seja inalados). “Nas doses usuais, estes medicamentos são muito seguros mesmo para um uso prolongado. Aliás, foram para esse uso prolongado que foram desenvolvidos. A par desta terapêutica anti-inflamatória em que se podem incluir também os antileucotrienos, são muitas vezes necessários tratamentos adicionais dirigidos ao alívio dos sintomas e em fase de agravamento como os broncodilatadores inalados”, salienta o imunoalergologista. É muito importante ter uma monitorização objectiva dos resultados da terapêutica seleccionada, de forma a ser ajustada para que o doente tire o maior proveito com a menor quantidade possível de medicamento.

O tratamento da asma não é apenas farmacológico. “A educação dos pais e das crianças e a promoção de um estilo de vida activo e saudável são fundamentais para a qualidade de vida dos doentes com asma. Além disso, a terapêutica para a asma é muito eficaz e praticamente desprovida de efeitos laterais, pelo que pode ser proporcionada uma grande melhoria da qualidade de vida em todos os grupos etários, da idade pré-escolar até aos seniores. Hoje, quase sempre é possível viver com asma sem que estas tenham qualquer interferência na vida dos doentes e sem risco de os vir a prejudicar no futuro.”

Torna-se assim essencial controlar a asma bem como as doenças associadas. “Sabe-se que a maioria dos doentes com asma apresentam rinite, e que se a rinite não for tratada é mais difícil controlar a asma, pelo que o tratamento de ambas as situações é aconselhado e facilita a melhoria da situação clínica do doente”, diz-nos vice-presidente da APA.

 

O principal desafio? Ter uma vida absolutamente normal

É o que todos os doentes crónicos ambicionam e pode ser mesmo possível. “Estudos clínicos demonstram que este controlo total é possível de obter em 90-95% dos doentes, no entanto, em Portugal, como já referido, apenas cerca de 50% dos doentes estão totalmente controlados (o que é uma percentagem muito superior à referidas em outros países). Assim sendo, o desafio para os doentes será o de obter este controlo total, o que implica uma atitude pró-activa do doente, uma ligação estreita com o seu médico assistente, o seguimento de um plano terapêutico e a evicção de alguns factores desencadeadores de crises (nomeadamente, a exposição ao tabaco)”, defende Luís Araújo.

Apesar de não ser uma doença curável, é possível viver longos períodos de tempo sem qualquer sintoma. “No entanto, mesmo que possa ficar sem medicação e sem sintomas durante algum tempo, existe sempre o risco de reaparecimento dos sintomas”, alerta o especialista.

 

Acabar com os mitos

Existem duas ideias preconcebidas e enraizadas na população sobre a asma. “O primeiro é que a asma é uma doença psicossomática. A asma não é uma condição psicológica, é uma doença inflamatória crónica das vias aéreas que leva a uma hiper-reactividade das vias aéreas, sobretudo quando não tratada adequadamente. Embora a asma não seja uma condição psicológica, o stress emocional pode provocar sintomas”, sublinha Luís Araújo. Por exemplo, problemas financeiros, insatisfação profissional e problemas familiares, podem contribuir para o desencadear de crises nos doentes. Em segundo lugar, há quem pense que a medicação para a asma é perigosa e com efeitos prejudiciais a longo prazo.

“Neste caso, os fármacos mais temidos são os corticosteróides inalados. Estes fármacos, apesar de serem derivados da temida cortisona, apresentam uma segurança completamente diferente – são usados em doses muitíssimo reduzidas e aplicados directamente onde são necessários (nos brônquios), pelo que a quantidade de medicamento que atinge a corrente sanguínea é muitíssimo pequena não causando efeitos indesejáveis. Nas doses usuais, estes medicamentos são muito seguros mesmo para um uso prolongado. Aliás, foram para esse uso prolongado que foram desenvolvidos”, tranquiliza o vice-presidente da APA.

Medidas que reforçam o tratamento farmacológico

– É importante que a sua casa seja bem arejada e limpa, particularmente o soalho. Os soalhos de madeira são melhores que as alcatifas, que tendem a acumular muito pó.

– Em geral, não deve manter animais com pêlo e animais dentro de casa, mesmo que não seja alérgico aos mesmos, dado que eles levam a uma maior acumulação de ácaros.

– Tente evitar perfumes, after-shaves, desodorizantes ou plantas com cheiro intenso dentro de casa, dado que todos são possíveis factores desencadeantes de asma.

– Não permita que fumem dentro de casa (e tente evitar ambiente com muito fumo, como bares).

 

Uma associação ao lado dos doentes

A APA tem como objectivo “sensibilizar os doentes que não valorizam os sintomas e não se tratam. Além disso, trabalhamos de forma a garantir o apoio institucional para que todos tenham a possibilidade de serem atendidos e ajudados, ou seja, melhorar os acessos aos cuidados”, explica ao Jornal do Centro de Saúde, Ana Maria Azevedo, presidente da APA.

Desenvolver esforços por uma maior comparticipação dos meios de prevenção, tratamento e controlo da asma e continuar a incidir nos programas de férias para crianças para educar os asmáticos, os amigos e outros são outros dos objectivos preconizados pela associação.

Para mais informações, contacte:

Associação Portuguesa de Asmáticos
Rua Arnaldo Gama, 64, 2º
4000-094 Porto
www.apa.org.pt
E-mail. informa@apa.org.pt
Tlm. 919 073 956

 

Jornal do Centro de Saúde

www.jornaldocentrodesaude.pt

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