A evolução tecnológica na qualidade do tratamento com radiações - Médicos de Portugal

A carregar...

A evolução tecnológica na qualidade do tratamento com radiações

16 Setembro, 2010 0

A prática da radioterapia nunca foi tão complexa. Novos conhecimentos em diversas áreas da Medicina e da Radiobiologia devem ser compreendidos e usados.

Apesar de as novas ferramentas de imagem permitirem uma melhor definição das estruturas anatómicas de cada doente e uma melhor individualização dos volumes tumorais e dos tecidos normais, as capacidades humanas para identificar esses volumes de forma precisa e consistente não evoluem necessariamente da mesma forma. É necessário reconhecer a importância da formação e treino contínuos e um controlo permanente dos resultados dos tratamentos.

Uma parte considerável da prática actual da radioterapia é baseada em processos de realidade virtual. O doente real é convertido num modelo virtual na fase inicial de planeamento, através da realização de uma tomografia axial de planeamento onde são definidos os volumes tumorais e dos órgãos de risco locais. Estes dados passam para a fase de dosimetria, efectuada em estações de trabalho onde estão definidos os parâmetros físicos e geométricos dos feixes de radiação. O processo virtual é concluído no primeiro tratamento, onde os dados relativos à geometria e posição dos campos de tratamento são confirmados através de radiografias digitais.

Esta radioterapia altamente conformacionada coloca grandes desafios, devido à grande dependência na representação virtual do doente. Os resultados do tratamento estão agora dependentes de modelos e algoritmos informáticos que determinam a forma como o tratamento é administrado, incluindo estatísticas de dose/volume, probabilidade de controlo tumoral, probabilidade de complicações nos tecidos normais, entre outros índices.

 

Novas técnicas de imagem

É essencial a aprendizagem de novas aptidões na definição dos alvos do tratamento, das técnicas de planeamento e tratamento. Devem ser reconhecidas as limitações dos equipamentos de imagem (tomografia computorizada, ressonância magnética, tomografia de emissão de positrões) e das ferramentas de software utilizadas, compreendidos os princípios básicos da física e da dosimetria e ter um conhecimento amplo das limitações dos sistemas de planeamento e tratamento inerentes às novas modalidades de tratamento, tais como a radioterapia de intensidade modulada (IMRT) e a radioterapia guiada por imagem (IGRT), baseadas no essencial na radioterapia conformacional tridimensional (3D-CRT).

As novas técnicas de imagem baseadas na tecnologia informática, combinadas com os modernos sistemas de planeamento, levaram à possibilidade de uma definição extremamente precisa dos volumes de tratamento. Os novos sistemas assistidos por computador permitem administrar doses mais precisas nos volumes tumorais, mesmo naqueles que possuem formas irregulares. Estes volumes, definidos com maior precisão, podem agora ser tratados com doses maiores, com menor irradiação dos tecidos normais, aumentando o índice terapêutico, melhorando o controlo tumoral e as taxas de cura, com melhoria consequente na qualidade de vida dos doentes.

Dr. Rui Paulo Rodrigues, Médico Especialista em Radioterapia/Oncologia

Apesar de as novas ferramentas de imagem permitirem uma melhor definição das estruturas anatómicas de cada doente e uma melhor individualização dos volumes tumorais e dos tecidos normais, as capacidades humanas para identificar esses volumes de forma precisa e consistente não evoluem necessariamente da mesma forma. É necessário reconhecer a importância da formação e treino contínuos e um controlo permanente dos resultados dos tratamentos.

Páginas: 1 2

ÁREA RESERVADA

|

Destina-se aos profissionais de saúde

Informações de Saúde

Siga-nos

Copyright 2017 Médicos de Portugal por digital connection. Todos os direitos reservados.