Diabetes tipo 2: Uma Epidemia do Século XXI
Coma bem, fazendo uma alimentação fraccionada, ingerindo diariamente muitos legumes e hortaliças, reduzindo o sal e as gorduras, evitando as frituras, enchidos, salgados, bolos. Regresse às leguminosas secas tão do agrado dos nossos avós (as ervilhas, o feijão, o grão e as favas).
Faça rastreio em especial se tem mais de 45 anos ou se encontra dentro da população de risco.
Lembre-se que cerca de metade dos diabéticos não estão diagnosticados e a doença está a evoluir sem controlo e ainda que a diabetes do tipo 2 não dá frequentemente ou dá poucos sintomas antes de serem detectadas já complicações.
Devemos ter em mente que é possível mudar a história natural da diabetes prevenindo o seu aparecimento através da prática de estilos de vida saudáveis ou diagnosticando precocemente permitindo intervir compensando-a e interrompendo ou atrasando a sua evolução para as chamadas complicações tardias.
Dr. Luís Gardete Correia,
Endocrinologista
Ex-Presidente da Sociedade Portuguesa de Diabetologia
Presidente da Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal
Nenhum país ou população está imune a esta epidemia, intimamente relacionada coma mudança rápida dos nossos hábitos alimentares, que passaram em menos de 50 anos de uma alimentação tradicional e uma vida fisicamente activa para um sedentarismo crescente e uma alimentação rica em gorduras e açúcares de absorção rápida.
Na base deste grave problema estão conhecidos factores de risco cada vez mais comuns na nossa sociedade – alimentação rica em gorduras e açucarados, excesso de peso (cerca de 80% dos diabéticos tipo 2 têm excesso de peso ou são obesos) e sedentarismo.
A obesidade deve ser encarada como uma doença tanto pelos doentes como pelos técnicos de saúde. Os riscos elevados de cancro, doenças cardiovasculares, osteoarticulares e diabetes estão aumentados de 2 a 10 vezes comparados com os não obesos.
Também para aquele crescimento contribui, o aumento de número de diabéticos com a idade e, como facilmente constatamos, a nossa população está a envelhecer, resultado de uma diminuição da natalidade nas últimas décadas e de um aumento da esperança de vida das pessoas. Assim, verificamos que, no grupo etário acima dos sessenta anos, cerca de 18% das pessoas são diabéticas.
As duas formas de actuar capazes de alterar este cenário, uma alimentação correcta e um exercício físico regular, não têm provavelmente chegado aos seus destinatários ou pelo menos da forma mais conveniente, pois não tem sido visível qualquer alteração do cenário, antes pelo contrário.
A diabetes, e estamos referindo a diabetes tipo 2, tem progredido à mesma velocidade com que as populações têm adoptado uma alimentação feita à base de gorduras animais e produtos açucaradas mais ou menos coloridos. É bom exemplo o que se passa na China com a expansão em paralelo da diabetes e das casas de fast-food. Um ponto de reunião das famílias tradicionais do campo que visitam Pekin passou a ser os restaurantes de fast food de nome internacional.
Outro aspecto que está a mudar na diabetes do tipo 2 é o da idade do seu aparecimento. Até há pouco anos atrás não era frequente o seu aparecimento antes dos 35 anos. Hoje já encontramos em idades jovens, inclusive adolescentes associada, naturalmente, ao excesso de peso crescente nestas populações.

