Coping: estratégias de gestão do stresse
Coping refere-se aos esforços para controlar, reduzir, ou tolerar as exigências criadas pelo stresse.
Coping é uma palavra pouco usada em português. Está estreitamente associada ao stresse, este escrito já no seu formato em português, e que antes se escrevia stress. Se acontecer ao coping o que acontece a outros inglesismos, tais como football que se passou a escrever futebol, tal como cassette que se tornou cassete, ou diskette que se tornou disquete talvez este termo se passe a escrever copingue.
Na linguagem científica os investigadores, usam a palavra “coping”, “adaptação”, “confronto”, “gerir”, “lidar com”, para se referir ao mesmo fenómeno. No Brasil a palavra utilizada é “enfrentamento”, que é um termo muito expressivo. De facto o coping refere-se ao modo como as pessoas enfrentam as múltiplas exigências da vida com o objectivo de os resolver.
Ou seja o coping é algo que estamos sempre a fazer, no sentido em que temos constantemente exigências do tipo “o meu filho está com febre”, “tenho que comprar presentes de Natal e o dinheiro escasseia”, “o meu emprego está em risco”, “tenho uma multa para pagar”. Algumas destas coisas são mais leves e com solução mais fácil de encontrar, outras de solução mais difícil.
Tecnicamente coping define-se como “esforços cognitivos e comportamentais para gerir exigências específicas, internas e/ou externas, que são avaliadas como excedendo, ou como estando nos limites dos recursos pessoais”. Ou seja, não se refere somente às coisas que acontecem mas incluem também aquelas que as pessoas pensam que acontecem ou que podem acontecer.
Origem do coping
A ideia de coping é antiga. Na biologia, a investigação de Walter Cannon conduziu à descrição da resposta do sistema nervoso simpático de “fight or flight”, ou luta ou fuga em Português, perante situações percebidas como ameaçadoras à segurança física ou emocional. Estudou-o, portanto, associado ao stresse como um modo de actuar que a generalidade dos organismos vivos utiliza para lidar com situações ameaçadoras.
Quando qualquer animal se encontra numa situação de ameaça tem estas duas alternativas de resposta para enfrentar a situação: luta ou fuga. Nos seres humanos, as respostas são mais complexas. Em meados do século XX um médico Canadiano Hans Selye definia o Síndroma Geral de Adaptação para designar um mecanismo biológico porque passavam os organismos até à fase de adaptação, quando se encontravam perante uma situação de stresse .
Visão freudiana de “coping”
No início do século XX Freud usava o termo “mecanismos de defesa” para designar os processos inconscientes que os indivíduos utilizavam para lidar com ameaças internas ou conflitos de modo a proteger o ego. Numa terminologia mais actual poderíamos designar esses conflitos ameaçadores como stresse e esses mecanismos de defesa são actualmente designados por “estilos de coping”.
De inicio todos os mecanismos de defesa eram patológicos. Nesta corrente teórica, posteriormente, os mecanismos de defesa foram divididos em primários e secundários, em que uns eram mais patológicos e primitivos do que os outros. A evolução desta concepção levou a que os mecanismos de defesa fossem considerados adaptativos ou não adaptativos.

