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Portugal tem uma baixa taxa de insulinização

21 Março, 2007 0

A diabetes é uma das principais causas de morte prematura em todo o mundo. A cada dez segundos morre uma pessoa vítima da doença. Apesar desta realidade, Portugal continua a ser o país da Europa com menor taxa de insulinização. Isto é, os doentes diabéticos, na sua grande maioria, iniciam uma terapêutica oral e só principiam o tratamento com insulina quando a sua diabetes atinge um estado muito avançado e por vezes crítico.

A Dra. Ana Luísa Marques da Costa, Assistente Eventual de Clínica Geral no Centro de Rio de Mouro e colaboradora na consulta de diabetologia da Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal (APDP), explica a importância da insulinização para que o diabético evite desenvolver complicações associadas à diabetes, como lesões da retina, nos rins e nos nervos, ou pé diabético.

Qual o papel da medicina familiar na insulinização?

O médico de família é, normalmente, o primeiro ponto de contacto médico com o sistema de saúde. Cerca de 80% dos diabéticos tipo 2 são seguidos pelo médico de família, pelo que este se encontra numa posição privilegiada para o diagnóstico e terapêutica precoce e intensiva, permitindo assim redução das complicações micro vasculares e mortalidade.

Em Portugal, como no resto do mundo, a prevalência da diabetes tem vindo a aumentar. Estimativas de 2003 apontam para que Portugal tenha cerca de 10% de diabéticos em 2025.

Sendo a diabetes tipo 2 uma doença crónica progressiva, responsável pela maioria dos casos de cegueira na idade adulta, amputação não traumática dos membros inferiores e insuficiência renal, tendo como principal causa de morte a doença cardiovascular de 70% entre esta população, o controlo da diabetes através dos objectivos metabólicos é fundamental.

Hoje em dia, preconiza-se a insulinização precoce, com ou sem antidiabéticos orais na altura do diagnóstico. Com as alterações de estilo de vida, o aumento da incidência de novos casos, principalmente dos jovens, mais doentes vão necessitar de insulina no seu tratamento.

Quais as principais dificuldades com que se depara a medicina familiar no tratamento com insulina na diabetes, especificamente de Tipo 2?

No controlo da diabetes é fundamental uma abordagem multifactorial em equipa, é preciso ter em conta os objectivos metabólicos definidos nas ”guidelines”, objectivos educacionais, pedagógicos e objectivos clínicos individuais em cada consulta.

A equipa ideal deveria ser constituída pelo médico, enfermeiro, nutricionista e psicólogo. Não é a realidade da maioria dos Centros de Saúde o que torna uma tarefa difícil para o médico de família.

Este factor não deve no entanto ser impeditivo de atingir os objectivos terapêuticos. Uma entidade que não podemos esquecer é o enfermeiro especialista em diabetes, essencial nesta equipa, o que ainda está muito longe de se afirmar no nosso país.

Este enfermeiro que presta cuidados aos diabéticos desenvolve, não só procedimentos referentes à promoção da saúde, mas também procedimentos educacionais pedagógicos específicos ao atendimento do diabético de forma a este tornar-se gestor da sua doença.

Os recursos escassos e gestão do tempo são um dos factores que influenciam a insulino-resistência psicológica dos médicos de família, assim como os outros médicos cuidadores dos diabéticos. Outros factores são a fronteira estreita entre o bom controlo glicémico e a hipoglicemia. A insulinoterapia raramente é uma terapêutica estável o que implica maior disponibilidade do médico.

O sucesso do controlo do diabético depende da modificação de estilos de vida e a divulgação reduzida nesta especialidade dos tipos de insulina o que resulta num menor treino no manuseamento da insulina no que refere ao tipo e doses e como resultado maior dificuldade de aquisição de competência nesta área.

Por que motivo se inicia tão tardiamente, em Portugal, o tratamento com insulina nos doentes diabéticos?

A falta de divulgação das “guidelines” junto dos médicos de clínica geral e, mais importante, o reconhecimento dessas orientações, assim como da sua exequibilidade. As dificuldades associadas ao próprio doente, na falta de confiança para as exigências da insulinoterapia, a sensação de falha pessoal e punição, perda de controlo da sua vida (peso da autogestão da diabetes), assim como a própria insulino-resistência associada ao médico.

É necessário que haja educação médica contínua, criação de canais de comunicação com centros especializados de retaguarda, a criação de equipas multidisciplinares e treino de técnicas de educação do doente aos elementos da equipa.

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