Rugas: Combater as marcas do tempo
Diz o provérbio popular que «a idade não perdoa». A passagem dos anos é inevitável e as rugas, a sua manifestação mais visível, são o alvo que muitas pessoas tentam «abater» para disfarçar o tempo que já passou e não voltará.
«Rugas… Já começo a ver as primeiras rugas. Rugas de chorar, rugas de sentir, rugas de cantar, começa a franzir». Há alguns anos, António Variações escreveu estas palavras e, mais recentemente, os Humanos passaram-nas para música. Estes traços que, contra a vontade da maioria, surgem bem à flor da pele são isso mesmo: o resultado do que sentimos, do que chorámos, dos excessos que cometemos, em suma, do que já vivemos.
Com o passar dos anos, a pele luminosa e elástica transforma-se noutra mais flácida e envelhecida. Os factores hereditários e a prolongada exposição ao sol são os principais causadores destas alterações cutâneas. O rosto e o dorso das mãos, uma vez mais expostos, são as zonas que mais precocemente envelhecem.
Os primeiros sinais do processo degenerativo atingem a epiderme (camada mais superficial da pele), que começa a «pintar-se» de manchas e irregularidades notórias.
Mais tarde, a derme (camada mais profunda) também é atingida, o que condiciona o aparecimento das rugas, «primeiro só visíveis em movimento (rugas de expressão) e, posteriormente, visíveis também em repouso», explica Luísa Caldas Lopes, dermatologista no Hospital da Luz e membro da Sociedade Portuguesa de Dermatologia e Venerologia (SPDV)).
No caso do rosto, por exemplo, o que acontece depois é que as rugas acabam por se «disseminar» em quase toda a sua extensão. «As alterações do sistema pigmentar, a perda da gordura subcutânea, as alterações na musculatura facial e a inerente perda de elasticidade são factores igualmente marcantes no envelhecimento cutâneo», acrescenta a especialista.
É, no entanto, possível retardar este processo. O uso diário de cremes anti-envelhecimento, a fuga à exposição solar prolongada, a aplicação de protector, mesmo que as condições climáticas não convidem ao uso destes produtos, são alguns dos «trunfos» que se podem «tirar da manga» em prol de um aspecto mais jovial.
Destronar os vincos à flor da pele
Para manter a pele jovem, evitando a flacidez, as manchas e os sulcos inestéticos é, então, necessário apostar na prevenção. Mas, se já é tarde para prevenir, o melhor é evitar maiores complicações.
A dermocosmética apresenta inúmeras soluções que ajudam a retardar o envelhecimento, prevenindo as rugas. Os alfa e beta-hidroxiácidos, a vitamina C, os agentes despigmentantes, o retinol e derivados ou os hexapéptidos, com acção toxina botolínica like (vulgo botox), são algumas «armas» de que a ciência dispõe para combater as adversidades da idade.
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As várias substâncias de enchimento de rugas têm durações diferentes, podendo os efeitos ser temporários ou definitivos. Mediante o tipo de pele, «deve ser feita a escolha das técnicas a utilizar, pelo que a avaliação particular de cada caso é essencial».
Há zonas da face em que «as rugas ficam mais disfarçadas com botox. Por exemplo, os pés de galinha, as rugas entre as sobrancelhas (glabela) e outras, em que os rodutos de enchimento são mais apropriados, como é o caso dos sulcos nasogenianos», adianta. Pois, quando se fala em tratamento, «há que ter em conta os factores individuais de cada pessoa a tratar e ponderar as vantagens e desvantagens de cada técnica de rejuvenescimento», afirma Luísa Caldas Lopes.

