Incontinência: Pingos de desconforto
Desconforto, mas também embaraço, é o que sente quem sofre de incontinência urinária, um problema mais feminino do que masculino e que se torna mais frequente com a idade. Mas que se contorna com a ajuda de produtos próprios que devolvem o bem-estar e a auto-estima.
Quem vê televisão com regularidade certamente já se deparou com vários anúncios a propósito da incontinência – são anúncios que publicitam as chamadas fraldas para adultos, uma das soluções mais confortáveis e eficazes para contornar a dificuldade em conter a urina. Marcas à parte, são todos eles anúncios que transmitem uma imagem positiva, com os protagonistas em atitudes de confiança e descontracção.
E, embora a razão de ser da publicidade seja a de convencer o público, pelo que as mensagens são naturalmente afirmativas, a verdade é que há cada vez menos razões para que a incontinência seja fonte de desconforto e embaraço.
A incontinência é definida como a perda involuntária de urina, que representa um problema higiénico ou social para a pessoa afectada. Há diferentes tipos e pode ou não ser acompanhada da sensação de micção urgente.
Significa isto que as gotas que se escapam ao controlo do cérebro e da bexiga podem ser antecedidas de uma vontade urgente de urinar, mas também pode acontecer que não haja qualquer aviso prévio.
Este cenário é duas vezes mais frequente entre o sexo feminino, por comparação com o masculino, e tende a acentuar-se com a idade, embora possa ocorrer em qualquer altura da vida. Sabe-se, no entanto, que um em cada três idosos tem dificuldade em controlar a bexiga, o que constitui terreno fértil ao desenvolvimento de doenças como as úlceras de decúbito, infecções e depressões.
Aliás, as implicações a nível psicológico são, muitas vezes, mais problemáticas do que as complicações físicas da incontinência. Uma pessoa que não consegue evitar que a urina se escape acaba por se isolar, devido ao natural constrangimento e ao receio de ser rejeitada pelos seus pares. Acontece que o doente evite o convívio social, tal como se iniba de manter contactos íntimos com o seu parceiro.
Fica, assim, claramente comprometido o bem-estar nas suas múltiplas vertentes.
A incontinência, nos seus diferentes tipos, pode ter sintomas temporários ou persistentes, sendo que, no primeiro caso, desaparece quando são eliminados os factores que estão na sua origem. Uma doença, um medicamento, uma situação de stress emocional…
Geralmente classifica-se a incontinência urinária em grupos. A incontinência de stress acontece quando aumenta a pressão abdominal – rir, espirrar, tossir, exercício físico – devido a fraqueza dos músculos pélvicos.
Considera-se também a incontinência de imperiosidade (também chamada de urgência), relacionada com a instabilidade do principal músculo da bexiga. O que acontece é que a pessoa sente um forte desejo de micção, mas não consegue evitar a perda de urina antes de chegar a uma casa de banho.
A mista, quando existem sintomas de incontinência de stress e imperiosidade. Há também quem sofra de incontinência funcional ou reflexa, situação em que não há qualquer impulso de urinar. Nestes casos, a bexiga esvazia-se porque não recebe qualquer instrução de controlo do cérebro.

