“A osteoporose deverá continuar a aumentar nos próximos anos” - Médicos de Portugal

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“A osteoporose deverá continuar a aumentar nos próximos anos”

4 Novembro, 2008 0

A osteoporose, em crescendo nas sociedades actuais, tem acompanhado a tendência de envelhecimento em todo o mundo. Um estudo realizado em 1997, por esta associação, revelou que mais de 60% das mulheres acima dos 75 anos sofrem de osteoporose. Segundo Domingos Araújo, presidente da APO, esta patologia é considerada “um grave problema de saúde pública”. Qual o impacto desta doença?

Quais os custos sociais e os gastos em saúde associados à osteoporose?

As fracturas osteoporóticas, particularmente as fracturas da anca, as fracturas vertebrais e dos punhos, condicionam frequentemente incapacidade funcional, dor e sofrimento e, ainda, a redução da esperança de vida. As fracturas osteoporóticas são uma das causas mais comuns de incapacidade e um dos principais contribuidores para as despesas em saúde em muitas regiões do mundo.

7% das mulheres idosas que sofrem fracturas da anca, vertebrais ou do punho tornam-se dependentes para as actividades da vida diária e 8% mais precipitam o internamento num lar. Cerca de 50% dos idosos que sofre uma fractura da anca ficam impedidos de caminhar. Só em 2002 o número de fracturas da anca, em Portugal, era superior a 8000/ano, com um custo estimado de cerca de 85 milhões de euros.

A osteoporose ainda é um problema negligenciado no nosso País?

A osteoporose é uma doença silenciosa. A constatação da doença surge, normalmente, através das suas consequências, as fracturas osteoporóticas. Ora, quando ocorre uma fractura, regra geral, a doença encontra-se já em fase avançada, havendo nessa altura uma perda significativa da quantidade de osso e uma deterioração da sua qualidade e resistência.

É importante, pois, alertar as pessoas, sobretudo as que apresentam um risco elevado de desenvolverem osteoporose, para tomarem medidas preventivas ou terapêuticas que evitem o aparecimento de fracturas. Embora não exista cura para a osteoporose, dispomos hoje de medicamentos que reduzem em mais de 50% o risco de uma primeira fractura e de fracturas subsequentes.

Os doentes que tiveram já uma fractura osteoporótica têm um risco mais elevado de ter novas fracturas do que as pessoas que nunca tiveram uma fractura. Essas, pessoas não devem, pois, adiar o tratamento da osteoporose.

O que falha em Portugal no combate à osteoporose?

Em Portugal, como em outros países, a osteoporose nem sempre é vista como uma doença potencialmente grave, o que pode antecipar a morte a muitas pessoas. No entanto, no nosso País, o diagnóstico da osteoporose, através da densitometria óssea, é, desde há vários anos, comparticipado pelo Serviço Nacional de Saúde (SNS), o que não acontece em alguns países da Europa. O diagnóstico precoce da osteoporose das mulheres e homens de maior risco permitirá, seguramente, o tratamento atempado e uma redução do risco de fracturas osteoporóticas e das suas consequências.

As campanhas de prevenção têm surtido efeito junto da população para uma maior consciencialização?

Ainda que não se disponha de dados recentes sobre as campanhas de prevenção da osteoporose, parece-nos haver na população e nos médicos uma maior consciencialização sobre esta doença. Observamos já uma maior preocupação pela realização de uma alimentação saudável e pela prática de exercício físico, particularmente por parte da população mais idosa. Esta, muitas vezes desconhecia a necessidade de uma maior ingestão de cálcio e da prática de exercício físico, adaptada à sua idade e condição física.

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