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As Bebidas Refrigerantes Engordam? São Bombas Calóricas?

27 Novembro, 2008 0

O ganho de peso ocorre porque o “input” energético dos alimentos e bebidas ingeridos é maior do que o “output” energético resultante do efeito combinado do metabolismo basal e da actividade física. Esta diferença entre o “input” e o “output” energético pode ser influenciada por factores genéticos, hormonais e comportamentais. O facto essencial é que as pessoas que ganham peso o fazem porque estão a ingerir mais calorias do que precisam.

A pré-obesidade e a obesidade estão, assim, directamente relacionadas com um balanço energético positivo, resultante de excesso de ingestão em relação aos gastos.
Programa Nacional de combate à Obesidade

É falsa a ideia de que os refrigerantes são bombas calóricas. As bebidas refrigerantes não representam a ingestão de muitas calorias dentro do total de calorias diariamente ingeridas na dieta alimentar.

Um projecto de investigação realizado em Espanha (2004) pela Universidade Complutense (Departamento de Nutrição) mostra que a ingestão média diária de energia da população adulta daquele país é de 2134 Kcal e evidencia que a contribuição calórica dos refrigerantes para essa dieta é de 1,2%.

Em Portugal, estudos realizados, embora não representem uma amostra da totalidade da população, mostram idênticos resultados. O relatório sumário do estudo feito pela Faculdade de Medicina do Porto (2006), com o apoio da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica – ASAE, mostra que a ingestão calórica média da população abrangida é de 2190 Kcal (dia) , observando que a ingestão de refrigerantes, sumos de frutos e néctares é de cerca de 75 ml (média dia), o que representa um aporte calórico de 27 Kcal/dia, ou seja, 1,2% da dieta calórica da população adulta do Porto[1].

Na mesma linha, diferentes estudos têm mostrado não haver evidências científicas de que o consumo de refrigerantes (independentemente do respectivo teor calórico), associado a uma dieta equilibrada e estilos de vida activos, contribua para o aumento de peso.

A indústria de refrigerantes, graças à inovação e ao desenvolvimento de novos produtos oferece ao consumidor uma escolha alargada e variada de produtos, estando disponível no mercado uma enorme diversidade de produtos, designadamente, refrigerantes sem calorias ou com baixo teor calórico, o que poderá constituir uma opção para todos aqueles que pretendem reduzir o peso.

[1] A comparação entre Portugal e Espanha não é linear, devido ao facto do consumo português ter sido considerado de forma agregada para refrigerantes, sumos e Néctares. O consumo per capita de refrigerantes, sumos e néctares é consideravelmente superior em Espanha (Estatísticas Canadean).

Fontes:
▪ Programa Nacional de Combate à Obesidade. Despacho do Ministério da Saúde (2005)
▪ Consumo Alimentar no Porto – Relatório Sumário, Carla Lopes, Andreia Oliveira, Ana Cristina Santos, Elisabete Ramos e Milton Severo, Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (2006)
▪ Is There an Association Between Sweetened Beverages and Adiposity? – Profª Christine M. Bachman (Universidade de Houston) e Prof. Tom Baranowski e Profª Theresa A. Nicklas, do Children’s Research Center em Houston – “Nutrition Reviews” (Abril de 2006)
▪ Fuentes alimentarias de energía, grasa total, grasa saturada, sodio, azúcar y ácidos grasos trans en la dieta española – Proyeto de Investigación – Profas. Dras. Ana María Requejo Marcos y Rosa María Ortega Anta – Departamento de Nutrición – Facultad de Farmacia – Universidad Complutense Madrid (Julho 2004)
▪ Randomized controlled trial of changes in dietary carbohydrate/fat ratio and simple vs complex carbohydrates on body weight and blood lipids: the CARMEN study – W HM Saris, Nutrition and Toxicology Research Institute Maastricht (NUTRIM) (2000)
▪ Estatísticas Canadean (2006)

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