Alergias respiratórias e qualidade de vida
O alérgico tem uma vida difícil no nosso país. A asma e a rinite continuam subdiagnosticadas, mal avaliadas e mal controladas. A gravidade continua a não ser adequadamente valorizada e, em consequência, estas doenças têm um grande impacto social e individual, sendo que menos de metade dos alérgicos apresentam uma adequada qualidade de vida.
A asma e a rinite alérgica não têm cura, mas podem ser muito bem controladas. O controlo significa optimizar a qualidade de vida, isto é, dormir bem, poder estudar, trabalhar, brincar, jogar, ter uma vida social normal, incluindo a prática de exercício, avaliando-se ainda a função respiratória e a medicação necessária que possibilita tudo isto. Não é nenhum campeonato, é a vida real, que não deve ser afectada.
É necessário promover o autocontrolo da doença. É importante alertar que as alergias respiratórias são “doenças inflamatórias crónicas” e que devem ser regularmente tratadas.
Estamos na Primavera, principal época polínica. Surgem ou agravam-se os sintomas. Não, outra vez não! Por favor, outro ano mau, só se quiser, mas se é o seu filho que está afectado, não conviva com situações que se podem prevenir, porque ele não quer passar mal. E aquela crença que “passa com a idade” não é real.
Mas os alérgicos não devem ter medo do tratamento, pois é a asma ou a rinite que, cronicamente, dia após dia, ano após ano, década após década, lhe perturba a qualidade de vida, por não estarem diagnosticadas e consequentemente não estarem controladas.
O tratamento baseia-se, primeiro, num diagnóstico bem estabelecido. E este, com demasiada frequência, insistimos, não foi ainda efectuado. E não é muito difícil de o fazer, seja na criança, seja no adulto.
Pilares fundamentais no controlo da doença
– A educação do doente e da sua família;
– A evicção de factores de agravamento, como são, por exemplo, a redução da exposição aos alergénios ou a limitação da exposição a poluentes, com destaque para o fumo de tabaco, e ainda a redução da ocorrência de infecções, possível através de vacinas adequadas;
– O tratamento dos episódios agudos ou crises, com utilização de fármacos que aliviam a obstrução dos brônquios;
– O planeamento da terapêutica de controlo, recorrendo a medicamentos anti-inflamatórios por períodos mais ou menos prolongados, permitindo o controlo sintomático e funcional destas doenças crónicas;
Todos estes aspectos do programa de tratamento, que podem incluir também a reabilitação funcional, assentam numa adequada relação do doente com a equipa de saúde.
São estes os fundamentos para o sucesso da intervenção, com a melhoria da qualidade de vida, que é possível a um custo razoável na maioria das doenças alérgicas.
A falta de consciência sobre estes passos é a maior causa para o insucesso do controlo das doenças alérgicas no nosso país.
A ter em atenção…
Se sabe que tem alergias, então saiba que o controlo não é difícil.
Se não sabe, não espere mais. A tosse, a falta de ar, o cansaço, a frustração que sente há tanto tempo podem dever-se à doença crónica que se chama asma. Também espirra muito, coça os olhos e o nariz, sente o nariz tapado? Será que tem rinite?
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